segunda-feira, 25 de maio de 2015

Tudo (ou quase tudo) que você precisa entender sobre o que é parto humanizado!

Em 2013, no meu canal do Youtube, eu postei um vídeo explicando o que é o Parto Humanizado, pois muitas pessoas acham que isso é um tipo de parto, uma modalidade, um estilo, e não um conceito que envolve tantas coisas importantes para as mulheres! É muito estranho cada vez que vejo alguem dizendo que "quer um parto normal mas não esses humanizados" (me pergunto, "como assim, você quer ser maltratada e não ter voz de decisão?!") Então tive a ideia de gravar esse vídeo pra ajudar as pessoas a entenderem o que é isso que está tão em voga hoje em dia.


Uma jornalista viu meu vídeo e me contactou para que eu respondesse algumas perguntas que ela transformaria em matéria para um site voltado a saúde da mulher. O resultado ficou bom e está aqui http://www.dicasdemulher.com.br/parto-humanizado/


Procurei desenvolver mais as respostas e transformei o questionário nesse post. 


- O que é um parto humanizado? (princípios)

      O conceito central do parto humanizado gira em torno da restituição do protagonismo da mulher. Ela deve ter acesso a informações verdadeiras e de qualidade, ser respeitada em sua individualidade enquanto sujeito emocional e cultural, e não deve ser feito nada com o corpo dela sem seu completo consentimento. No parto humanizado o profissional responsável pelo atendimento é um guia do processo, ele trabalha em parceria com a mulher e respeita as escolhas e vontades dela dentro do possível, orientando as decisões e não simplesmente impondo protocolos (muitas vezes estes desatualizados). 
     Esse profissional compreende que o parto é um evento fisiológico e natural e que a maior parte das mulheres (cerca de 85%) conseguirão parir sem nenhuma ou quase nenhuma intervenção, é um profissional que acredita na força e capacidade da mulher de dar à luz ao seu próprio filho e que não a diminui de forma alguma nem a aliena do processo e das decisões, muito menos trata a gestação como uma doença. 
     No parto humanizado a mulher costuma ser atendida por uma equipe multiprofissional, e esses profissionais estão alinhados com o que há de mais recente e atualizado em termos de evidência científica no atendimento obstétrico. É esse tripé - respeito as evidências científicas, atendimento multidisciplinar e respeito ao protagonismo da mulher - que forma o conceito de parto humanizado

- Como costuma ser feito? ( como costuma ser também o momento de preparação para o parto humanizado? E o pós parto?)

     É importante haver um bom pré-natal, de modo que haja segurança nas tomadas de decisões e possa-se determinar a condução correta do atendimento. A mulher que busca um atendimento humanizado sabe da importância de um bom acompanhamento da gestação. Um profissional humanizado não costuma pedir exames desnecessários (o excesso de exames sem necessidade, que só aumentam a ansiedade das mulheres, tem sido uma prática comum no Brasil), mas sabe avaliar quando um caso necessita de maior investigação. Muitas mulheres sentem que estão se preparando para um parto humanizado ao fazer yoga ou alguma atividade do tipo (que é ótima pra gestação), porém isso não basta para garantir umparto normal respeitoso. A preparação principal está na busca de informação, de grupos de apoio, de doulas e da escolha de um profissional alinhado com as evidências. É um preparar a si mesma internamente, pois as portas só se abrem de dentro para fora.
     Não há uma regra sobre como fazer um parto humanizado, ele não é uma técnica ou posição específica, não tem relação com o bebê nascer de cócoras ou na água, em casa ou no hospital, com o auxilio do pai ou de uma amiga. Diz mais a respeito de como o atendimento é feito a mulher. O profissional humanizado entende que está ali para ajudar a mulher, mas que ela é a personagem principal dessa história. Cabe a ela escolher a melhor posição, e decidir quem quer de acompanhante. Um profissional humanizado interfere apenas quando necessário, de acordo com seu conhecimento mais atualizado, e sempre em dialogo com a mulher, nunca de forma autoritária.
    Em uma gestação saudável o parto humanizado pressupõe respeitar o tempo do bebê (esperar a mulher entrar em trabalho de parto sem dar limites arbitrários para isto), respeitar o tempo da mãe em trabalho de parto (monitorar o bem estar fetal pelo tempo que for necessário, sem estipular um limite de horas em que o bebê precisa nascer), não usar medicações para interferir no processo fisiológico se não forem estritamente necessárias, não realizar episiotomia, não empurrar a barriga da mulher, permitir que coma, que ande, que vocalize, que grite, que se expresse como ela achar melhor. Parto humanizado é compreender que a mulher sabe parir, e usar os conhecimentos médicos apenas para dar suporte quando necessário.

      O pós parto de quem teve um parto humanizado não é necessariamente diferente de outro pós parto, porém é mais comum que essas mulheres, por já estarem em um movimento questionador e buscando informações diferenciadas, estejam mais engajadas em amamentar e muitas vezes façam escolhas que fogem do senso comum no que diz respeito a criação dos bebês.

- Um parto humanizado pode ser feito tanto em casa quanto no hospital?


      O que determina a humanização de um parto é a condução deste, e não o local, portanto ele pode ocorrer tanto em casa quanto no hospital. Se houver respeito à autonomia da mulher, tratamento acolhedor e não violento, e atendimento atualizado por parte do profissional, pode-se dizer via de regra que o parto foi humanizado. 
     Um parto humanizado não precisa ser em casa, não precisa ser na banheira ou ter música e luz de velas, ele diz respeito principalmente à permitir que a mulher possa parir da melhor forma possível para ela e que nenhuma intervenção seja feita no corpo dela sem que haja real necessidade e sem que ela compreenda e aceite. No parto humanizado há confiança e dialogo entre a gestante e o profissional que a atende.

- Todo parto normal é humanizado?

     Infelizmente no Brasil a maioria dos partos normais é cercado de violência obstétrica, isto é, agressões verbais, e emocionais (caras feias para a mulher, repreensões ao comportamento dela, trata-la como se fosse um objeto, ignorar seus desejos, medos e dúvidas, isola-la, não permitir acompanhante) e também agressões físicas na forma de impedir que a mulher tenha liberdade de movimentação, obriga-la a ficar em uma posição que não é a mais confortável para ela, e executar no corpo dela ações invasivas e dolorosas sendo estas obsoletas e inadequadas em termos de melhores práticas de acordo com a evidência científica, como empurrar sua barriga ou cortar seu períneo ou impedir que se alimente e beba água. Um parto normal pode ser humanizado ou ser extremamente violento. O movimento pelo parto humanizado busca que as mulheres sejam respeitadas em um dos momentos mais importantes de suas vidas, não é o parto normal de qualquer jeito.

- Uma cesárea pode ser humanizada?

      Humanização do parto pressupõe protagonismo da mulher, pressupõe que ela tenha voz ativa nas ações e escolhas sobre si e seu corpo; e também pressupôe respeito à ciência. Assim, uma mulher pode, mesmo com acesso a todas as informações, escolher para si uma cesárea, porém uma cesárea feita sem necessidade médica real, com todos os riscos inerentes a essa ação, não pode ser considerada uma ação humanizada. Em uma cesárea a mulher é passiva nas ações, ela não toma parte nos acontecimentos, ela é submetida a procedimentos dos quais não tem controle. Uma cesárea pode ser respeitosa quando feita com indicação, pode ser necessária, pode ser amorosa e humana. 
     Há procedimentos que o profissional pode fazer para minimizar os danos da cesárea, como permitir que a mãe tenha contato imediato com o bebê, ou baixar as luzes na hora do nascimento, mas uma cesárea não é um parto humanizado. Uma cesárea feita fora do trabalho de parto, agendada, não é humanizada, é contra  a ciência e submete a mãe e o bebê a maiores riscos. É importante lembrar que humanização não tem relação com ser meramente carinhoso com a gestante, mas respeitar as indicações com base em uma medicina atualizada e científica. Quando necessária (cerca de 15% das vezes) e bem indicada ela pode ser respeitosa, e salvar uma vida.

- Quais são, em sua opinião, as vantagens de apostar no parto humanizado?


  • É levar para o resto da vida, em cada aniversário do seu filho/a a lembrança de um dia que foi especial, sem sofrimento, cercado de amor e respeito. 
  • É dar o melhor de si, e buscar o melhor para o seu bebê; 
  • É se submeter a menos riscos e ter mais benefícios. 
  • É ter mais chance de um nascimento saudável, um bebê respeitado e trazido ao mundo cercado de carinho.  
  • É não ter seu corpo submetido a dores desnecessárias e procedimentos invasivos, e a confiança de que ofereceu o melhor (e que garante mais saúde) para seu filho e para si mesma. 

     Não se trata apenas de uma recuperação melhor, mais sucesso na amamentação, menos chances de sofrer com depressão pós parto, menos riscos numa próxima gestação ou um bebê com melhor sistema imunológico, é muito mais que isso! Qual seria a vantagem de um parto NÃO humanizado? Nenhuma! 
    Todo parto deveria ser humanizado, não deveriamos ter que lidar com a violência nesse momento tão especial e delicado. Todo parto deveria ser atualizado, com profissionais que visam a saúde, e estão bem fundamentados em suas práticas. Todo parto deveria ser celebrado com amor, e respeito à autonomia e individualidade de cada mulher. 


- No parto humanizado, que profissionais participam/podem participar do processo?



      No caso de gestações de baixo risco (ou risco habitual) é possível que o parto seja acompanhado por enfermeiras obstetras ou obstetrizes. Esse é o modelo de assistência na Austrália e em vários países europeus. Quando a gestação se torna de risco ou o parto pede intervenções mais invasivas, é importante que haja um médico obstetra. Em partos naturais tanto obstetras quanto enfermeiras obstetras e obstetrizes estão capacitados para efetuar o atendimento. Algumas mulheres escolhem contratar também pediatras humanizados, pois muitas vezes as intervenções feitas no bebê logo após o nascimento também são invasivas e desnecessárias, e os pais querem proteger seus bebês disso, por isso procuram pediatras atualizados. Além disso a presença de uma doula auxilia muito na diminuição da dor e na satisfação da mulher com seu parto. 

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terça-feira, 5 de maio de 2015

Relato de Parto do Arthur, por Simone Ritter

Eu não conheço a Simone, ela é amiga da Nathaly (cujo primeiro parto eu fui a doula), e a gente se 'esbarrou' por aí. A Simone pariu de um parto super parido, bem na época que eu estava super absorta no puerpério (meu pós parto). Eu idealizei que minha filha nascesse no chuveiro de casa, e uma foto da Simone me tocou la no fundo da alma, pedi autorização pra ela e usei a foto nesse post http://alaya77.blogspot.com.br/2015/02/o-bebe-que-nao-nasceu-no-chuveiro.html

E ai ela sugeriu que eu colocasse o relato de parto dela aqui no blog também, então aí vai!




“Quando você está em contato com sua força interior todo o Universo conspira a seu favor.”
“Calma, tudo vai dar certo, seja como for, será o melhor.”
“Não vim até aqui para desistir agora.”
“Bebês sabem nascer, mulheres sabem parir.”
“Arthur escolherá a data dele, só dele.”

Frases que entoava para me empoderar... um mantra de força e fé em meus propósitos.
Há 10 anos atrás decidi que queria um parto humanizado, tomei minha decisão depois de ver tantas mulheres parindo felizes (trabalhava na maternidade do HU de Florianópolis/SC), depois de participar da I Conferência de Humanização do Parto e Nascimento, depois de conhecer pessoalmente Michel Odent e apresentar meu primeiro trabalho científico sobre a importância do aleitamento materno para o vínculo mãe-bebê. Era minha decisão! 

Daí que vim para Brasília, daí que engravidei (uma feliz surpresa, pois teria deficiência de hormônios para engravidar) e daí que veio o susto: parir humanizado em BSB era caro demais e quase uma miragem! Relutei, passei por vários obstetras, alguns tentaram me enganar, outros foram sinceros avisando que só fazem cesárea... desespero! Mas eu sabia o que eu queria! Deixei claro para toda família, não admitia uma cirurgia para ter meu filho a não ser que fosse estritamente necessária (uns 5 casos reais).

Fiz todo meu pré natal com atenção, cuidei da alimentação, pratiquei atividades físicas, porque eu sabia que daria certo, que no final iria dar certo... só não sabia para onde correr, pois tive tantos “nãos”, tantas decepções com profissionais... massss sabia que bebês nascem sozinhos!

Conheci Nathaly Suellen, uma pessoa irradiante que me iluminou e em meio ao meu desespero por um parto respeitoso ela me deu as direções e tudo começou a acontecer! É meu anjo na Terra, minha madrinha de parto. Nathy e sua família para sempre farão parte de nossa história.

Com umas 36 semanas e sem obstetra que me respeitasse, meu marido também cansado da peregrinação, aceitou o parto domiciliar planejado. Contratamos equipe, fotografa, doula... compramos materiais do parto, tudo certo. Estava tranquila, sabia que tudo iria dar certo! Trabalhei minha psique para esperar até 42 semanas, para um trabalho de parto longo, para possíveis complicações, para hemorragias, para não aguentar a dor, enfim, pensei no que poderia ser complicador e buscava tranquilidade para lidar com qualquer situação. Afinal, “bebês nascem sozinhos... tudo vai dar certo, seja como for.”

Quarta, 21/01, com 39 semanas tive consulta, tudo perfeito, me sentia ótima, nada de tampão, nem pródromos, ainda tinha aula de hidro à noite... td indicava que Arthur esperaria mais um pouco... Ledo engano!

Na mesma noite, 21/01 umas 23h quando dançava na sala de minha casa, ao som de “Bailando” de Enrique Iglesias (sim, adorava dançar com minha barriga lindona), senti uma primeira cólica... hummm talvez eram os pródromos... vinha e passava rápido... Liguei para a enfermeira obstetra, fui orientada a descansar, pois poderia ser início de trabalho de parto e como era primípara poderia ser muito longo.

Fui tentar dormir... mandei zap para todos (enfermeiras, doula, obstetra, fotógrafa), que o Arthur poderia estar a caminho... contrações irregulares...
Tentei dormir, acordei umas 2h da madrugada e a “dorzinha” já havia aumentado e estava realmente incomodando... coloquei compressa quente no pé da barriga e não aliviava... comecei a me sentir fragilizada... acordei marido... e dizia que algo estava errado... não podia sentir aquela dor logo de início, eu ainda teria muito trabalho pela frente... Arthur poderia demorar dias ainda para nascer e eu estava reclamando das “cólicas”.

Por volta de umas 4h da madruga senti que poderiam ser as contrações... mas era uma dor estranha, pouco intervalo, eu ainda queria ficar bonitona para o parto (sim, parto humanizado pode ser com batom na boca, e daí?), mas cadê o intervalo para isso? Estava perdida ... e pensei “Como essa mulherada aguenta mais de um dia com essas dores?” fiquei com vergonha de mim... não sabia o que estava acontecendo, mas fiquei com vergonha de ser fraca, de começar a pensar na cesárea... a dor aumentava... eu só sabia que algo estava errado comigo, com meu corpo... o tampão não tinha saído, a bolsa não tinha estourado e eu com aquelas dores... E eu pensava “não acredito que não sou mulher pra isso”. “Será que estou sentindo mais dor porque comi feijão e deu gases?” “Algo está errado, isso não está certo” Enfim... lembrei de vocalizar... fui para chuveiro para acalmar a dor... mas ela não acalmava.

Madrugada avançou e disse ao marido para avisar ao povo porque estava com muita dor e não sabia o que era... eu achava que estava começando o trabalho de parto, sentia vontade de fazer força, embora sabia que era cedo demais, eu iria ficar muito cansada, mas não havia o que fazer, não podia controlar... os puxos vinham... fazia força. 

5:40h saiu o tampão, lembrei de guardar para mostrar para a Nascentia quando o dia amanhecesse e as profissionais chegassem... em minutos senti vontade de ficar de quatro e 6:04h “ploc” estourou a bolsa e alagou meu quarto... líquido clarinho, perfeito, alívio, não havia nada de estranho! Pensei: “começou mesmo o trabalho de parto”... preciso aguentar porque vai longe isso...

Senti algo me pressionando... e pensei “meu Deus, o que tenho de errado? Será que são meus órgãos saindo para fora? Será que tenho alguma deficiência?” “porque sou tão fraca?” Tentei sentir o que era, não senti os cabelinhos de meu filho, e fiquei atordoada, não podia ser meu bebê, estava cedo demais e então, fui para chuveiro, chamei o marido e senti pegar fogo... era ele... o Círculo de Fogo... senti queimando de felicidade e medo... não sentia os cabelinhos da cabecinha do Arthur, pensei “minha nossa senhora me ajuda que acho que o Arthur está vindo de bundinha Jesus nos acude”! Marido olhou e era mesmo, nosso bebê, mas estava com a cabecinha apontando, ufa, não estava pélvico! Era meu novo ser, meu pequeno, meu reizinho, menos cabeludinho do que pensei ehhehe”

Por instinto, fiquei de cócoras e senti os puxos denovo; 6:28h nosso filho deslizou suave, gostoso, Vicente, o pai, recebeu nosso filho de meu interior direto em seus braços e falava eufórico, muito emocionado: “é nosso bebê, é nosso Arthur amorzinha... tu é uma guerreira, tu é uma guerreira, tu aguentou tudo sozinha...” E eu pensando que não aguentava a dor… mal sabia que já estava era parindo mesmo!

Papai deu minha cria em meus braços, Arthur chorou um choro gostoso, de amor, de vida, de respeito, de luz e nós choramos juntos! Vicente correu, tirou foto e avisou a equipe: venham conhecer, Arthur nasceu. Eu estava em transe, não acreditava que era verdade... era mais que felicidade, era perfeito, era sim a força do Universo conspirando a nosso favor. O parto não foi o que eu pensava, nem o que tinha programado, foi imensamente melhor!

Choveu no instante que Arthur nasceu, após muita seca em pleno janeiro de Brasília, choveu quando nosso bebê nasceu... e Nathaly ligou, sem ninguém a avisar ela perguntou se o Arthur havia nascido... ela sabia tudo, ela sentia tudo e ela também havia sonhado que ele nasceria assim, ao amanhecer do dia. Nosso anjo na Terra, nossa madrinha de parto!

Nasceu! Arthur nasceu! Eu nasci, Vicente nasceu! Todos nascemos juntos! Em casa, em nosso banheiro! Um perfeito bonding. No aconchego do nosso lar, com calma, paz, amor, sem correrias... nasceu da melhor forma possível, não quis esperar ninguém, queria que fosse só nós três. 

E assim foi nossa história! Arthur nasceu quando ele quis, nasceu rapidinho, antes de todos chegarem... foi um parto desassistido de profissionais e iluminado pelos instintos, embalado pela natureza, só ela, que foi perfeita. Não teve massagem para as dores, não teve instruções do que fazer, não teve piscina com água quente, não teve aromaterapia, não teve cromoterapia, não teve profissional de fotografia, nada disso. Marido Vicente foi excelente, foi transformador, me ajudava dizendo que eu era forte, que eu sempre enfrentava tudo, que iria dar certo, que logo a equipe chegaria, fez eu acreditar que daria certo. Meu marido foi doula, obstetra, parteiro, um homem inteiro, completo, perfeito. 

Cinco minutos de nascimento do Arthur e chegou a Nascentia! Fiquei com meu bebê agarradinho em mim, Arthur com nota máxima: Apgar 10, veio com 3.100kg, 48cm, uma lindeza! Batimentos excelentes, bebê corado, tudo perfeito! Amém! Lembro da Lara olhando apavorada e dizendo: que lindo! Eu lembro que sorria, só sorria, era tudo alegria! 

Resumindo, pari feliz! Sou primípara, meu trabalho de parto total durou das 23h de 21/01 (cólicas suaves) até 6:28h do dia seguinte (nascimento), ou seja, 7h e 30 minutos totais; não tenho mínima noção de que fase começou uma coisa e terminou outra e tb não contei as contrações direito... mal sabia o que estava acontecendo, como eu contaria isso direito? Tive laceração superficial de mucosa, não tive hemorragia. E quer saber? Mal vejo a hora de parir denovo! Agora sim sinto-me uma mulher completa e muito, muito cheia de bençãos!
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