Relato de Parto da Lara - filha da Aláya
Pensei em alguns títulos para este relato
como: “quando uma doula planeja um parto domiciliar e acaba numa cesárea” ou
“quando o parto real foi bem diferente do idealizado - dei azar na
estatística”. Apesar de tudo ter saído diferente do que eu esperava, esse não é
um relato de violência nem de tristeza.
Apesar de beber bastante água eu nunca fui de
levantar a noite para ir ao banheiro, sempre dormi a noite inteira. Inclusive
tinha medo de passar o trabalho de parto madrugada adentro pois nunca fui uma
pessoa que lida bem com noites em claro e privação de sono. Deitei e senti a
barriga endurecer algumas vezes antes de pegar no sono.
Naquela madrugada eu acordei as 2 da manhã com
vontade de ir ao banheiro, ao baixar a calcinha o sinal: sangue! Fiquei
feliz!!! Era só um filetinho de sangue, eu sabia o que significava, era a
dilatação começando. Era o primeiro sinal de que algo diferente acontecia. A
barriga continuava endurecendo.
“Oba acho que hoje vou parir!” Fiquei empolgada.
“Calma Alaya, não se empolgue muito, você precisa dormir” – meu eu doulístico
falava.. “É só inicio de fase latente, são apenas duas da manhã, vai descansar
enquanto você pode, pode demorar, pode nem ser hoje”.
Bem, difícil controlar a animação né. Fui para a
sala e peguei o celular só pra ver de curiosidade se havia algum intervalo
entre as contrações. Estavam de 6 em 6 minutos... estranhei, não estavam
fortes, eu esperava um intervalo maior, pelo menos de 10 minutos.. Contei umas
5 contrações, curtas, mas de 6 em 6. “ok, contrações atípicas mas é assim
mesmo, cada TP é um TP”. Enquanto isso conversava com um amigo que vi online e
ia me acalmando..
Hora de voltar a dormir.. deitei no sofá mesmo, acordei umas 3 horas depois, com frio. Voltei pra minha cama, era 5:30 da manhã... deitei, uma contração mais forte. “Nossa essa doeu um pouco, mas relaxa Alaya, o sol nem nasceu ainda, descansa” – minha doula falante não parava de tentar me orientar.
Mais uma contração... “ai essa foi mais forte”.
Acordei o Felipe “acho que você não vai pro trabalho hoje”. E então veio outra
contração e desisti de ficar na cama, tava desconfortável demais ficar deitada.
Estava escuro ainda, era 6 da manhã, o sol nascia
-- “ó que bonito, vou ver o dia raiar” – pensei. Decidi tomar um banho quente
para ver se as contrações paravam, só pra checar se não era alarme falso de
novo por desencargo de consciência. Continuaram a vir ritmadamente.

Estava cedo pra avisar alguém, eu nem estava
incomodada nem nada. Esperei, queria curtir o momento. Fiquei apoiada de
joelhos no sofá, reclinada sobre as almofadas, tranquila, feliz, extremamente
feliz que finalmente tinha chegado meu dia de parir. Fiquei quietinha ali
sentindo meu corpo, sentindo minha filha mexer, até umas 7:30 da manhã. Marido
levantou e me olhou pedindo confirmação de que era TP mesmo... era, era sim, “hoje
você não vai pro trabalho.”
Eu queria curtir as contrações até estarem bem dolorosas, até eu achar que está mais perto de nascer. Meu TP me dobrou, me quebrou ao meio, eu não era mais doula, eu era só a Alaya, animada e ansiosa pra parir. Eu não sabia de nada. Eu queria chamar a equipe só quando estivesse entrando na fase ativa, mais pro final, nada de chamar cedo demais. Mas eu não sabia de nada...
Eu não sentia medo, estava muito tranquila,
estava tão tranquila que comecei a lembrar dos partos que vi e que soube que
foram rápidos demais. Me lembrei de algumas amigas de Brasília, de duas
diferentes que a equipe não teve tempo de chegar, de outra que não deu bola
pras “cólicas” e quando foi ver já tava com 7cm. Lembrei de uma linda cujo
parto acompanhei que achou que tava “passando mal” (por que o marido estava
doente), e quando descobriu que era parto chegou ao hospital com 9cm. Lembrei
de uma mulher incrível que teve um parto que durou 3 horas apenas.
“A cabeça atrapalha” já dizia a parteira mexicana
Naoli Vinaver, minha cabeça atrapalhou. Parto de doula, que lindo né! Confiança
no corpo? Check! Sem medo da dor? Check! Confiança na equipe? Check! Acreditar
na fisiologia, no corpo se abrindo, na perfeição dos hormônios? Check! Eu tinha
tudo isso, me sentia bem com meu corpo, feliz com meu parto; mas a cabeça não
desligava, a doula falante dentro de mim não se calava. De que adianta saber
que tem que se entregar. “Não pense em macaco”. Pensar em não pensar é o mesmo
que pensar...
Então a cabeça dizia “Você tá sentindo essas
contrações desde as 11 da noite, as 2 da manhã percebeu um possível início de
dilatação, dormiu, relaxou, as contrações estão mais fortes, e próximas (ainda
que de curta duração), já fazem 8horas desde que você começou a sentir tudo,
alguma progressão pode ter tido, o TP parece estar avançando, melhor chamar a
equipe agora e se enganar do que ser um desses casos rápidos e chamar tarde
demais”
E eu me enganei... foi o intervalo curto, eu me
enganei... Telefonei pra Katia e pra Gisely (minhas parteiras queridas, as
enfermeiras obstetras). Eu estava tão descrente desse intervalo entre as
contrações que até menti pra elas, aumentei um minuto “olha, ta tudo tranquilo,
ta tudo bem, mas o intervalo entre elas está de 4 minutos, mas estão durando
pouco, achei melhor avisar, vai que né...” Telefonei pra Mirella (doula), pedi
pra avisar a fotógrafa (Cristiane, do "amor em foco"). “pode vir sem pressa”.
Fiquei muito feliz quando a campainha tocou e a
Mirella e a Cris chegaram, e logo chegaram as parteiras, Katia e Gisely. Eu ria
entre as contrações, estava um dia lindo. As quatro trouxeram mais alegria pro
apartamento. Fomos ao quarto me avaliar (eu queria um toque, meu primeiro em
toda a gestação) e verificaram que eu estava com o colo quase totalmente
apagado e 2cm de dilatação.


Acho que fiz isso relativamente bem durante toda a manhã. Eu estava sim um pouco assustada com a dor, pois não era a dor que eu esperava pra um início de fase latente, tantas pessoas eu tinha visto em situações bem diferentes, batendo papo e levando a vida normal nesse período, e ali estava eu, já tendo que lidar com contrações.
Quando voltei para a sala a Mirella tinha ascendido
minhas velas, eu adorei que ela lembrou disso, eu queria muito o fogo delas
aceso. Minha mãe me trouxe o açaí que eu tinha comprado especialmente pra tomar
no parto, um mimo alimentar. Eu caminhava pela casa, me pendurava no rebozo, me
apoiava na bola. A Mirella me trouxe duas bolsas de sementes quentes para os
ombros e para as costas que aliviavam durante as contrações e me ajudavam a
relaxar.
Decidi que pra ajudar a me desligar e mergulhar
no processo, eu ia pro chuveiro. Hora de relaxar, ficar sozinha. Não sei quanto tempo se passou, são memórias
nebulosas. Só lembro da felicidade que eu sentia em cada contração no chuveiro,
lembro do Felipe indo ver se eu estava bem, e do amor transbordante que eu
sentia por ele ali comigo. Eu conversava com a Lara e dizia que queria pegá-la
nos meus braços.
Quando saí do banho vi que apenas a Mirella
estava ali comigo. As outras mulheres tinham saído para almoçar e eu achei bom,
não queria que elas se sentissem “presas” na minha casa, agora que eu sabia
minha dilatação, sentia que talvez fosse demorar mais que eu esperava.
Logo elas voltaram. A Cris trouxe chocolate, adorei!
Minha mãe me oferecia mais açaí. As cortinas da sala estavam fechadas, o
ambiente me envolvia aconchegantemente. Mais uma avaliação, quatro horas depois da primeira: 4cm - “ok, ta lento mas está indo, um passo depois do
outro” – é o que eu pensava. A dor aumentava, a intensidade aumentava, nesse
momento eu já não fazia mais ideia de tempo, duração, horas. Eu sentia que eu
estava indo bem, que tava tudo bem. Ouvi a Katia ao telefone e logo ela veio me
contar que ia arrumar uma banheira para eu poder ficar na água.
Começou a doer bastante e eu já não achava mais
posição confortável. De repente após uma contração abri os olhos e vi a Rosana
(obstetra) na minha sala. Foi uma agradável surpresa. Ela estava com um sorriso
convidativo, e trazia sua banheira consigo. Ia me emprestar, a banheira nunca
antes usada. “Que legal vou estrear sua banheira!” – eu disse. Gratidão é tudo
que eu sentia.
Não sei como conseguiram mas eu mal pisquei e a
banheira já tava ali cheia. Lembro do Felipe ajudando com tudo, bomba de
encher, mangueira. Não lembro o tempo passando até a banheira estar cheia a
ponto de eu poder entrar, mas quando entrei foi amor, amor líquido! Eu derreti entrando naquela água quente, ahhh
alívio!! Devo ter falado um monte de vezes para a Katia o quão eu fui idiota de
achar que eu não ia querer banheira. Sim, falei durante nossos encontros que
não precisava de banheira, que eu ia parir no chuveiro mesmo, ou em qualquer
canto; era inverno, ia estar frio, eu não ia querer entrar na água, banheira da
muito trabalho... Obrigada Katia por não me ouvir! Obrigada!
No calor da água o tempo se diluiu, uma
contração, outra, outra.. deitada, relaxada, de joelhos, apoiada na borda...
gemidos e contrações, o Felipe trazendo baldes de água quente para repor
impedindo que a banheira esfriasse, a Gisely jogando a água da mangueira nas
minhas costas, a Mirella com seu olhar atento e palavras de apoio, a Katia com
sua presença, minha mãe me trazendo minha dose de Florais de Bach. Eu não as
via, e as via ao mesmo tempo. Suas presenças ali não me incomodavam, me sentia
acolhida, sentia amor.

As contrações doíam, sim doíam cada vez mais,
pareciam vir mais fortes, pareciam durar mais. Eu me nutria de esperança. Eu ia
parir, ia conhecer minha filha! Eu já fechava os olhos entre as contrações,
respirava fundo, gemia, esquecia do mundo. Elas vinham me atropelando, com
força, com dor, me dizendo “você não tem controle nenhum aqui, ela vem e vai na
quando quiser, na intensidade que ela quiser, você só precisa passar por ela,
uma depois da outra”. E eu passava, uma depois da outra. Não sei quantas horas
fiquei na banheira, me disseram que foram muitas!
Um dos melhores momentos pra mim foi quando o
Felipe veio ficar ao meu lado, ele me dizia palavras de incentivo. Ligaram
minhas músicas, minha setlist de parto. Começou a tocar “paciência” do Lenine, parecia
que era pra mim:
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara”
Eu cantava e olhava para o Felipe que me fazia
carinho no rosto, senti minhas lagrimas escorrerem, lágrimas boas, era
felicidade, emotividade do momento. “A vida não para, ela pulsa dentro de mim,
o tempo pede pressa mas eu vou no meu ritmo. Tudo isso é tão raro, tão precioso,
só preciso ter paciência”. E o tempo foi
passando...
Eu já estava a muito tempo na banheira e aos
pouos o ritmo parecia ter diminuído. A Katia se abaixou e me perguntou se eu
não queria sair um pouco, eu topei pois eu realmente estava pensando em sair. Fizemos
outro exame de toque, a meu pedido, já fazia umas 7 horas desde o último, acho
que devia ser por volta das 19h.
4 centímetros... quatro... colo igual, não tinha
terminado de apagar, estava igual desde as 8 da manhã. Foi duro, dureza. Doeu
em todas nós. Claro que eu me abalei, eu não queria me deixar abalar. “Vou para
o chuveiro, fazer essas contrações funcionarem”. E fui. E no chuveiro eu
rebolei, eu gemi, eu xinguei, eu reclamei das contrações, eu me agachava e
ficava de cócoras quando vinha uma, eu me apoiava no banquinho plástico que
coloquei no box, e me agachava...
O Felipe vinha me dar força pra continuar. Depois
vieram a Mirella e a Katia. Eu chorei, chorei por que ali no chuveiro estava
caindo a ficha que talvez as coisas fossem diferentes do que eu esperava.
Chorei por que em 12h eu havia dilatado apenas 2cm. Chorei a fase latente
prolongada, o medo de ficar cansada antes de chegar ao fim. Comecei a ter medo,
e não é bom ter medo no parto... Estava doendo e estava demorando, quanto mais
eu ia aguentar? Chorei por que queria parir minha filha ali, no chuveiro,
queria sentir ela escorregando dentre minhas pernas, empurrando para baixo,
queria pegar seu corpo molhado e cheio de vernix, queria cheira-la e segurá-la
nos braços. Eu a desejava ardentemente, eu queria parir ali, e via meu parto se
afastando de mim...
Porque essa lentidão toda? Porque não
evolui? Está doendo tanto, era pra estar mais adiantado... não entendo... "A dilatação por si só não quer dizer muita coisa, o importante é as contrações estarem 'boas', eficazes" - eu repetia para mim mesma. Eu tinha contrações ritmadas, fortes, muito fortes, longas... mas nada... me sentia obstruída. E ai
comecei a lembrar dos partos que vi, dessa vez não dos rápidos, dos tsunâmicos;
lembrei dos partos arrastados, dos partos distócicos, dos partos que pediram
intervenção, ocitocina... Eu chorei e falei para a Katia “não quero ir para o
hospital”. Eu não estava pronta pra entregar as pontas pra transferência, ainda
não. Eu ia rebolar e caminhar e fazer esse colo do útero reagir.
Elas entenderam que eu não estava pronta, eu
precisava ter meu tempo. Sugeriram que eu descansasse, tentasse deitar, fazer o
corpo recuperar as forças. Eu deitei. Contrações deitadas não são boas, nada boas,
como alguém consegue parir deitada? Vontade de morrer a cada contração deitada
na cama, muito pior nessa posição! Como alguém consegue parir em hospital? Sem
essa liberdade toda que eu estava tendo?! Me alimentaram, chocolate, sorvete,
mel, água... E ai eu vomitei tudo. Minha mãe prendeu meu cabelo de um jeito
engraçado, pro alto, eu levantei pra ir ao banheiro lavar a boca e tirar o
gosto de vômito. Eu ria da minha situação, aquele cabelo preso ridículo, minha
cara de cansada, vomitada. Felipe me ajudou, e na confusão que eu tava peguei a
primeira escova de dentes que tinha na minha frente, era a dele! “Ahhh não
acredito você usou minha escova pra limpar o vomito!” foi o que eu ouvi! Rsrs.
Ops!
Voltei para a cama, ainda não tinha conseguido
descansar. Minha doula, a Mirella, ficou lá comigo. As bolsas quentes de
semente me ajudavam, e as mãos mágicas da Mirella conseguiram me acalmar.
Cochilei, entre uma contração e outra eu apaguei. Uma e outra contração, mas
consegui descansar um pouco. Acordei com uma bem forte, senti calor, queimação,
achei que era a bolsa quente de sementes, pedi que tirasse, mas não era, estava
fria já. Era a contração me acordando e queimando por dentro.
Quando me levantei saiu um enorme tampão, veio
com tudo, cheio de sangue. O descanso tinha funcionado, acordei com as
contrações ainda mais fortes, e dessa vez voltando a ter um ritmo. Nos enchemos
de esperança com o tampão – “quem sabe alguma coisa mudou aqui dentro, quem
sabe agora vai, agora destrava, agora afina o colo, agora dilata”. Ninguém
precisava falar, todas pensavam isso, eu acho.
Eu estava cansada, e as contrações vinham sem dó,
muito fortes, doíam muito, muito mais que eu esperava. Mas o que mais me
atrapalhava era a cabeça, era pensar que doía assim com aquela dilatação, que
eu mal estava na metade do caminho, que ainda tinha 6cm pra dilatar, e não sei
mais quantas horas de trabalho de parto. Eu pensava que seria fácil aguentar se
eu soubesse que faltava pouco, se eu soubesse que estava “fazendo efeito”. O
problema não era a dor física, era a sensação de que estava sendo uma dor
ineficaz.
A Mirella tentava me ajudar com massagens e
pressão no quadril, as vezes era bom, mas na maior parte do tempo eu não quis
ser tocada, era como se o toque me tirasse o foco. As contrações me
atropelavam, com certeza já duravam mais que 1min. Eu testava formas de lidar
com elas, vocalizando mais ou menos, gritando ou não... Eu gritei bastante, mas
gritar não me ajudava (como parecia ajudar outras pessoas) e parecia me deixar sem forças. Resolvi tentar
encarar elas mais em silêncio, a Mirella cantou alguma coisa muito bonita, e eu
dei um abraço bom nela, eu tentava “respirar” entre cada contração, cada uma
que vinha, vinha pra me dizer que eu não sabia de nada. Parecia que meu quadril
ia arrebentar. Eu visualizava a contração empurrando a Lara para baixo, mas a
sensação que eu tinha é que a onda de contração batia e voltava pra cima, como
se a dor irradiasse sem saber pra onde ir. “Onde estão minhas dopaminas?” – as
vezes eu pensava comigo mesma.

Senti raiva, raiva da dor, da situação, da falta
de progresso. Me perguntava se havia algo de errado com meu corpo, por que não
estava funcionando? Eu aguentaria o que fosse para a Lara nascer bem,eu não queria ir para o hospital. Mas agora o coração dela se alterava, tudo mudou na minha cabeça. A dor vinha e atropelava, e agora passou a parecer sem
propósito, isso que foi o pior. Eu sentia que vinha uma atrás da outra, me quebrou: “não aguento
mais”.

“Vamos para o Hospital”. Eu não tinha preparado
mala de maternidade nenhuma! Eu sabia que existia a possibilidade de
transferência mas nunca acreditei que fosse acontecer comigo, tive uma gestação
tão saudável, me sentia tão pronta para parir. Graças a Cris e à Mirella eu e
a Lara tivemos o que vestir no hospital, elas improvisaram duas malas com
roupas para nós! Obrigada meninas!
As enfermeiras, a Mirella e a Rosana tentavam me
tranquilizar, falavam que não era decreto de cesárea, que possivelmente
poderíamos continuar tentando o parto normal no hospital, mas com uma analgesia
para ver se melhorava a resposta do colo do útero – quem sabe mudava meu quadro
e ajudava na dilatação. O Felipe estava preocupado comigo, em como eu ia
aceitar tudo isso; bem, o que eu poderia fazer, precisava aceitar... Estava tão
cansada e com tanta dor, não pensava em mais nada, só sentia medo do trajeto no
carro, eu sabia que ia doer mais, muito mais, 20min no carro, tendo contrações.
Oh céus!!
Minha mãe foi atrás comigo, e como eu previ, as
contrações no carro foram as piores possíveis, eu me sentia partindo ao meio de
tanta dor, a sensação era de morte. A Rosana foi antes para já ir adiantando o anestesista e a entrada
no hospital (Antonio Rocha – São José dos Campos). Em certo momento lembrei da
fala da Robbie Davies Floyd no documentário “O Renascimento do Parto” dizendo
que as enfermeiras são ótimas para assistir o parto fisiológico, e o médico
obstetra surge como o “herói do hospital” (isto é, quando a intervenção mais
drástica se faz necessária).
Graças à Rosana minha entrada no hospital foi
rápida. Logo que chegamos vi meus sogros na porta nos esperando. Meu sogro me deu o braço enquanto eu subia a rampa. Sentia seus amorosos olhares preocupados. Eu estava um
caco, e com medo de ter uma contração “daquelas” ali no meio de todo mundo. Não
tive que preencher ficha nem deixar documento, deixei o Felipe resolvendo tudo
e a enfermeira Gisely entrou comigo no hospital para além da recepção e me deu
apoio.
Eu tinha vontade de chorar, mas não chorei. A dor
agora me parecia inútil, queria poder desligá-la. Na minha cabeça já havia dado
tudo errado, não era justo continuar com essa dor, ela não estava me levando
mais para lugar algum, não havia compensação emocional, nem prêmio no final que
me desse forças, era apenas dor, e ai a dor virou sofrimento.
Eu tinha que
fazer um cardiotoco (exame que avalia o coração e a mobilidade fetal), me
colocaram naquelas camisolas ridículas abertas atrás e me levaram para a sala
de exame, quando entrei vi cerca de outras 5 mulheres grávidas ali sentadas,
nenhuma em trabalho de parto, uma estava tomando remedinho pra cólica, outra
era alarme falso, todas tranquilas. “Oh não!! Elas vão me ver assim!”.
No meio
da minha dor eu estava preocupada com elas, não queria assustá-las com minhas
contrações, com minha dor e meus gritos e desespero, não queria desencoraja-las
de parir. Eu ainda acreditava no parto, eu sabia que eu estava vivendo a excessão, que poderia ser muito melhor. Queria explicar que meu trabalho de parto estava atípico, que
geralmente não é tão ruim assim. Claro, não tinha como explicar, eu só olhei
pra elas e falei “Não se assustem”, devem ter me achado maluca... Sentei na cadeira de cardiotoco e ali
fiquei um bom tempo, a Lara mexia pouco, ou eu já não sabia o que era ela
mexendo. Isso me incomodou. Eu falei pra Gisely que estava preocupada com a
Lara, com o coração dela, com a presença do mecônio; eu estava entrando naquele
modo “apenas tirem minha filha de dentro de mim por que agora é a única coisa
que me importa”.
Meu PD (parto domiciliar) já era, não tinha
volta. A Rosana apareceu e eu choraminguei pra ela “me tira dessa cadeira não
aguento mais”. Eu estava já sonhando com a analgesia. As contrações vinham e eu
tentava aguentar calada pra não assustar ninguém. A Rosana avaliou o cardiotoco
e falou que a Lara estava fazendo DIP II. Isso quer dizer que ela estava com
uma desaceleração tardia (resposta do coração fetal
à hipóxia, que resulta na economia de consumo de oxigênio pelo miocárdio). Isso
é um mau sinal, sinal de que as coisas não estavam bem pra ela. Rosana me
tranquilizou, falou que a ideia dela era tentarmos uma analgesia para parto
normal, mas que com aquele quadro ela já não achava mais uma boa ideia e teria
que ser cesárea. A indicação da cesárea não foi pelo tempo de trabalho de parto nem pela condição da dilatação, poderíamos esperar mais, tentar mais, usar recursos... mas o coração da Lara não estava respondendo bem, a indicação da cesárea foi o batimento cardíaco dela.
Me lembrei da minha ultima consulta
de pré-natal com a Rosana, em que ela me desejou um bom parto e falou que eu
não ia precisar dela mesmo, que eu ia ter um parto lindo em casa. Ah como eu
queria ter tido um parto lindo! Mas que bom que eu tinha uma ótima obstetra, de
quem acabei precisando. Olha só como é a vida...
Uma enfermeira me levou na cadeira
de rodas para o centro obstétrico, eu sentia medo prevendo a próxima contração.
Ser empurrada na cadeira de rodas tendo uma contração definitivamente só não
foi pior do que ter contração deitada na maca que me obrigaram deitar enquanto
me empurravam pelos corredores batendo portas. Eu pedia para pararem enquanto a
contração não passava, mas não paravam. Eu lembrava das cenas das pessoas indo
para suas cesáreas com suas roupas de hospital e toucas na cabeça, chorando
suas cesáreas indesejadas. Eu não chorava, por que será que não sinto vontade
de chorar? – pensava. Estava cansada demais, concentrada em sobreviver à dor da
próxima contração, resignada com a cesárea.
Durante todo aquele dia esse foi o
único momento que me senti agredida de certa forma, as enfermeiras do hospital
me empurrando sem dó, sem acolhimento, apenas cumprindo seu trabalho. Mais um
corpo indo ser cortado, eu era só mais uma. Chegando ao centro cirúrgico
pediram para eu pular da maca pra mesa de cirurgia. Veio uma contração, em meio
a dor eu choramingava “por favor esperem, deixa passar a contração, espera
passar”. Elas pareciam tão impacientes...
Então veio o anestesista, o liquido gelado nas costas, a picada, a dormência. Alívio, adeus dor, olá cirurgia, a primeira cirurgia da minha vida, ironia... Eu estava com medo, mas nesse momento você só segue o fluxo dos acontecimentos. Não há mais o que fazer, eu não era mais protagonista, era expectadora do nascimento da minha filha, deitada, amarrada na mesa cirúrgica, sabendo que teria sete camadas do meu ventre cortadas, que não pegaria minha filha no colo, que não teria aquela ocitocina toda; o parto no chuveiro, em casa, ficou tão distante... só me restava aguardar terminarem com tudo.
Então veio o anestesista, o liquido gelado nas costas, a picada, a dormência. Alívio, adeus dor, olá cirurgia, a primeira cirurgia da minha vida, ironia... Eu estava com medo, mas nesse momento você só segue o fluxo dos acontecimentos. Não há mais o que fazer, eu não era mais protagonista, era expectadora do nascimento da minha filha, deitada, amarrada na mesa cirúrgica, sabendo que teria sete camadas do meu ventre cortadas, que não pegaria minha filha no colo, que não teria aquela ocitocina toda; o parto no chuveiro, em casa, ficou tão distante... só me restava aguardar terminarem com tudo.
A Rosana apareceu, a presença dela
me tranquilizava. Ela falou que ia tentar colocar a Lara no meu colo assim que
nascesse. O Felipe apareceu, UFA! Eu queria ele ali comigo, ele era meu porto
seguro. Achei divertido ver ele todo paramentado, roupa, touca, máscara. Ele
exibia preocupação comigo, e essa preocupação eu traduzia em amor. Ele estava
do meu lado, isso que me importava.


Ele ficou lá com ela enquanto terminavam de me costurar. Ela ficou segurando o dedo dele, e tentou mamar o cano do oxigêno, tadinha, era pra estar mamando em mim. Lara nasceu à meia noite e um (00:01) do dia 02/07/14, e pesou 3,575g. Eu estava com 40 semanas pela contagem do primeiro ultrassom, e com 41+3 dias pela data da última menstrução.
A Lara havia parado de chorar,
estava no berço aquecido na porta ao lado. Eu estava com um misto de emoções,
queria muito vê-la, pegar nela, conhecer seu rostinho, ainda não tinha visto
nada. Ao mesmo tempo estava tão exausta, tão cansada, tão acabada física e
emocionalmente, e meu corpo tremia tanto, que cheguei a pensar ser um alívio
não ter que segurá-la naquele momento. Eu só queria apagar, desligar, dormir.
Sei que muito dessas sensações tem relação com a medicação que nos é aplicada
na anestesia, mas é algo estranho de se sentir após desejar um parto domiciliar
e terminar dessa forma.
Assim que foi possível a Rosana
conseguiu ir lá busca-la e fazer nosso primeiro contato pele a pele, ainda na
primeira hora de vida dela! Foi muito gentil da Rosana lembrar como isso era
importante pra mim, para um nascimento humanizado. Ela desenrolou a Lara,
terminou de tirar os campos cirúrgico de mim, e a colocou peladinha no meu
peito. Foi muito bom! São pequenos gestos que fazem toda diferença e ajudam a preservar a memória positiva do dia do nascimento.
Como o pediatra estava com pressa
em leva-la ao nascer, não foi possível esperar para cortar o cordão umbilical,
mas a Rosana fez uma ordenha do cordão, levando mais sangue para a Lara, foi
algo positivo! Fui respeitada ao pedir que não aplicassem o colírio nela, no
dia seguinte inclusive uma enfermeira do hospital me elogiou pela consciência
de recusar o colírio pois era desnecessário.
Não consegui amamentar ela, a
anestesia me impedia de levantar, ela não conseguia pegar o seio comigo
completamente deitada, foi frustrante. Estávamos cansadas e dormimos e ela só mamou
de manhã (o que deixou o pai preocupado), uma pena... As pessoas no hospital
foram muito gentis conosco, eles incentivam muito o aleitamento materno.
Algumas enfermeiras foram de grande ajuda para mim (só me recordo do nome da Rose) durante os desafios dos
primeiros dias de amamentação, só tenho elogios a elas!

Hoje, mais do que nunca, não
entendo como alguém escolhe passar sem necessidade por uma cesárea. Não entendo
como alguém pode achar que sua cesárea foi “ótima”. Necessária, sim, talvez; mas
ótima?! Eu odiei tudo aquilo, a passividade da situação, a frieza do ambiente.
A recuperação foi “boa” (o que quer dizer que me recuperei sem complicações),
mas foi horrorosa. Por dias me senti atropelada. É horrível ter que ficar
tomando remédios para dor, andar curvada, sentir receio dos pontos, o ventre
cortado... Tudo doía, sentar, levantar, caminhar, deitar de lado (não vou nem
falar de tossir, rir e espirrar, pois isso sim dói!) Não acredito em quem diz
que não sentiu dor no pós cirúrgico! Afinal, é uma cirurgia e não um raladinho
no joelho! Com dor e desconforto tomei meu primeiro banho cerca de 16 horas
após a cesárea. Comer e executar funções básicas, tudo era difícil e
requisitava a ajuda dos outros. É difícil ficar bem para cuidar de um recém
nascido após uma cesárea. Que bom que ela existe, mas como alguém escolhe
passar por isso?! Eu tive um trabalho de parto atípico, longo e extremamente
doloroso (não precisa ser necessariamente assim), e mesmo assim, preferia outro
trabalho de parto a outra cesárea!


Decidi não cultivar sentimentos de
culpa ou fracasso. Quando uma mulher consegue parir as pessoas a congratulam
com adjetivos positivos sobre como ela é forte, empoderada, parideira... Teria
sido eu fraca? Teria meu corpo falhado? Eu tinha algum defeito que me impediu
de parir? Tinha alguma trava emocional que não soube identificar? Toda minha
experiência era invalida porque terminei em cesárea? Não! Eu não ia entrar
nessa armadilha emocional. Eu sabia que todos estariam lamentando a minha
cesárea; nós ficamos tristes mesmo pelas cesáreas alheias, ainda mais quando é
de uma amiga que queria muito parir. Mas eu só queria agradecer, agradecer a
experiência vivida, o aprendizado, a existência da cirurgia quando necessária. Além de qualquer lamentação, queria comemorar a chegada da minha filha!
Sim, eu acredito que o aspecto
emocional é extremamente relevante num trabalho de parto (e interfere na produção hormonal). Mas o parto é também
um evento biológico, físico, social, espiritual... Assim como a mulher não é uma máquina que dilata e expele bebês, também considero um erro atribuir tudo e qualquer coisa a algum fator emocional, é também um reducionismo. Vejo isso como mais uma forma de culpabilizar a mulher (o que é diferente de responsabilizar). Claro que o emocional interfere, mas todos os dias mulheres empoderadas ou não dão à luz a seus bebês nas mais diversas situações. Mulheres com medo e em situações extremamente desfavoráveis, tem seus filhos de parto normal, pois o parto é muito mais forte, e o corpo trabalha para parir. É claro que hoje, olhando em
retrospectiva, eu faria algumas coisas de forma diferente durante meu trabalho
de parto, mas não acredito em apontar fatores culpados, não acho que fatores
isolados teriam o poder de mudar meu desfecho. Aconteceu o que aconteceu. Eu aceito.
Vivi um pouco dos dois mundos. Não
pari, mas tive um quase parto domiciliar. Não queria uma cesárea, mas hoje sei
o que é passar por uma. Talvez alguns gostariam de me apontar dedos e dizer “tá
vendo, fica defendendo parto em casa, e acabou precisando de uma cesárea”. Mas
o que aconteceu comigo só reforça a segurança do parto domiciliar. Ter uma
equipe competente te avaliando e assistindo faz toda a diferença, ter um bom
plano B com médico de backup é essencial! Desde começarem a perceber a
taquicardia na Lara, até o nascimento dela, três horas se passaram. Deu tempo
de avaliar, pensar, dirigir até o hospital, internar... A maioria dos
“problemas” não acontecem de uma hora pra outra, e uma boa equipe pode avaliar
e traçar um plano de ação, seja intervir em casa, seja a necessidade de
transferir. Parto domiciliar bem assistido é seguro, e a meu ver minha
experiência demonstra isso. Só tenho gratidão por todos que estiveram comigo, tive uma equipe maravilhosa (enfermeiras obstetras, médica obstetra e doula), e o apoio de quem eu amava!
Equipe:
Cristiane Pereira, fotógrafa - Amor em Foco http://amoremfocofotografia.com.br/nascimento-lara-parto-alaya/
Rosana Fontes, obstetra - https://www.facebook.com/partoemequilibrio?fref=ts
Katia Zeny, enfermeira obstetra
Gisely Rezende, enfermeira obstetra
Mirella Bagdadi, doula https://www.facebook.com/movimentodeser
Roda BEBEDUBEM, e a doula Flavia Penido http://vilamamifera.com/bebedubem/
Todo esse relato me faz ter mais segurança e consciência que nem tudo que queremos acontecerá, mas reforça a minha vontade em ter o parto em casa. Parabéns por sua resignação e i mais lindo disso é o elo entro a mãe e o ser gerado em seus braços. Parabéns! :)
ResponderExcluirNo momento da chegada do bebe, o mais importante é sentir o amor ao nosso redor, pois o carinho das pessoas atraem pensamentos positivos que transformam as dificuldades em soluções e o conhecimento dá a certeza do que será o melhor para este acontecimento tão importante na nossa vida.
ResponderExcluirBelíssimo relato descrito e que dá as futuras mamães, noção da realidade e das providencias a serem tomadas antes do parto e a necessidade de estarem preparadas pois cada parto é diferente e encantador após toda a tensão e emoção da chegada. Parabéns Alaya e que sejas feliz com sua pequena Lara e companheiro!
obrigada, me emocionei com seu recado.
ExcluirVc traduziu muito bem em palavras os meus sentimentos por ter passado por uma cesariana. No meu caso, até hoje nem tenho a certeza de que ela era realmente necessária, uma vez que eu tive pré-eclampsia. Se tivesse o conhecimento que tenho hoje, não teria aceitado. Parabéns pela sua coragem. Ass: Joany Fábia
ExcluirPuxa, quase igual à nossa experiência (https://www.facebook.com/adelyany.santos/posts/10203984995484263). Não tenho palavras para te oferecer, apenas meu reconhecimento… Desejo muita saúde e felicidade para vocês! Um abraço. Adelyany.
ResponderExcluirSerá que somos mesmo a minoria? Meu parto também foi assim. Acho que muitas passam por isso mas não há coragem para relatar.
ResponderExcluirQuando lembro das dores sinto calafrios, lembro de sentir como se meu quadril estivesse em frangalhos. As massagens na lombar eram boas, mas depois não suportava que tocassem ali.
Achei a cesárea fichinha, em comparação. Eu levantava, fazia tudo, fiz até faxina quando cheguei em casa. Nenhuma dor da recuperação me atingiu, bastava eu lembrar da dor das contrações... fui até quase a dilatação total...
Lain, a Alaya é doula, já acompanhou vários partos. E eu estou estudando para ser, já acompanhei (como observadora) alguns e também ouvi bastante relatos nas rodas de gestantes e puérperas. Além disso, tem os estudos, as pesquisas que contam com uma boa amostragem. Tenho convicção de que o que aconteceu foi um evento que ocorre com uma minoria, se a assistência for a melhor possível. Não falo de uma super minoria tipo 1%, mas algo entre 5 e 9%. O que já não é desprezível, por isso a sensação de que acontece com muita gente (e se formos pensar numa população grande, é muita gente mesmo).
ExcluirVc me fez reviver o nascimento de minha filha Sara hoje com 33 anos, eu ousada há 33 anos querendo um parto de cócoras e tendo que fazer uma cesárea de urgência.
ResponderExcluirParabéns minha linda pela força que tu teve... Glórias a Deus pela vida da sua bebe.... Cesariana é uma benção e vç foi um caso de necessidade... Muita saúde pra vç e sua linda Lara ♥
ResponderExcluirPosso dar um crtl c ctrl v no teu relato? Infelizmente nao estas sozinha nessa saga..mas tambem sou muito grata com o desfecho da minha historia..(Pd plsnejadissimo e super desejado q terminou com descolamento abrupto de placenta com direito a uti para ambas) amei o que disseste sobre nao culpabilizar o emocional, pois eh dificil se perdoar, e digerir a frustacao eh doido, parabens! Fizeste o melhor, es um exemplo e tua historia eh inspiradora. Abss cris copetti
ResponderExcluirEra assim que as pessoas deviam vir por meio cirúrgico: em caso de necessidade. Esse lance de marcar data e furada! Obrigada por compartilhar a sua experiência.
ResponderExcluirMe emocionei! Mais ainda com a sua compaixão com as gestantes com alarme falso , sua preocupação em não apavora las! Como comentaram acima 9% de uma população e muita gente, mas 91% e muiiiito mais! E eu fui os 91%! Mas as pessoas não pensan nisso e eu ouvi histórias de terror de tds quando estava grávida!! A maioria de violência obstétrica o que me motivou a optar pelo domiciliar planejado. Invejei inclusive sua GO ! O meu disse que era loucura e relatou td que podia dar errado, até que eu perguntei " tá! Quais são as chances comigo??" E ele respondeu " baixas, muito baixas" e e isso que faz falta e diferença, foco no paciente que está na sua frente!! E não olhar tds de forma generalizada! Parabéns pela sua iniciativa de relatar sua história e a sua maturidade em não se culpar. Saúde pra vc e sua família!!
ResponderExcluirParabéns!!! Lindo saber que a minha decisão de ter normal não se remete apenas a um capricho de uma pessoa sem recursos financeiros p pagar uma cesariana , assim como muitas mulheres fazem. por medo da dor, por comodidade de ter em um hospital particular td marcado p fazer aconteced o part. pari vai alem disso, liberar essa quantidade de amor e ver acontecer o nascimento de um filho , deixar seu corpo fazer o trabalho e sentir as contrações. lindo, lindo, lindoooo.....
ResponderExcluirFui lendo devagarinho seu relato, acompanhei cada linha... Chorei de preocupação, de felicidade, de amor, de admiração.
ResponderExcluirEstou aqui ainda sentindo ondas desse Amor da sua "ocitocina" e imaginando o quanto a Lara deve se sentir numa família como vocês.
O que eu posso te dizer Aláya? Parece que qualquer coisa será tão pouco comparado à gratidão que sinto por você ter dividido com o mundo a sua experiência (e quase arriscaria em dizer que a Lara - e o karma? - decidiu vir assim pra você poder contar ao mundo essa dupla experiência, do TP no aconchego da sua casa e depois da cesariana, enfim).
Muito obrigada por nos contar como foi passo-a-passo, muito obrigada por nos permitir aprender através de vocês três e meus Parabéns pela paciência, pela força, pela calma e por essa certeza interna de que tudo está bem do jeito que acontece. <3
Que Deus, que essa Força Maior, essa Causa de tudo, continue iluminando as estradas de vocês. A Lara escolheu direitinho a Mãe e o Pai com quem viria a trilhar essa nova vida.
Um Abraço de Luz pra sua Família - um abraço mesmo aqui de tão longe, mas que vai chegar rápido, com a força do Amor que sinto nesse momento! <3
Nay, quanto carinho no seu recado! obrigada!!
ExcluirÉ sempre uma surpresa tanto carinho inesperado assim, de pessoas que mal conhecemos =)
um abração pra voce!
Bem vinda ao mundo das "menas".Onde fica aquela conversa de que "toda mulher sabe parir" ou "fomos feitas para parir" ??????? Como irá se sentir quando ler a lista de "prejuízos" que um bebê nascido por cesárea apresenta?? A dificuldade de criar o vínculo,a falta do hormônio do amor e todas essas asneiros que vcs pregam???? Espero que o que aconteceu faça com que você e todas as "doulas" tenham mais respeito pelas mulheres que tiveram seus filhos por Cesárea e não as coloquem mais num status de fracassadas.Saúde para o bebê!!
ResponderExcluirOlá Anônima.. que triste tanta raiva no coração. Não me sinto "menas", de forma alguma. Seria "menas" se optasse sem necessidade colocar minha vida e a da minha filha e maior risco, só por algum capricho bobo. Toda mulher sabe parir sim, fomos feitas para isso, e nunca deixei de pensar assim. Mas nós sabemos muito bem que, como afirma a própria Organização Mundial de Saúde, que 15% das mulheres irão eventualmente precisar de uma cesárea. Então caso alguma mulher entre nessa estatistica, com as POUCAS indicações REAIS de cesariana que existem e são aceitáveis (como foi a minha, BCF não tranquilizador), então que bom que a cesárea existe, para salvar vidas!! Isso é usar a ciência a nosso favor.
ExcluirClaro que por ter entrado em trabalho de parto, minha filha estava pronta para nascer, e meu corpo se preparou para parir. Nós duas juntas liberamos os hormônios do parto e isso deve ter facilitado nosso vínculo, e a amamentação, como é cientificamente provado. Não "pregamos" nada cara anônima, apenas respeitamos a evidência científica, a mesma que diz que se você andar de carro com cinto de segurança você corre menos risco de morrer. Se você faz uma cesárea com hora marcada, sem justificativa, fora do trabalho de parto, você está sim se submetendo (e submetendo seu bebê) a maiores riscos (seria como andar sem cinto no carro..).
Veja bem, eu não te chamei de fracassada, e a maiora das ativistas que conheço também não chama mulheres disso, você mesma se sente assim, vai ver alguma coisa da evidência cientifica mostrou algum erro seu e isso te incomoda, e ai ao invés de admitir você vem aqui agredir as pessoas, é triste.. percebe?
Eu achei a cesárea muito triste.. achei sim o vínculo dificultado, estava dopada e anestesiada quando minha filha nasceu, não tive como me levantar para segura-la, nem pude amamenta-la na primeira hora de vida... o que tem de bom nisso? nada! então por que eu defendira isso?
Minha bebê não recebeu o beneficio imunológico de nascer por via vaginal, ela foi colonizada, infelizmente, por bacterias do ar do hospital, e não pelas minhas proprias. Minha bebê precisou ser aspirada, não pode vir diretamente pro meu colo, não teve o pulmão comprimido pelo canal vaginal, e eu sofri o risco de ter uma reação a anestesia, uma parada cardiaca, uma trombose, uma hemorragia mais grave. Os prejuizos da cesarea continuam existindo, e continuo achando loucura que alguem de livre consciencia opte passar sem necessidade por uma cirurgia
Cirurgias sao para emergencias, sao para quando, ao colocar na balança, por algum motivo o parto normal se torna mais arriscado que os riscos da cesarea, foi meu caso, e é o caso de 15% das mulheres no mundo. E por isso agradecemos a existencia da cesarea, mas daí a banaliza-la e dizer "tudo bem se arriscar a toa", "tudo bem perder os beneficios do parto natural".. ai são outros 500!
Quer você goste ou não, a ciência está ai pra provar...
Fique bem!
Alias esses textos explicam bem http://alaya77.blogspot.com.br/2012/06/por-que-nao-escolher-uma-cesariana.html
Excluirhttp://alaya77.blogspot.com.br/2012/09/os-riscos-de-agendar-uma-cesarea-sem.html
a palavra chave é "necessidade".
Você não me chamou de fracassada mesmo,pois EU PARI....meu parto foi natural,mas não concordo com as coisas que dizem sobre a Cesárea,conheço muitas mulheres que fizeram Cesárea Eletiva e sinto a discriminação que acontece com elas'eu mesma nasci por Cesariana e todos os meu irmãos e sobrinhos tbm,mesmo assim eu quis um parto normal no nascimento do meu filho e CONSEGUI. O que acontece é que esse assunto já virou uma "luta" entre as mulheres pra saber quem é mais guerreira,quem sentiu mais dor e etc.A parte mais difícil de ser mãe vem depois do nascimento,que é criar um filho.Eu pari e não me sinto guerreira,heroína e nada disso,sou mãe e mereço respeito como todas as outras.
ExcluirMuito Melindre por nada, cada uma que banque suas escolhas
ExcluirEm regra: Toda mulher sabe parir. Toda mulher sabe parir. Toda mulher sabe parir.
ExcluirMas, em alguns casos, o bebê não pode esperar ou alguma outra condição clínica contra-indica o parto. A OMS até se utiliza de uma margem de erro bem grande quando coloca 15%, porque esse é o máximo dos máximos. Quando as mulheres tem o melhor atendimento possível, esse percentual não passa de 10%. Estudos feitos com partos domiciliares na América do Norte mostraram que 12,1% das mulheres em trabalho de parto ou pós-parto imediato precisaram ser transferidas ao hospital, havendo 3,7% de cesáreas. Isso mesmo, 3,7%. Sendo que, dentre as multíparas, apenas 1,6%. A Dra. Melania Amorim mantém sua taxa de cesáreas abaixo de 10% há alguns anos. E ela trabalha com gestações de alto risco. Dá pra perceber, então, que as que precisam de cesárea são exceção, né? E porque precisou em uma gestação, não significa que precisará sempre.
Então, mais uma vez: Toda mulher sabe parir. Toda mulher sabe parir. Toda mulher sabe parir. Você sabe parir. Alaya sabe parir. Ninguém é heroína ou mais mulher por isso. Mas é uma luta, sim. E quem passa por cima do sistema, é, sim, uma guerreira. Cesárea intra-parto no país das cirurgias agendadas, é motivo para se aplaudir de pé, sim. Eu respeito todas as mães e mulheres. Mas ADMIRAÇÃO eu só tenho pelas que lutam.
(continuo...)
ResponderExcluirTodos, mulheres ou homens, têm direito à informação verdadeira, ao respeito, à segurança. Ambientes hospitalares e profissionais não tem sequer, nem de longe, o direito de colocar mãe e bebê em risco, amedrontar, acelerar o processo porque querem se livrar dessas barrigas. Que todos vejam o que comprovadamente se sabe "cesáreas salvam vidas, quando adequadamente indicadas", mas são totalmente desnecessárias e criminosas quando são realizadas sem o CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO da gestante, sem violência, mentiras e ameaças, para supostamente facilitar ao sistema. (imagine você amarrada, sozinha, num local sem pessoas em quem você confia e conhece, com alguém ameaçando você e seu bebê e empoderado de bisturis, aparelhos, macas horrorosas e desconfortãveis, medicamentos - e de quem você depende.... - te ameaçando.... QUE ESCOLHA ISENTA TÊM ESSAS MULHERES NESSA HORA?
A "luta" (não sou doula, sou professora universitária que ministra aulas para estudantes de saúde em outras áreas de saúde pública) não é pelo parto natural, mas por humanidade no parto e pelo direito de homens, mulheres e crianças a um nascimento digno e respeitoso, informado, consciente.
Sou mãe também, e bem informada, e tentei até o final, contra muitos que não me apoiaram, muitos, levar meu parto a ser natural e de cócoras (isso há quase 3 décadas), mas eu tinha fortes indicações à cesárea e os 2 médicos obstetras que primeiro me atenderam (pré-natal) me "anunciaram" que eles tirariam a criança da minha barriga com 36 para 37 semanas. Fui batalhadora e com apoio de meu marido e de uma nova obstetra (Vera) consegui chegar a 39 semanas e meia, quando tive de ir para a cesárea, necessária, e minha filha nasceu bem, salvo por um erro médico na hora do parto que a fez ter de ir para a incubadora por algumas horas. Mas fui consciente (respeitada até certo ponto, é verdade....., pois meu marido sofreu enorme enorme pressão da equipe do hospital, mas me ajudou e fizemos o que nos pareceu, na época, a opção mais acertada - mas eu estava informada e empoderada e participei da escolha, apesar da equipe local estar absolutamente OFENDIDA com "eu querer participar do meu parto da minha filha", ofendida é a palavra, eles estavam quase surtando e tinham marcado a minha cesárea sem me consultar, mesmo eu estando internada, o que é total desrespeito e invasão de privacidade - minha filha não corria risco eminente de morte).
Precisamos garantir o direito a uma saúde humana assistida, à educação, ao respeito aos direitos humanos de todos, à humanidade no acolhimento e atendimento de todos os que por algum motivo estejam precisando de auxílio. A grande maioria das mulheres pode, sim, parir sozinha e de modo normal e natural, mas ela tem de ter esse direito garantido e o direito a saber disso, que o parto é dela e de seu companheiro e do bebê, e não do hospital (que por sinal na maioria dos casos seria de preferência dispensável, gestante não é doente, é parturiente).
Parabéns às(aos) batalhadoras(es) que lutam para que os direitos das pessoas e a saúde e bem-estar sejam garantidos.
Jane
(A primeira parte não foi.... aqui)
ResponderExcluirGestar é maravilhoso, é um dom. Ter e criar um filho é exigente e de muita responsabilidade, sim. Concordo com você, anônima, plenamente. Mas a luta deve ser de todos nós, por respeito ao ser humano (já nascido ou por nascer) e por não permitir o autoritarismo infundado e a sensação de donos da vida dos outros - que alguns tem.
Desculpe, anônima, mas a questão não é essa de ser guerreira (mas infelizmente isso virou, sim, uma guerra, uma guerra por respeito aos direitos humanos), a questão é muito mais o absurdo grau de desinformação das mulheres de não saberem de seus direitos ao parto QUE ESCOLHEREM (conscientemente) e de não estarem informadas, de fato, sobre esses direitos e os riscos muito maiores de, sem necessidade, "escolher" uma cesárea. E, penso que talvez o mais importante seja a absurda e enorme "justificada pelos sem humanidade, sem consciência, sem respeito" violência que se faz sobre a parturiente, levando-a "obrigatoriamente", com ou sem escolha, para a cesárea, isso quase sempre para o conforto de médicos, enfermeiros, familiares e outros sem noção e agressores da vida. (claro existem os humanos, mas tem sido excessão, mesmo, vejam as notícias, pesquisas e realidade).
Que bom existem as cesáreas para casos NECESSÁRIOS, mas a enorme ENORME maior parte delas é totalmente infundada, baseada em mentiras (circular de cordão, mecônio, mãe grande ou pequena, impossível aguentar, doenças as mais sem relação, porque já está há 4h em TP [essa acho a mais comum e um horror!!!!], etc...) e na ameaça às gestantes e a seus familiares, levando ao absurdo de no Brasil termos 59% de partos cesáreos, onde a OMS refere que deveriam ser no máximo 15% os justificáveis - uma colega do exterior me perguntou se as mulheres brasileiras tem genéticamente um problema que as impede de parir naturalmente....
Recentemente ouvi de uma enfermeira que trabalha numa maternidade que lá os médicos, quando começa a chegar perto de meia-noite, avisam às enfermeiras que "é hora de limpar a área" e começam a forçar os partos, fazer cesáreas adoidado e acelerar os processos para "limpar a área" de modo que eles possam descansar (possivelmente muitas dessas gestantes iriam em TP até a manhã seguinte) e se livrar daquelas mulheres com seus bebês nas barrigas.
(continua....)
Será que é difícil entender que existem mulheres que,simplesmente,não desejam parir?? Pode ser maravilhoso para algumas,mas as pessoas são diferentes.Muitos casos não são por falta de informação,gente é só digitar no google sobre partos que qualquer um vai informação.A questão é :existem mulheres que escolhem a Cesárea e essas mulheres são ridicularizadas e menosprezadas, esse é o problema.Cada um tem direito a escolher o que quiser.Eu escolhi o parto normal e adorei,mas na minha família existem muitas mulheres(inclusive médicas) que preferiram a Cesárea Eletiva.E daí???? É muito blá blá blá e falta de respeito com a opção de vida alheia.Até nisso as pessoas querem se meter.Vamos cada um cuidar da própria vida e filhos porque informação só não tem quem não quer.
ExcluirSerá que é difícil entender que não é das mulheres que não desejam parir que estamos falando? Estamos falando das que desejam e enfrentam uma série de obstáculos pra isso. Sério, onde você viu neste post ou nos comentários algum desrespeito à opção alheia? Você fala que estamos de muito blá blá blá, mas é você que está com muito mi mi mi sem motivo. Pelo visto só quer causar mesmo...
ExcluirAna.
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
ExcluirParabéns pela sua trajetória no TP, ao ler sua história me veio um filme na minha cabeça da época que estagiei como psicóloga no C.O. em prol da humanização dos partos. Você tem toda razão em não se sentir diminuída, pois, sua cesária foi bem indicada! É muito bom ler relatos como o seu, que demonstram todo o amor envolvido neste processo, o empoderamento feminino e como cada TP é uma caixinha de surpresas. Lhe desejo um ótimo pós-parto!
ResponderExcluirBelo relato! Certamente não acabou da forma como você queria, mas você fez tudo, TUDO que estava ao seu alcance para que seu parto fosse o mais natural e belo possível.
ResponderExcluirTenho participado desta "guerra" que tem sido tentar o parto normal... Digo "tentar" porque estou grávida de 10 semanas e desde antes de engravidar já estava bem informada dos meus direitos e do que é melhor para mim e para o bebê.
Tem sido uma verdadeira luta, mesmo para mim que tenho começado cedo a pesquisar minhas possibilidades, aqui em Belém- PA, pois caímos indubitavelmente em 1 destas 3 possibilidades (isso que eu tenho plano de saúde!! a Unimed...) ao optar pelo parto normal:
- Ter um Parto Domiciliar, que custará para mim entre R$ 2 e 3.000, e que se por acaso eu tiver que acionar minha médica que estará de backup, terei que desembolsar no mínimo mais R$ 2.000 para ter o parto normal no hospital, caso seja necessário. Caso seja cesárea, é possível (pequena possibilidade) de não ter que pagar a "taxinha extra" do médico;
- Ter um Parto Normal em maternidade ou hospital, que custará de novo para mim a "bagatela" de R$ 2.5 a 3 mil reais e onde estarei à mercê (mesmo tendo uma boa doula do meu lado) das equipes médicas extremamente intervencionistas e pró-cesáreadesnecessária;
- Ter o parto normal pelo SUS, onde minhas opções são o HC (Hosp. Clínicas), onde a mentalidade reinante é absurdamente intervencionista e as instalações no mínimos sinistras, com 40 mulheres dividindo o mesmo quarto e mesmo banheiro (mais os acompanhantes) ou uma pequena maternidade no município vizinho, onde a enfermaria é "bem" menor: apenas 20 mulheres por quarto mais os acompanhantes.
Só é triste porque pagamos o plano de saúde há tanto tempo, e em um momento tão especial e necessário ter que recorrer ao SUS para ter uma chance de parto normal!!
Ou seja, mesmo tendo Unimed (apartamento) se eu quiser (e eu quero!!) um parto normal ou desembolso no mínimo R$ 2.500 (que para mim é MUITA grana) ou vou para algum hospital do SUS ser tratada como carne de segunda, de acordo com os últimos relatos que tenho ouvido..
Essa é a realidade aqui no Pará, mas pelo visto no resto do Brasil (sou gaúcha) está só um pouquinho melhor, mas não muito...
Muita saúde a você e obrigada por nos encorajar a continuar na luta pelo parto normal! =)
com carinho,
Tutuca.
Olha, so tenho a agradecer por vc ter divulgado a sua experiencia. Eu passei por uma experiencia muito semelhante ha 3 anos quando nasceu minha filha e sofri muito me sentindo culpada, incapaz. Chorei lendo seu relato e compreendi cada palavra, cada emoçao, pq tambem eu passei por isso. Estou gravida novamente, de 35 semanas e tentarei o parto normal, mas sem aquela aura de heroismo que muitas vezes o envolve. Como vc disse, parto é mais do que somente fisiologia e nao somos maquinas de expelir bebes. Muito obrigada, mais uma vez, por publicar a sua experiencia.
ResponderExcluirMuita luz e energia Roberta e anônima nessas suas jornadas. Que seus pequenos possam ser tão amados quanto a Alaya dedicou-se a sua pequena Lara.
ResponderExcluirTudo na vida tem um porque e certamente a experiência pela qual Alaya passou (também chorei lendo...., foi emocionante....) tem motivos, quem sabe para ajudar a cada uma de nós que a lemos e para ajuda-la também a entender os desvios da vida....
Muita luz a todos (e , em especial, àqueles e àquelas que precisam ter mais esclarecimento sobre os milagres do nascimento e a grandez dessa possibilidade - trazer mais amor ao mundo....)
Abraços
Parabéns, Alaya, por ter sido firme e flexível, por estar consciente e ter sido forte, mas entender a situação do momento.
Alaya, também desejo parto domiciliar mas sei que precisa do plano b caso precise ir ao hospital. Ser acompanhada por um GO que conduza o parto com dignidade e respeito é muito importante. Como que funciona na prática essa logística? A gente paga antes pro medico ou só se ele for acionado no parto? Obrigada por nos manter informada.
ResponderExcluirEste comentário foi removido por um administrador do blog.
ResponderExcluirparabéns pela sua força e obrigada por compartilhar sua experiÊncia
ResponderExcluirEmocionante... Excelente poder ler relatos de mulheres como você!
ResponderExcluirAlaya, me vi no seu relato. Pensei as mesmas coisas e senti muuuita coisa parecida. Idealizei um parto maravilhoso e acabei sofrendo demais, demais. Ainda estou processando para não acabar com nenhum trauma disso tudo. Mas ter sentido tanta dor em casa e ter q ir pro hospital foi bem difícil. Voltar pra casa com vários resquícios do trabalho de parto, as flores, as velas, não foi nada fácil. No final das contas, só queria que meu bebê estivesse bem e queria acabar com a dor. Mas as expectativas realmente podem acabar com a gente nessa história...
ResponderExcluirOi Alaya! Sou a Nina, tive minha Cecília há 13 dias e tb precisei de cesárea...e aqui tentando processar toda a experiência vim reler seu relato...Não tinha planejado PD, fomos pro São Francisco em jacareí...24 horas de pródromos e mais umas 20 de tp e eu tive dilatação total...mas a neném teve taquicardia e a não descia...fiquei um tempo com puxos, rebozos invertidas e nada de descer...a dra Rosana que tava comigo tb, e viu que a cabecinha da neném tava tortinha...e a taquicardia...daí sugeriu analgesia pra ver se relaxava minha pelve e se ela terminava de descer...tentamos até forceps...3 puxadas que doeram mais que as contrações antes (mesmo com analgesia) e nada...cesárea por fim...cansaço frustracao medo dor, tudo substituído por alívio ao ouvi o chorinho dela...mas depois não tem jeito, fiquei revirando aqui dentro o que eu poderia ter feito diferente, o que pode ter atrapalhado, se fui fraca, pq não consegui...Agora tô no ponto de aceitar que não dá pra entender as razões de muita coisa na vida...foi assim...fiz tudo que dei conta, fui bem cuidada,com carinho e respeito, e minha filha nasceu bem...e só. E novos desafis, amamentação cólica, pós cirúrgico...É ruim o olhar das pessoas de "poxa não deu pra ser como vc queria né"...Como se tivesse sido à toa todo o tp...mas eu sei que não foi à toa, ajudou minha filha a chegar mais prnota, foi no tempo dela...enfim...a gente procura histórias parecidas com a nossa pra não se sentir tão sozinha, ou tão fraca, ou sei lá...quis te contar um cadinho da minha história com a Cecília...a Lara já tá grandona né! Bjinhos pra vcs duas :)
ResponderExcluirOi Alaya! Sou a Nina, tive minha Cecília há 13 dias e tb precisei de cesárea...e aqui tentando processar toda a experiência vim reler seu relato...Não tinha planejado PD, fomos pro São Francisco em jacareí...24 horas de pródromos e mais umas 20 de tp e eu tive dilatação total...mas a neném teve taquicardia e a não descia...fiquei um tempo com puxos, rebozos invertidas e nada de descer...a dra Rosana que tava comigo tb, e viu que a cabecinha da neném tava tortinha...e a taquicardia...daí sugeriu analgesia pra ver se relaxava minha pelve e se ela terminava de descer...tentamos até forceps...3 puxadas que doeram mais que as contrações antes (mesmo com analgesia) e nada...cesárea por fim...cansaço frustracao medo dor, tudo substituído por alívio ao ouvi o chorinho dela...mas depois não tem jeito, fiquei revirando aqui dentro o que eu poderia ter feito diferente, o que pode ter atrapalhado, se fui fraca, pq não consegui...Agora tô no ponto de aceitar que não dá pra entender as razões de muita coisa na vida...foi assim...fiz tudo que dei conta, fui bem cuidada,com carinho e respeito, e minha filha nasceu bem...e só. E novos desafis, amamentação cólica, pós cirúrgico...É ruim o olhar das pessoas de "poxa não deu pra ser como vc queria né"...Como se tivesse sido à toa todo o tp...mas eu sei que não foi à toa, ajudou minha filha a chegar mais prnota, foi no tempo dela...enfim...a gente procura histórias parecidas com a nossa pra não se sentir tão sozinha, ou tão fraca, ou sei lá...quis te contar um cadinho da minha história com a Cecília...a Lara já tá grandona né! Bjinhos pra vcs duas :)
ResponderExcluir