sábado, 1 de setembro de 2018

Criei uma Aldeia, mas não sou chefe de tribo.


Criei uma Aldeia, mas não sou chefe de tribo. 
Rede de apoio entre mães!

 3 anos de aldeia! Obrigada a todas! A Aldeia não foi nada de mais, apenas uma mãe que cansou de se sentir sozinha, e outras mães que responderam! Para encontrarmos ajuda, basta pedirmos! Muito obrigada pelos anos de companhia, e pelas amizades que se formaram, seja comigo, sejam outras entre si! É lindo de ver! De uma intenção de união, muitas coisas bonitas podem surgir! - Alaya Dullius


Foi uma necessidade, uma necessidade minha. Querem que sejamos ‘mulher-maravilha’. Mas pouco se fala da profunda solidão materna. 

Claro, existe a solidão relativa ao luto de si mesma, o deixar de ser o que se era, se descobrir outra pessoa, sentir saudades do que fomos, do que tínhamos... Eu já era doula formada quando me tornei mãe, já havia lidos os manuais, já havia até ordenhado o leite de outras mães, antes mesmo de sentir o leite jorrando de dentro de mim! Eu tinha os recursos, o conhecimento, eu não tinha gente para estar comigo! 

Recém-mudada de cidade, numa cidade onde eu não me identificava, com o marido tendo voltado a trabalhar, a família longe; precisei, precisei de gente, de outras mulheres, outras mães, para partilhar a vida. 

Meus dias eram preenchidos com a bebê. Amamentar, trocar, banho, sono, amamentar, choro. Era um looping eterno de bebê, corre o risco da gente pirar! Eu saia de casa, ia ao mercado, à padaria, bebê devidamente amarrada no sling. Gostava de dar oi pro padeiro, falar com a caixa do mercado, queria falar com outros adultos de vez em quando. Passava o dia lambendo cria e conversando com bebê. 

Era ótimo! Não me entendam mal! Era tudo que eu sempre quis! Mas faltava algo, faltava outras pessoas. Alguém pra dizer “oi também estou aqui, também estou nessa”, ou “sabem receita de pão de queijo sem leite?!”. Alguém pra dizer “alguém ai acordada de madrugada pra bater um papo?”. Ou simplesmente pra me recomendar uma boa costureira, ou onde encomendar um bolo, ou desabafar a falta de sentido de todas as lojas de produtos para bebês serem categorizados entre ‘de menino’ e ‘de menina’! 

Não queria posts profundos em um grupo sério e comprometido no facebook, queria dizer “nossa hoje a fralda vazou, derramei o leite ordenhado, queimei o arroz mas ta tudo bem, vai passar!” – uma coisa humana, cotidiana, de mães com mães, entre mulheres, possíveis amigas, uma aldeia. 

Foi assim que surgiu, em Setembro de 2015. Convidei outras grávidas e mães recentes e não enchi de regras e moderação. A regra era simples: respeito. Apoiamos o parto normal, apoiamos a amamentação; use o grupo, participe, entre na conversa, pegue o bonde andando, desabafe, fale do marido, da sogra, da mãe, peça ajuda, tire dúvida, fale de cólicas, de fraldas, do cabelo caindo. Pode até pedir indicação de marceneiro! Estamos aqui juntas. Responderá quem puder, conversará quem quiser.

Claro que reunir um grupo heterogêneo de mulheres no puerpério sempre tem seus probleminhas, mas por muito tempo vi algo lindo acontecer. Vi apoio real, desabafo real, compartilhamento de dicas. Eu ajudava com o conhecimento que eu tinha já do trabalho com gestantes (outras também ajudavam em suas expertises!) -- elas me ajudavam com dialogo, amizade, presença no cotidiano. Aprendi muito também! E juntas muitas de nós crescemos.
Logo chegamos a 100 membros, na maior parte do tempo fomos 200 mães. Bebês de 0 a 3 anos, a maioria. E dali surgiram amizade reais, e outros grupos se derivaram! Eu achava lindo! É a vida, relações e afinidades, da aldeia outras aldeias se criaram, pessoas se encontraram! Grupos para introdução alimentar, dieta, encontrinhos. As mães iam se afinizando muitas vezes pela idade de seus filhos, mesma fase, mesmos desafios, mesma solidão. 

Tivemos alguns grandes encontros. Um no aniversário de dois anos da minha filha. Outro no aniversário de uma das mães que faz bolos deliciosos! O salão do prédio dela ficou lotado de bebês pelo chão e mães conversando! Encontrinhos na pracinha, piqueniques, desabafos não faltaram! Tivemos até uma super festa de Halloween no prédio de uma das mães, todo mundo foi fantasiado! 

Eu queria que fosse um local onde as mães pudessem recorrer sem medo (e sem propagandas de venda de roupas e outras coisas que poluem nosso dialogo). Claro que houveram problemas, contudo, algumas das ações mais lindas eu vi surgindo a partir da Aldeia de Mães de São José dos Campos! 

Coisas simples e outras muito sérias! Um empréstimo de muleta para uma mãe que quebrou o pé, um empréstimo vindo de uma desconhecida... Uma carona pra uma mãe presa com o bebê na chuva. Fui ajudada quando tive uma úlcera no olho e precisei de ajuda com um oftalmologista! Mas outras coisas aconteceram. 

Uma mãe da Aldeia descobriu que a prima de 17 anos estava grávida. Acolhemos a jovem mãe. Organizaram um chá de bebê surpresa para ela! Com bolo e presentes e muitas fraldas. Um monte de desconhecidas mobilizadas por solidariedade a uma mãe! Foi bonito de ver!
Tivemos ajuda com rifas para pagar o parto de uma, troca de consulta com a mesma pediatra por que o filho de outra tinha mais urgência, anúncio de onde tinha promoção de fralda na cidade! E muita, muita escuta!

O que foi mais emocionante para mim foi a corrente de amor em torno da Raquel, mãe da Lais. Uma mãe da Aldeia que descobriu uma leucemia quando sua bebê tinha apenas uns 8 meses! Choramos com ela, visitamos, organizamos campanha de doação de sangue quando ela foi internada e precisou muito! (o mérito não é meu! É dessas mães lindas que se mobilizaram). Foi compaixão genuína, generosa, de uma mãe se colocando no lugar da outra! Ela nos deixou, e a Aldeia ficou em Luto. Depois muitas ali, juntas, organizaram uma festinha de aniversário para a Lais, que completou um ano pouco tempo após a partida de sua mãe. Ali Lais ganhou muito colo, e seu pai muitos abraços. Ali foi uma Aldeia de amor. 


Na Aldeia mulheres encontram amigas, encontraram irmãs. Encontraram suas doulas, consultoras de amamentação. Encontraram convergências, e opiniões diferentes também! Era um lugar onde a gente não se sentia diferente, "mãe chata". Foi onde mães descobriram que são normais, que suas angustias e inseguranças são as de todas, que não estão fazendo nada errado, e principalmente, que “vai passar”! 

Essa é minha homenagem à aldeia que reuni, não tem torno de mim, mas comigo!
Hoje já não me sinto tão parte dela, mas sei que por três anos foi auxílio, apoio e escuta para muita gente! Muita gente passou e deixou sua marca positiva! Muita gente ficou. Memórias se criaram. Torço que a experiência tenha valido! Valeu pra você?



Deixo o depoimento de algumas mães: 

1. “Eu fico até emocionada tentando dizer o que essa Aldeia representa pra mim! Não estou em nenhuma das fotos, mas vejo pessoas tão maravilhosas que me acolheram sempre! Não tem como esquecer a primeira pessoa que me acolheu X pela qual tenho muito carinho, ela nem deve lembrar pq foi instintivo ajudar uma recém mãe super perdida, recém parida! Sou grata a ela e a tantas outras queridas e amadas sempre em meu coração”

2. “Essa Aldeia me recebeu de braços abertos numa cidade nova em que eu não tinha rede de apoio e se tornou minha rede de apoio, minhas amigas, minha família
São minha companhia nas madrugadas acordadas, nas discussões com marido, nas dificuldades da maternidade
São mulheres porreta que abrem minha mente diariamente para temas que nem me imaginava discutindo
Obrigada X por me trazer pro grupo, obrigada a todas as amizades feitas ali e obrigada a todo mundo que me acolheu sempre!”

3. “Obrigada por me acolher nos momentos de dúvidas maternas e existenciais! Graças ao grupo o puerpério se tomou mais leve!!”

4. “eu sou tão grata de ter estado lá desde o começo! Acho que o que mais fez por mim era saber que eu não estava sozinha. Que tudo o que eu sentia e passava era normal. Mesmo não estando fisicamente na maioria dos encontros sempre encontrei apoio e empatia. Não imagino minha maternidade sem essa troca! Muito obrigada! ❤”” Fora as amizades lindas e reais que pude fazer! É tanta coisa boa pra falar!”

5. “A aldeia pra mim que estive desde o início até pouco tempo atrás, foi um lugar de acolhimento. Um local onde eu não era a "diferentona". Na aldeia recebi apoio, afeto e desenvolvi amizades reais. Sou grata por ter uma maternidade mais leve. Sou grata por toda partilha e confiança dada e recebida.”

6, “E como eu sou grata por você ter cruzado o meu caminho de maneira tão especial e ter me apresentado este grupo tão acolhedor! Mil obrigadas!”

7. “Foi tudo de bom em todo meu puerpério e quando tive que desmamar, putz sem palavras pra dizer o quanto foi incrível esse grupo de mães.”

8. “Ter uma rede de acolhimento, trocar vivências, ter empatia, aprender, desabafar, mudar de opinião...tudo isso aconteceu comigo, e foi bom e importante! Além de fazer amizades para o dia a dia. Tornou a maternidade mais leve e com menos culpa.”

9.“Sou só gratidão por esse grupo.
Fui acolhida num momento tão difícil e novo da minha vida.
Aprendi muito, fiz grandes amigas, dividi alegrias e dores.
Lendo as mensagens, me sinto muito feliz por ter conseguido acolher outras mulheres também. Por ter feito a diferença na vida de vcs.
Obrigada. Obrigada. Obrigada.”

10. “Sou muito feliz por poder participar dessa aldeia, faz diferença na minha vida e contribui para minha evolução como mãe e como pessoa.
Nela aprendo de tudo, divido meus momentos, me sinto apoiada e chamada para diversas reflexões
Sou grata de mais a cada uma!”


11. “Ahhh é uma rede linda de apoio, de mulheres q se entendem e se acolhem, lá desde o comecinho eu partilhei meu segundo puerpério , senti o apoio de cada uma e o acolhimento q eu precisei... foi um encontro especial com amigas de vida real e outras da virtual, que me ajudou no entender do quanto uma rede vai se transformando e acolhendo e se transformando e caminhando pra muitos lados, tornando parte da vida daquelas q partilham ali... <3

12. “A Aldeia é um lugar onde não me sinto a "diferentona", é onde existem pessoas que compartilham das mesmas opiniões e ideias que eu. Um grupo que tornou minha maternidade mais leve, onde só tem mulher FODA.”

13. “ A Aldeia pra mim é uma grande troca, troca de vivências, de experiências, de aflições, de angústias, de alegrias, de babações nas crias, de comemorações pelas conquistas - sejam elas grandes ou pequeninas-. É acolhimento, é colo e um aprendizado constante. Obrigada mulheres por fazerem da maternidade um pouco mais leve, e por me trazerem tantas reflexões. Eu acredito na Aldeia e sei que juntas somos mais fortes.”

14 .“Só posso agradecer!!!! Essas mulheres compartilharam e ainda compartilham comigo momentos bons e momentos de preocupação, cansaço! A melhor rede de apoio q eu poderia ter. Muitas amizades”

15. “A aldeia é o lugar q mtas vezes me acho, me escuta e me faz escutar, onde se troca experiências e aprendizados... onde encontro esperança em que estamos criando uma geração melhor...”

16. "Aldeia é onde seu coração se sente em casa."
Obrigada Alaya por eu ter encontrado, graças a vocês, minha "casa" nesta cidade.”

17. “A vida é feita de movimento e eu sou grata pelo seu impulso inicial de criar um grupo tão rico. Eu me lembro bem, lá no início, quando fui adicionada. Foi um misto de alívio com sensação de pertencimento. Já me vi muitas vezes como um peixe fora d’água e lá eu posso ser eu mesma e também me redescobrir. Foi lá que encontrei um lugar em São José dos Campos, um lugar além da família do meu marido ou das pessoas que conheci através dele. Vocês, mais do que nunca, foram a consequência do que ressoei pro mundo! Meu puerpério foi sabático e ali encontrei forças pra seguir no meu propósito com o parto domiciliar, com a amamentação, com a cama compartilhada e tudo o mais que uma maternidade consciente convida. É ali que eu me vejo nas recém mães e também ali que consigo olhar pro meu percurso e ter muito orgulho de mim. ❤️ Somos mais fortes juntas!”

18. “Aldeia pra mim foi um encontro com minha tribo. Obrigada a todas as que dedicaram seu tempo e afeto pra acolher as minhas dúvidas e medos. Fez muita diferença no meu puerpério, trouxe mais sanidade e leveza. Obrigada pelo convite, Obrigada pelas partilhas de cada dias mulheres lindas!”

19. "Aldeia foi um divisor de águas, existe um eu antes e outra depois. Sou muito grata pq em um momento difícil da minha vida fui acolhida por vcs.”

20. “Tao difícil expressar em palavras o quanto foi importante esse grupo quando vc criou Alaya estava no começo da humanização nao sabia nem o que era puerpério estava no segundo filho onde o primeiro foi cesária desnecessaria...vcs me ajudaram tanto me ouviram os gritos de uma mulher com dor...dor de um marido pedindo mais de uma mãe que havia de renascer que tantas descobertas estavam a flor da pele a todo vapor e não sabia lidar com tudo isso.
Sou grata a todas pelo acolhimento, sou grata pelo abraço que recebia a cada momento fragilizado e dolorido que estava vivendo.”

21. “A aldeia sempre me teve gosto de minha casinha. No começo eu me sentia "a convencional" no meio das diferentonas. E mesmo vindo da "oldschool" do " não morri por causa disso" sempre me senti acolhida e respeitada mesmo tendo divergências de opiniões. A Aldeia me cativou, me conquistou e me fez melhorar em diversos aspectos, principalmente como mãe.
Por isso acredito na sua missão de acolher mães. Se queremos ter.um mundo mais justo e suave devemos praticá-lo e darmos exemplo. Eu melhorei com a aldeia, ela me moldou pela acolhida que me teve. Por isso continuo nela. Luto por ela, acredito na aldeia como um espaço de troca e transformação através da acolhida. E mesmo sendo já uma índia velha das teta caída sem leite, me disponho a estar lá e acolher toda e qualquer mãe.
Pq nosso mantra é " isso também passará" e passa mesmo. Só fica o q foi impresso na alma da outra mulher.”

22. “Mto grata pela aldeia. Não tenho contato pessoalmente, porém é o lugar que me senti acolhida em relação às minhas angustias. É poder falar e compartilhar sem julgamentos. É saber que não estou sozinha lutando por um mundo melhor para minha filha. Preciso conseguir sair um pouco do virtual e conhecê-las melhor pessoalmente... Obrigada por td! Gratidão, amor, acolhimento e pertencimento definem um pouco esse grupo”.




23. “Pra mim foi aquele respiro inicial depois de um mergulho bem profundo. Aquele ar fresquinho que me ajudou a seguir em frente.”


24. “Na Aldeia eu pude perceber que não estou sozinha... Na maternagem, em SJC, nos questionamentos diários... Onde encontro apoio, conselhos, consolo, trocas... Muito grata por conhecer vcs!”

25. “Aprendi muito, me socorri sempre que precisei por uma febrinha ou uma dúvida, concordei ou discordei de assuntos que me eram interessantes ou não, admirei algumas mulheres que me inspiraram, me encontrei como mãe nesta tribo, nesta aldeia diferentona, que tb considero minha."

26. "A Aldeia me deu força e motivação para eu viver uma maternidade com meus propósitos, com valores baseados na minha família e escolha, e não em propagandas e idealizações. Com a aldeia me senti apoiada, acompanhada, acolhida nas questões do puerpério que não é tratada correntemente pela sociedade. Assim, eu e meus filhos pudemos sentir mais amor, presença e alegria diante das mudanças que 1 ou mais filhos provocam na vida. Todos estão se adaptando. Além disso tudo, eu aprendi tanto sobre a vida pq compartilhamos diversas coisas com confiança e segurança. Só tenho a agradecer a oportunidade de estar na Aldeia. É incrível como ela mexe em cada integrante e permite com que sejamos cada vez melhor , impulsionadas pelo amor. Viva a Aldeia!"

27. "No meu puerpério foi a minha salvação. Um lugar onde me entendiam, onde encontrei apoio!!! Já não me sentia tão só!!!"


2 comentários:

  1. Sou muito grata pela aldeia, estou nela desde o começo ainda grávida. Onde tive muitas ajudas. Nas noites longas muitas conversas, piquenique quando achava que não tinha como. E o wqume emociona sempre é ver essa ajuda em todos os sentidos mesmo as sem conhecer pessoalmente. E maravilhosa

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