sábado, 7 de fevereiro de 2015

Introdução alimentar pelo método BLW -- o bebê conduz sua alimentação

Depois de muita leitura decidi gravar um vídeo falando um pouco de como estou lidando com a introdução alimentar da minha filha, e como achei interessante esse método em que a criança tem autonomia para se alimentar. Nesse post colocarei o vídeo explicativo e alguns vídeos exemplificando o bebê comendo, e no fim deixarei alguns links de alguns dos melhores textos que achei sobre o assunto (tanto o BLW quanto a introdução alimentar em si), incluindo o manual da Sociedade Brasileira de Pediatria.


Minha intenção é apenas compartilhar a experiência e ajudar outras mães que assim como eu buscam uma forma mais saudável de lidar com a alimentação do bebê

Sou super adepta de uma alimentação mais natural e saudável, mas gostaria de colocar também que penso que isso deve ser levado de forma leve, tranquila, para que não se alimentem também neuroses. As recomendações são formas de nos ajudar a ter uma vida mais saudável, não são prisões de conduta. Que cada uma reflita, a partir das informações que tem acesso, das recomendações de saúde que recebe, e de sua consciência, como se responsabilizará pela alimentação de seus filhos.

Buscamos o melhor pois nos importamos, sem intenções de "perfeição".  Mas se uma alimentação melhor é possível, e só traz benefícios, por que não tentar não é mesmo?!




Compartilhando minhas leituras e o que estou experimentando: 




EXEMPLO - Introdução alimentar - bebê de 6 meses comendo pelo método BLW
Nesse vídeo minha filha come 8 variedades de alimentos, e por volta dos 3:25min ela demonstra um desengasgo (gag reflex)


Minha filha comendo laranja em pedaço pela primeira vez na vida (6 meses e 1 dia)https://www.youtube.com/watch?v=s6QJFM8FL2A


Comendo papinha de colher pelo método BLW (ela controla a colher - 6 meses e 3 semanas)https://www.youtube.com/watch?v=GZiNbFozgyo


Gostaria de destacar alguns pontos:
  • Estudos científicos tem comprovado que fatores nutricionais e metabólicos em fases iniciais do desenvolvimento humano têm efeito em longo prazo para toda a vida adulta. Isso quer dizer que os primeiros anos de alimentação do bebê são absolutamente essênciais para determinar como o corpo dele vai funcionar, e como será sua saúde na vida adulta. Agressões alimentares nessa primeira fase de vida, tão suscetível, podem causar efeitos negativos no futuro. Melhor garantir um futuro saudável para nossos filhos.
  • O leite materno continua sendo a principal fonte de nutrientes para o bebê até 1 ano de vida. A alimentação a partir dos 6 meses é complementar. A introdução dos alimentos só deve ser iniciada aos 6 meses, antes disso o bebê possui mais chances de desenvolver alergias alimentares e eczemas, pois o sistema digestivo da criança não está pronto para receber outros tipos de alimentos ainda. A partir do sexto mês o bebê começa a produzir enzimas digestivas em quantidades suficiente que permitem que ele aos poucos receba outros alimentos. A maturidade fisiológica e neurológica acompanha a habilidade de sentar e agarrar objetos. O bebê passa a não ter tanto o reflexo de empurrar a língua para frente. Mesmo o bebê que não mama no seio materno, e toma apenas fórmula láctea, mesmo este não deve introduzir os alimentos antes dos 6 meses (como de forma muito errada e irresponsável muitos pediatras vem indicando), essa é a instrução dada pela própria Sociedade Brasileira de Pediatria, baseada nos estudos mais recentes - o bebê deve continuar apenas com fórmula até os 6 meses, caso o leite materno não seja possível.
  • Após os 6 meses o bebê deve receber alimentos complementares um a um, como caráter de teste, para aos poucos ir diversificando. Deve se ofertar os alimentos 3x ao dia para bebês que mamam no seio, e 5x caso não mamem mais. Se a criança recusar um alimento, deve-se oferecer novamente em outras ocasiões. É normal que leve-se até mesmo 10 exposições do mesmo alimento para que a criança passe a aceita-lo. Oferecer frutas como sobremesa é válido após as refeições principais pois ajuda na absorção do ferro presente nos alimentos vegetais como o feijão e as folhas verde-escuras.
  • A capacidade gástrica da criança é pequena, e após os 6 meses é em torno de 20 a 30ml/kg. Por exemplo, uma criança com 7kg, tem uma capacidade gástrica em torno de 200ml, para cada refeição. 
  • Não, a criança não precisa nem deve "experimentar" tudo que a família come, por exemplo iogurtes industrializados, queijinhos, bebidas alcólicas, achocolatados, sorvetes, biscotos recheados etc. A criança deve ser protegida de "experimentações" que não façam bem a ela.
  • Nunca brigue com a criança para que ela coma tudo o que VOCÊ quer que ela coma. Não o obrigue a comer até o fim caso ele esteja dando claros sinais de já estar satisfeito. Geralmente somos ansiosas e esperamos que elas comam mais do que de fato precisam. Forçar o bebê a comer pode fazer com que ele aceite cada vez menos. Cuide para não transmitir sentimentos de frustração para a criança, e nem passe a mensagem de que ela será mais amada caso coma além do seu limite.
  • Crianças tem personalidades diferentes e nem tudo que funcionou com um funciona com o outro. O paladar de cada um é único, e o apetite também pode variar. 
  • O leite de vaca integral, por várias razões, entre as quais o fato de ser pobre em ferro e zinco, não deverá ser introduzido antes dos 12 meses de vida. É um dos grandes responsáveis pela alta incidência de anemia ferropriva em menores de 2 anos no Brasil. 
  • Os sucos naturais devem ser evitados, mas se forem administrados que sejam dados no copo, de preferência após as refeições principais, e não em substituição a estas, em dose máxima de 100 mL/dia (manual SBP). Dê preferência a fruta in natura, sucos se transformam em açucar no organismo e contém poucas fibras. (leia mais: http://pat.feldman.com.br/2014/08/11/nao-ofereca-sucos-aos-seus-filhos/)
  • Alimentação não é apenas para o corpo, deve nutrir o emocional também. Faça desse momento algo alegre, interessante, tranquilo. Se alimentar não é apenas encher o estômago, permita que a criança se relacione com o alimento, não a alimente usando distrações, participe do momento. Deixe a criança se sujar e explorar a experiência.
Sites com mais informações sobre o método BLW:

http://pediatriadescomplicada.com/2015/02/06/introducao-alimentar-entenda-o-metodo-baby-led-weaning-blw/

http://guiadobebe.uol.com.br/comendo-sozinha/ (texto muito bom sobre o prazer de comer com liberdade, de fazer sujeira inclusive e sobre todo o lado psicológico da alimentação)

http://www.nossoprimeirobebe.com/diretrizes-para-blw/

Grupo do Facebook BLW Brasil, com vários arquivos informativos: https://www.facebook.com/groups/586263108059068/

Manual de Orientação do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria: http://www.sbp.com.br/pdfs/14617a-PDManualNutrologia-Alimentacao.pdf

Blog bacana com dicas e receitas saudáveis http://www.asdeliciasdodudu.com.br/2013/05/meu-filho-nao-come-6-7-meses-introducao.html

Por que NÃO oferecer açucar para o bebê: http://nutricionistainfantil.blogspot.com.br/2012/07/sem-acucar-com-afeto-ou-porque-nao-dar.html ("O açúcar é um "alimento" altamente calóricos, pobres em nutrientes e o consumo em excesso pode gerar uma série de doenças. A ingestão excessiva de açúcar, além de aumentar a concentração de insulina no sangue, também eleva a quantidade de adrenalina, causando irritação, ansiedade, excitação e dificuldade de concentração". )

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ENGASGO é diferente de sufocamento (em inglês: gag X choke). Um bebê realmente engasgado não tosse nem emite som, pois o ar não está passando. A manobra para ajuda-lo é essa abaixo (o vídeo está em inglês mas dá pra ver). É sempre bom saber https://www.youtube.com/watch?v=ZlIknKErzV0

Esse post explica direitinho que reflexo de vomito (gag) não é o mesmo que engasgo http://tanahoradopapa.com/2015/03/06/tosse-nao-e-reflexo-de-gag-reflexo-de-gag-nao-e-engasgo-e-engasgo-e-coisa-seria-parte-3/

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Sobre o não uso de mamadeiras e bicos moles (Fonte: Caderno de atenção básica a amamentação do Ministério da Saúde http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alimentacao.pdf):




3 comentários:

  1. Amei esse post! To amando o blog, Alaya!
    Muita informação boa e tudo bem facil de entender!

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  2. Adorei o seu blog. Sou Brasileira, mãe de gêmeas e vivo fora do Brasil há mais de 5 anos. Quando tive as minhas filhas fora do Brasil, foi muito dificil...principalmente na parte da alimentação. Fui criada com arroz e feijão e aprendi que esses dois nunca podem faltar na alimentação da criança(coisas da minha criação). Aqui fora eu não tenho feijão, senão os em lata. Então, fiquei loucaa! não sabia o que oferecer para as minhas filhas senão os legumes já que não iria oferecer comida de lata. Hj em dia minhas filhas odeiam arroz e feijão! optei por uma alimentação saúdavel...minhas filhas que já tem pra mais de 1 ano...só comeram batata frita 2x na vida e mesmo assim foram feitas no forno. Aprendi muitas coisas com elas,,,inclussive, me alimentar melhor...e que todas essa bobeiras que colocamos na boca...podemos, sim, viver sem. Hoje nos tornamos uma família vegetariana e tenho muito orgulho da alimentação das minhas filhas. Tb estou querendo criar coragem prar fazer um blog passando tudo que aprendi em relação a alimentação infantil.

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