domingo, 27 de janeiro de 2013

Cesaristas: Elas pedem AJUDA! - Relato de um obstetra


Esse relato foi dado pelo obstetra Braulio Zorzella, um médico humanizado que entende que nem sempre o pedido pela cesárea é um pedido genuíno, e que a maioria das mulheres são levadas a desacreditar de sua capacidade de ter um parto normal. Um médico humanizado aprende a ouvir o pedido por trás da fala, e a deixar a mulher parir em paz. Um relato de um parto normal após duas cesáreas anteriores, que aconteceu apesar de tudo tender para o contrário naquele momento. A sorte de encontrar um médico humanizado, precisamos de mais obstetras assim! Emocionante!



"Ela chegou gritando e esperneando como se estivesse sendo torturada... A conheci hoje, no plantão de retaguarda da maternidade que tem 98% de cesáreas pelo SUS, restanto os 2% de PN dos dias que estou de plantão... Isso mesmo que ouviram, 98% de cesáreas pelo SUS! Ela com 23 anos, terceira gestação, 2 cesáreas anteriores, 38 semanas, bolsa rota e 5cm de dilatação, colo finíssimo, apresentação baixa. 
A mãe chorando e as duas juntas pedindo "PELO AMOR DE DEUS DOUTOR, FAÇA UMA CESÁREA!!!". 
Sentei ao seu lado no pré-parto, apaguei as luzes, pedi pra enfermagem sair (nesse hospital elas não têm a mínima prática com Parto Normal). Entre as contrações ela acalmou-se, porém durante elas, virava bicho e não ouvia nada, se contorcendo e gritando que o médico do pré-natal falou que ela não podia ter parto normal de jeito nenhum pois no caso dela era impossível!
Perguntei se ela já quis algum dia ter Parto Normal e ela disse que sempre quis mas os médicos sempre falaram que ela não podia. No primeiro, bacia estreita, no segundo, não dilatou e agora pois já tinha 2 cesáreas. Insisti mais um pouco em tentar acalmá-la e explicar os possíveis benefícios do bebê nascer natural, mas foi em vão naquele momento. A enfermagem e a pediatra voltaram e me olhando com olhos de "oque você está esperando pra chamar o anestesista pra cesárea?"
Foi então que de caso pensado falei (em voz baixa PARA O BEBÊ NÃO OUVIR): "Liga pro anestesista e diga que teremos uma cesárea!"
Percebi que contentei a todos nesse momento! A paciente acalmou-se, a mãe foi contar pro marido, a enfermagem começou a se movimentar e a pediatra foi preencher papéis. Vieram com lâmina pra tricotomia e bandeja de sonda. Olhei e disse: "Pode deixar que eu faço a tricotomia e a sondagem depois de anestesiar".
Chegou o anestesista que não viria para uma analgesia de parto se eu chamasse, mas como eu disse que seria cesárea veio... pedi então que fizesse uma dose menor na raqui mesmo, apenas para tirar a dor mas que NÃO SERIA CESÁREA! Todos se assustaram!!! "Como assim? Com 2 cesáreas anteriores?" Aquele olhar de "ele deve estar louco!".
Anestesia feita, a dor passa, suficiente pra EU CONSEGUIR CONVERSAR COM ELA!
Lamentável mas como NINGUÉM CONVERSOU ANTES COM ELA, nem no pré-natal e nem no hospital e só me reservaram os 48 do segundo tempo para eu conversar, o único jeito de ouvir foi anestesiando: "E agora, está bom pra vc assim? A dor melhorou? Seu problema está resolvido?... Vamos resolver o do bebê agora? O bebê está super bem, e ME DISSE QUE ESTÁ QUERENDO MUITO NASCER DE PARTO NORMAL. Ele não sabe ainda que vai ser cesárea. Ele está na posição e quase saindo e vc tem a passagem ótima pra ele, vamos tentar? Ou se preferir ainda posso fazer a cesárea, pois não vou fazer nada contra a sua vontade".
Ela me olhou, arregalou os olhos ao mesmo tempo que veio um puxo e começou a fazer força... Ela sorriu e percebeu que podia... Me olhou novamente e fez mais força e se empolgou! Na terceira força ele nasceu perfeito e com nota 10 da pediatra incrédula.
Foi ao colo da mãe que o beijou muito dizendo: SEMPRE ME FALARAM QUE EU NÃO IRIA CONSEGUIR! Não acredito que consegui fazer isso!...
Caros cesaristas de plantão: ELAS PEDEM AJUDA E NÃO CESÁREA!!!"

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

50 Intervenções desnecessárias durante a gravidez, parto e pós-parto.


Pela doula Ingrid Lotfi, com supervisão técnica da obstetra Melania Amorim e da enfermeira-obstetra Maíra Libertad.


Questionem e não se deixem enganar!



1) Exames pré-natais não incluídos na rotina preconizada pelo Ministério da Saúde do Brasil (os exames recomendados são: grupo sanguíneo e fator Rh, sorologia para sífilis – VDRL, hemoglobina e hematócrito para rastreamento de anemia, exame de urina tipo I, sorologia para HIV e hepatite B – AgHBs, glicemia de jejum, teste para toxoplasmose-IgM, colpocitologia oncótica se necessário).
2) Exames de efetividade discutível sem prévia discussão com a gestante sobre riscos e benefícios (p.ex. pesquisa de EGB (Estreptococcus do Grupo B)).
3) Prescrição de complexo vitamínico, sem uma indicação clara.
4) Ultrassonografias sem indicação clínica.
5) Dopplerfluxometria em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
6) Ecodopplercardiografia (exame para avaliar o coração) fetal em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
7) Cardiotocografia em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
8) Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.
9) Cesariana eletiva sem indicação clínica e/ou sob falsos pretextos (ver lista das “Indicações das desnecesáreas).
10) Exames de toque antes do trabalho de parto, sem indicação clara.
11) Descolamento de membranas antes de 41 semanas de gravidez.
12) Descolamento de membranas sem prévia discussão e autorização da gestante.
13) Restringir a escolha do local de parto.
14) Desencorajar ou proibir o acompanhante/doula no parto da escolha da mulher, ou permitir a entrada de pessoas não autorizadas.
15) Internação precoce.
16) Exames de toque/remoção de rebordo de colo abusivos durante o trabalho de parto e de rotina.
17) Exames de toque/remoção de rebordo SEM o prévio consentimento da gestante.
18) Toque Retal.
19) Jejum, tricotomia (raspagem dos pêlos) e enema (lavagem intestinal).
20) Qualquer restrição à deambulação/liberdade de movimentos.
21) Estabelecer limites rígidos para a duração da fase latente, ativa e do período expulsivo.
22) Atrapalhar o processo fisiológico do parto, desconcentrando a gestante.
23) Monitoração fetal contínua ao invés de intermitente (onde o profissional ausculta o bebê de tempos em tempos com o sonar).
24) Uso rotineiro de soro com ocitocina/indução com misoprostol.
25) Uso rotineiro de analgesia de parto.
26) Oferecer ou insistir na analgesia de parto sem que a mulher a tenha solicitado.
27) Amniotomia de rotina (rompimento da bolsa).
28) Puxos precoces (treinar fazer “a” força, antes que a mulher possa sentir os puxos).
29) Puxos dirigidos (“faça força agora”, “força comprida”, etc).
30) Manobra de Valsalva (orientar a “trincar os dentes e fazer força”).
31) Desestimular a escolha pela mulher da posição/ambiente em que quer parir.
32) Manobra de Kristeller (empurrar o fundo do útero)/pressão de qualquer intensidade no fundo uterino/”só uma ajudinha”.
33) Manobra de “divulsão” perineal e/ou massagem perineal sem consentimento da mulher.
34) Episiotomia.
35) Não permitir o nascimento espontâneo.
36) Aplicar fórceps e vácuo de rotina e/ou sem autorização da mulher.
37) Sutura rotineira das lacerações.
38) Revisão instrumental do canal de parto de rotina (fórceps, vácuo extrator).
39) Cesariana intraparto sem indicação precisa e sem caráter de emergência.
40) Ligadura precoce do cordão, sem aguardar parar de pulsar.
41) Entregar um bebê vigoroso ao neonatologista para secar e aquecer, afastando-o da mãe.
42) Aspiração de rotina das vias aéreas do recém-nascido.
43) Passagem de sonda de rotina no recém-nascido, para pesquisar atresia de coanas, atresia de esôfago e ânus imperfurado.
44) Uso rotineiro de Credé (colírio de nitrato de prata).
45) Levar bebês saudáveis para o berçário.
46) Fazer qualquer procedimento com o RN sem consultar e obter autorização dos pais.
47) Não permitir o delivramento (saída da placenta) espontâneo.
48) Revisão manual da cavidade uterina de rotina, mesmo em casos de cesárea anterior.
49) Oferecer bicos, chupetas, mamadeiras, com leite artificial para o recém-nascido.
50) Aplicar vacinas sem o consentimento e autorização dos pais

Você sabe mesmo o que é Parto Humanizado?!



Não verdade não há um consenso sobre o que é parto humanizado e há muito preconceito também, especialmente entre profissionais que se recusam a sair do modelo "eu faço partos há 20 anos, não é você quem vai me ensinar". Entre essa categoria mais engessada, a fala em geral é: "se eu não faço parto humanizado, eu faço o que? parto de bicho?". Em uma coisa eles têm razão, esse nome não diz nada! 

O que faz diferença na assistência humanizada verdadeira é a atitude de todos. Por isso, se o seu profissional prioriza o conjunto te preceitos enumeradas abaixo, ele é um profissional humanizado, dentro desse conceito de humanização. 

Foto pela minha amiga e doula-parceira Erica de Paula, bebê nasceu na água pesando 4670g


Vamos a eles! O Parto Humanizado é:

1) Respeito aos tempos da mãe e do bebê. Qualquer aceleração do processo, quer indução, aumento artificial das contrações ou agendamento de cesariana precisa de uma forte justificativa clínica. Não faz sentido marcar a cesariana porque a mãe está pesada, e entender isso como "protagonismo feminino". Existem várias possibilidades de ajuda para uma mãe cansada, e que não desrespeitam o tempo do bebê.

2) Respeito ao protagonismo feminino. É importante mudar o olhar e compreender que o parto é da mulher e que ela tem direito a escolhas e total liberdade. Esse é talvez o maior desafio dos profissionais e dos serviços. A cada vez que alguém se dirige à mãe e se diz o que ela deve fazer, já houve um desrespeito a esse protagonismo. Um exemplo básico, se a mãe chega na triagem e alguém diz: "por favor, mãezinha, a senhora vai ali naquele banheiro, tira toda a roupa e coloca essa camisolinha voltada para trás".. BANG! Matou o protagonismo! Essa talvez é a maior mudança de mentalidade necessária e a origem de todas as outras mudanças.

3) Compartilhamento de responsabilidades. O médico não proíbe, não aconselha, não manda. O médico ou a parteira ou qualquer outra pessoa da equipe mostra sempre as opções e a mulher escolhe o que ela quer para ela. Mesmo quando parece não haver opção, há opção. E já que não existem garantias mesmo, o melhor é ser claro, mostrar riscos e benefícios e permitir que a mulher sinta que está sendo co-responsável por suas escolhas. Por exemplo: "Sim, você pode tomar analgesia, mas existe um pequeno risco disso repercutir para o bebê, ou você pode tentar ficar mais um pouco na banheira, ficar lá com o seu marido e ver se consegue aguentar mais um pouquinho. Quem sabe possamos reavaliar daqui a 1 hora e já vai estar bem mais perto de nascer?"

4) Uso das melhores evidências. Depois de 30 anos de evidências contra o uso rotineiro de episiotomia, não cabe afirmar que a episiotomia protege a mulher. Hoje em dia existem claras evidências de que o melhor é deixar o parto acontecer naturalmente, sem qualquer tipo de intervenção, no ambiente mais simples possível, com equipes igualmente simplificadas.

5) Levando tudo isso em consideração, apesar de que uma ou outra mulher possa precisar de analgesia, ou de rompimento artificial da bolsa das águas, ou um pouquinho de ocitocina em algum momento, a imensa maioria das mulheres de baixo risco terá, dentro desses princípios todos, um parto:

- De início espontâneo, sem indução
- Sem precisar subir em cadeira de rodas ou macas até a sala de parto
- Sem precisar usar uniformes específicos
- Em um ambiente simples, sala agradável (chamadas de PPP), com mobília adequada, com banheira e chuveiro disponíveis, luz baixa, música a gosto e total privacidade
- Atendido por uma obstetriz, enfermeira obstetra e/ou médico
- Sem o uso de ocitocina durante todo o trabalho de parto
- Sem raspagem dos pelos pubianos e/ou a abjeta lavagem intestinal
- Com liberdade de alimentação e ingestão de líquidos
- Sem o uso de cardiotocografia contínua, tendo o coração do bebê avaliado intermitentemente com um sonar simples, a intervalos regulares de tempo
- Com apoio contínuo do(s) acompanhante(s) e de uma doula particular
- Com o uso de métodos não farmacológicos para dor
- Com o uso de analgesia se necessário, depois de informada dos riscos e benefícios
- Sem ruptura artificial da bolsa das águas
- Com absoluta liberdade de movimentos para a mãe durante todo o processo, inclusive durante o período expulsivo
- Encorajamento das posições verticalizadas
- Sem episiotomia, sem empurrar a barriga, sem dedos nervosos na vagina da mulher, sem prender a respiração para fazer força comprida, sem fórceps, sem vácuo-extrator para acelerar um processo em que mãe e bebê estão bem
- Sem limites arbitrários de tempo para o parto e para o período expulsivo, porque o bebê "ainda está alto", por exemplo
- Com o bebê sendo colocado imediatamente no colo da mãe com o cordão ainda ligado, mantido intacto pelo menos até parar de pulsar, e com amamentação a mais precoce possível
- Sem aspiração das vias aéreas do recém nascido, separação da mãe, colírio e identificação só após a primeira mamada, vitamina e vacina só depois de algumas horas e após tempo para o vínculo mãe-bebê
- Com o uso de alojamento conjunto desde a sala de parto até o final da estadia

6) O uso de uma intervenção (ou mais, se necessário) não tira o aspecto humanizado do parto. Desde que seja necessária no contexto e de que seja dada a escolha para a mãe, desde que seja, portanto, utilizada em caráter de exceção. E no final, até mesmo uma cesariana pode ser necessária, e ainda assim é perfeitamente possível ser calmo, falar baixo, respeitar mãe e bebê sem falar de outros assuntos, baixar a luz, aquecer o ambiente, e obedecer aos três últimos princípios, que ocorrem depois do nascimento.

Em suma, o parto humanizado é um parto o mais natural possível, com o menor número de intervenções que for possível para aquela dupla mãe-bebê e onde cada intervenção só seja utilizada quando os seus riscos forem menores do que o risco de não utilizá-la; onde os tempos, os interesses e a liberdade da mãe e do bebê sejam os principais motivadores de todos os envolvidos; e o melhor: tudo baseado em evidências científicas e nas recomendações da Organização Mundial da Saúde. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

As contrações são como ondas, deixe elas fluirem



          Conheci esse texto lá por 2008, ele circulou por algumas comunidades de maternidade no orkut. Escrito por uma querida amiga sob o pseudônimo de Xícara de Luz. Que ele possa ajudar as gestantes a se entregarem ao momento do parto.

Ela vai durar bem pouquinho no início. Tanto é que você não vai nem sentir as primeiras se você estiver dormindo. Duram segundinhos. E até vir a próxima "onda" leva tanto tempo que você já se esqueceu como foi a anterior. Está entendendo?

Quando o trabalho de parto engrenar, o que pode demorar horas ou dias, você já vai estar habituada com a contração. Já conseguirá identificar quando ela inicia, saberá quando está na "crista da onda" e também quando ela está indo embora. Então o que muda para ficar tão difícil como dizem?? Muda a duração da contração, que era segundinhos, e passa a ser de um minuto ou pouco mais. Muda também o intervalo, que podia ser de hora ou longos minutos, e pode passar a ter segundinhos.

Ou seja, não existe um momento a partir do qual você sentirá uma dor dilacerante e ficará com ela por dias. Contrações são ondas. Vem e vão. [O mar pode estar calmo, e depois se agita]. E algumas mulheres, com trabalho de parto prolongado, podem ter intervalos de minutos e até DORMIREM entre uma contração e outra.

Mas aí vem o grande mistério do poder feminino de parir. Se você entender muito bem que aquelas ondas estão trazendo seu filho, a cada contração você sentirá ele mais próximo dos seus braços. Você não lutará contra a contração, porque você QUER que ela venha e lhe traga seu filho. [Você embarca na onda, e surfa com ela, e se entrega à intensa sensação de parir]. Estar dando a luz e ser a protagonista daquele fenômeno é tão fabuloso que em vez de vestir aquele momento com dor... surpreendentemente você poderá fazê-lo com PRAZER.

Porém, você só pode fazer aquilo que acredita que pode. Ainda resta algum tempo até o seu parto, portanto, eu gostaria de lhe dizer para reforçar a auto-estima, olhar para a mulher que muitas vezes superou outros obstáculos na vida, e encontrar força e confiança para assumir o nascimento do seu filho. Acredite que, apesar de tudo que já lhe disseram sobre dores insuportáveis, as mulheres têm sobrevivido à isso por milênios. Elas não o fariam tantas vezes se realmente fosse maior do que elas podem aguentar

Eu acredito em você!

sábado, 22 de setembro de 2012

Os riscos de agendar uma cesárea sem necessidade


Novo estudo mostra que o risco de morte do bebê que nasce antes de 39 semanas é maior do que aqueles que chegam ao fim da gestação.

Cada vez mais os estudos confirmam e alertam o quanto adiantar o parto sem necessidade, mesmo que em poucas semanas, traz riscos para o bebê. Um deles, publicado este mês na revista científica Obstetrics & Gynecology, revelou que antes de 39 semanas há risco de morte para a criança. 





Para chegar a essa conclusão, os cientistas da March of Dimes Foundation, uma organização não governamental que encabeça campanhas nos Estados Unidos para evitar nascimentos prematuros, analisaram mais de 46 milhões de nascimentos, usando dados do National Center for Health Statistics U.S. O resultado revelou que a taxa de mortalidade infantil era de 1.9 para cada 1.000 bebês nascidos na 40a semana de gestação e subia para 3.9 para aqueles nascidos pouco antes, na 37a semana. 

De acordo com Antônio Júlio de Sales Barbosa, ginecologista e obstetra do Hospital Santa Catarina (SP), a pesquisa apenas reforça o que já é sabido entre os obstetras. “São considerados prematuros bebês que nascem com menos de 37 semanas. Mas isso não quer dizer que aquele que chegou até a 37a já possa nascer. Não é bem assim. Eles ainda têm um pequeno cumprimento de maturidade pulmonar a ser vencido – o que acontece entre a 38a ou 39a semana”, diz. 

E o especialista reforça, ainda, que, mesmo na 38a semana, as cesáreas eletivas (agendadas sem necessidade) podem trazer surpresas, ao acarretar em complicações para os bebês, como infecções respiratórias, febre, alteração na temperatura. “Parece que uma semana é pouco, mas para o bebê na barriga é muito”, afirma Júlio. 

Sobre problemas respiratórios, aliás, cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, já haviam mostrado como o risco de complicação acaba sendo maior para quem nasceu antes da hora. Eles avaliaram mais de 230 mil partos feitos entre 2002 e 2008 em hospitais dos Estados Unidos. Cerca de 7 mil bebês tiveram de ser internados em UTIs, sendo que, destes, mais de 2 mil sofreram de problemas respiratórios. Entre os casos de pneumonia, por exemplo, o problema caiu de 1,5% entre os que nasceram de até 38 semanas para 0,1% na 39ª semana. 

No Brasil, a maioria dos nascimentos na rede particular ainda é feita por cesáreas. O maior problema é o crescente número de cesáreas eletivas, ou seja, quando a cirurgia é agendada antes de a grávida entrar em trabalho de parto. Um dos riscos envolvidos é a chance de o médico errar no cálculo gestacional e o bebê nascer prematuro. Com isso, a criança deixa de ganhar peso e de amadurecer os pulmões, e ainda corre o risco de precisar ser internada em uma UTI neonatal por conta da prematuridade. “Muitas cirurgias são feitas sem necessidade, apenas por comodismo, tanto dos pais da criança, que querem se organizar melhor, quanto dos médicos, que não precisam desmarcar consultas para realizar um parto a qualquer momento”, diz Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista do Hospital Sírio-Libanês (SP). Nos Estados Unidos, dados do March of Dimes mostram que 543 mil bebês (1 a cada 8) nascem prematuramente.

A situação é diferente quando a mãe entra em trabalho de parto e, no meio do caminho, é preciso realizar uma cesárea. A chance de a criança ter problemas pulmonares é menor porque, durante o processo, segundo Pupo, há uma série de transformações que acontecem na criança que a deixam mais preparada para sobreviver fora do útero. “Não se deve interferir num processo natural, a não ser em casos específicos em que há risco de vida para a mãe e o bebê”. A data provável dos partos é em torno de 40 semanas de gestação. E, se mãe e filho estiverem bem, esse prazo pode se estender até 41 semanas e 6 dias. 

Por que o número de cesárea só cresce?

Por falta de informação , incentivo do médico ou até mesmo por medo do parto normal, as gestantes tendem a acreditar que a cesárea é o tipo de parto mais seguro. Mas os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que é justamente o contrário. Um estudo, que avaliou mais de 100 mil nascimentos em países asiáticos, mostrou que as grávidas que passaram por uma cesárea têm mais de sofrer complicações sérias, que podem levar à morte. Caso a cesárea seja realizada antes da mulher entrar em trabalho de parto e sem indicação médica, os riscos são 2.7 vezes maiores do que no parto vaginal, segundo as estatísticas. Já no caso dos partos cirúrgicos feitos antes do trabalho de parto, mas com indicação médica, o número cai para 2.1. 

Ainda assim, se numa roda de conversa com outras mães, você perguntar quem teve parto normal, vai perceber que as estatísticas sobre o parto cesárea no mundo são mesmo alarmantes. Dados do The NHS INformation Centre, na Inglaterra, por exemplo, mostram que 25% dos partos no Reino Unido, entre 2008 e 2009, foram cirúrgicos. Já nos Estados Unidos, em 2005, esse índice já era de 30,2%. No Brasil, os números são ainda mais assustadores. Somente no SUS, 33,25% dos partos realizados em 2008 foram cirúrgicos, de acordo com o Ministério da Saúde, o que representa cerca de 655 mil cesáreas. Todos esses dados contrariam a recomendação da Organização Mundial de Saúde, que determina que esse tipo de parto represente somente entre 10% e 15% do total realizado em um país. 


Os benefícios do parto normal

Para o bebê: esse tipo de nascimento é bom porque segue o processo natural. Ela nasce na hora certa, a não ser nos casos de prematuros. Existem várias evidências e especulações de que o trabalho de parto não é meramente uma atitude física de expulsão do bebê, e sim uma alteração de padrão hormonal em que há liberação de hormônios pela mãe e bebê que sinalizam que o momento de nascer está chegando. Outro beneficio é que o tórax do bebê é comprimido ao passar pelo canal de parto, o que faz com que ele expulse secreções das vias respiratórias, tornando-o mais adaptado a respirar. 

Para a mãe: além do aspecto psicológico, da satisfação da mulher em poder dar à luz, a recuperação é mais rápida e são menores as chances de complicações após o procedimento, como sangramentos ou infecções, por exemplo.
  

Quando a cesárea é realmente necessária? 

-->Quando a placenta cobre parcial ou totalmente o colo do útero, impedindo a saída do bebê, a chamada placenta prévia; 

--> Caso a mãe tenha herpes genital com lesão ativa até um mês antes do parto; 

--> Em casos raros de doenças cardíacas; 

--> Se o bebê está atravessado, mas antes é possível tentar ajudá-lo a ficar na posição correta; 

--> Nos casos em que a gestante tenha aids com varga viral muito alta ou desconhecida; 

--> Quando há descolamento prematuro de placenta; 

--> Se a abertura do colo da mãe é pequena para o bebê, algo que ocorre em menos de 5% dos partos; 

--> Nas situações em que o cordão umbilical penetra no canal de parto antes do bebê; 

--> Se há diminuição drástica no fluxo de oxigênio ou nos batimentos cardíacos, o que ocorre em apenas 1% dos partos. 

Fonte: 300 respostas da Crescer sobre gravidez



Lista de Riscos da Cesariana

Para o bebê:
  1. Risco de complicações e desconforto respiratório
  2. Demora maior para o leite "descer"
  3. Maior probabilidade de aspiração com cânulas no bebé após o parto (vias aéreas e orais)
  4. Risco de morte 10x maior para o bebé
  5. Grande probabilidade do bebé ficar longe da mãe após nascer
  6. Maior risco de infecção neonatal por aspiração de mecónio
  7. Maior dificuldade no aleitamento
  8. Maior probabilidade de desmame precoce
  9. Lesão do bebé (na hora da cesariana)
  10. Maior risco de morte fetal inexplicável no final da gestação seguinte
  11. Dificuldades de vínculo com a mãe
  12. A mãe pode precisar de analgésicos fortes para aliviar a dor no pós-parto e estes podem passar para o bebé através do leite
  13. Maior risco de internamento do neonato em UTI
Para a mãe:
  1. Risco de ruptura uterina aumentada no próximo parto, caso sejam utilizadas oxitocina artificial no soro e/ou anestesia.
  2. É difícil encontrar um médico que faça partos normais após cesarianas pois são dependentes das drogas citadas acima
  3. Risco de morte 4x maior
  4. Risco de infecção hospitalar
  5. Pós-parto demorado e dolorido.
  6. Depois o desconforto da cirurgia, a dor, a maior dependência de outras pessoas para cuidar do bebé.
  7. Dificuldades para engravidar posteriormente, maior risco de infertilidade posteriormente
  8. Risco de endometriose
  9. Risco de hemorragias, transfusões e morbilidades provocadas por transfusões
  10. Sensibilidade na cicatriz a longo prazo (coceira, dor, sensação de estiramento, etc.)
  11. Dormência na região entre a cicatriz umbilical e corte cirúrgico.
  12. Formação de Aderências
  13. Aumenta as probabilidades do próximo parto ser cesariana
  14. Lesão no intestino (na hora da cesariana)
  15. Maior Risco de trombose doenças correlatas (incluindo embolia)
  16. Risco de acidentes com anestesia
  17. Risco da anestesia não pegar e ter que fazer uma anestesia geral
  18. Maior incidência de Inserção Baixa de Placenta
  19. Maior probabilidade de Acretismo Placentário
  20. Histerectomia (perda do útero) devido ao sangramento
  21. Maior necessidade de transfusão sanguínea
  22. Morte materna devida a hemorragia, consequente a inserção baixa de placenta
  23. Maior risco de atonia uterina
  24. Maior risco de embolia pulmonar
  25. Maior risco de trombose venosa profunda
  26. A próxima gravidez não mais será de baixo risco
  27. Risco de reiteradamente, recuperação por infecção da cicatriz, deiscência de pontos, sangramentos, etc.., com consequente afastamento do bebé
  28. Dificuldades de vínculo com o bebé
  29. Não realização da plenitude da maternidade.
  30. Maior índice de depressão pós-parto
Se a cesariana foi feita antes do trabalho de parto, marcada com antecedência pelo médico, além dos riscos acima podemos adicionar:
  1. Risco de prematuridade do bebé
  2. Um desrespeito monstruoso e uma tremenda violência à mãe e ao bebé
  3. A perda da oportunidade da primeira descoberta de sua própria força e capacidade de luta
  4. A perda da energia que estava sendo guardada para o momento do parto, que gera frustração
  5. A perda da oportunidade de vivenciar uma situação que lhe daria noção de foco, de fazer esforço numa direcção e sentido correcto
  6. Quem convive com essas consequências de uma desnecesaria, aprende as verdades da vida de uma forma muito dolorosa... e demorada.
  7. Segundo os astrólogos (para quem curte o tema), o bebé nasce com uma dualidade na personalidade (situação astrológica natural x situação astrológica forçada)

    terça-feira, 11 de setembro de 2012

    Palestra da parteira Ina May Gaskin sobre Parto Natural

    Ina May Gaskin é uma parteira americana que combina a prática do parto tradicional com um profundo interesse e respeito pela psicologia e fisiologia humanas. Desde a década de 60, quando viajava em grupo em busca de uma terra onde pudessem se assentar, até os dias de hoje, Ina May e suas colegas parteiras já atenderam a mais de 3 mil partos domiciliares na comunidade onde vivem, no Tenessee, EUA. Ela é autora de dois livros best sellers, "Spiritual Midwifery" e "Ina May's Guid to Natural Childbirth". É uma conferencista aclamada em todo o mundo e mistura um aguçado senso crítico com uma boa dose de humor inteligente. 
    (http://www.maternidadeativa.com.br/inamay.html)


    Tenho muito apreço pela palestra abaixo, além da grande qualidade, foi o primeiro vídeo que me puxou para o mundo da humanização do parto e da maternidade, anos atrás. Esse vídeo já foi postado em vários blogs, e a Flavia Mandic traduziu seu áudio para o português para que mais pessoas pudessem ter acesso. Não satisfeita apenas com o texto escrito, eu usei a tradução da Flavia (com algumas adaptações minhas) e coloquei em legendas, para que todos possam aproveitar a genialidade dessa parteira.

    Ina May defende que o parto é uma experiência natural do ser humano, e que tudo flui mais fácil se estamos acolhidas em um ambiente ideal (e com boas emoções) e podemos nos entregar ao momento. Ela nos fala dos hormônios do amor, de nossa capacidade de introjetar o novo, da timidez de nossos esfincteres e de como nossa cabeça (e uma assistência ruim) podem travar o parto. Ina May nos lembra que também somos mamíferas, e que guardamos os mesmos instintos de proteção e fuga dos animais. Tantas reflexões importantes que hoje são tão esquecidas no ambiente médico. Vale a pena assistir à palestra!

    *a legenda fica melhor visualizada na opção de tela média (entre a pequena tradicional e fullscreen, é só clicar lá no youtube)

    Parte 1


    Parte 2


    Parte 3




    *Um vídeo extra com uma entrevista com ela, também legendado

    A Mayra Calvette, enfermeira obstetra (parteira) brasileira que acompanhou o parto domiciliar da Gisele Bundchen está produzindo um documentário chamado "Parto pelo Mundo", e a Ina May é uma das entrevistadas. Mais reflexões interessantes:






                                                 "Nós não queremos nossas mães assustadas, nós queremos que elas tirem da experiência de parto uma sensação do seu poder". Ina May Gaskin



    Questionário para detectar se o seu médico é cesarista

    Infelizmente no Brasil muitos médicos não passam a informação correta (baseada em evidência científica) e atualizada para as gestantes, e muitos usam argumentos FALSOS e mentirosos para enganar uma mulher, fragilizando-a para leva-la a uma cesariana desnecessária.
    Por isso no Brasil temos que estar bem munidas de informações, e fazer perguntas pertinentes ao médico para "sentir" se ele é do tipo que vai te passar a perna na reta final. (Geralmente as doulas da sua cidade sabem quais médicos são mais humanizados, e se o seu atual médico não está na lista delas, desconfie!).

    Encontrei esse questionário no grupo Gravidez, Parto e Maternidade do orkut (que hoje está no facebook https://www.facebook.com/groups/149080898559946/) e achei bastante útil para que as mulheres fixem em suas mentes as informações importantes.




    Médicos "vaginalistas", aqueles que "fazem" (quem faz de fato o parto é a mulher né) parto (a)normal, cheio de intervenções, mas não te enfiam uma cirurgia goela abaixo a qualquer custo, geralmente dão respostas perigosas, para garantir uma boa experiência de parto, não se apegue ao seu médico "fofinho", da família, nem ao seu plano de saúde, vá atrás de quem realmente vai te ajudar a ter essa experiência única respeitada, não tenha medo de trocar de médico quantas vezes forem necessárias, lembre que o parto é seu!

    Questionário 1:

    1) Até quantas semanas você espera o meu parto? 

    resposta certa: até 42 semanas (ou 41 semanas mais alguns dias)


    resposta perigosa: até no máximo 41 semanas

    resposta cesárea garantida: até 40 semanas

    2) Se eu chegar nessa data limite, com o colo do útero fechado e grosso, o que acontece?

    resposta certa: podemos induzir no hospital


    resposta perigosa: a gente "tenta" induzir no hospital.

    resposta cesárea garantida: a gente faz a cesárea

    3) Quanto tempo você espera até a indução pegar e eu conseguir um parto normal? 

    resposta certa: pode levar até 48 horas, se o colo estiver fechado


    resposta perigosa: de 10 a 24 horas

    resposta cesárea garantida: menos que 10 horas

    4) Se a bolsa romper sem trabalho de parto, qual é a sua conduta?

    resposta certa: espera em casa até entrar em trabalho de parto, até umas 48 horas depois da bolsa romper, vamos monitorando o bem estar seu e do bebê


    resposta perigosa: espera em casa até entrar em trabalho de parto, até umas 12 horas depois da bolsa romper, depois vai pro hospital induzir

    resposta cesárea garantida: vai direto para o hospital, que a gente vai ter que induzir (ou fazer uma cesárea)5) Até quantas horas pode durar o meu parto depois dos 4 ou 5 cm de dilatação?

    resposta certa: só Deus sabe! de 2 horas até 2 dias


    resposta perigosa: 7-12 horas

    resposta cesárea garantida: qualquer número menor que 7 horas

    6) Até quantas horas pode demorar para o bebê nascer depois que eu chegar nos 10 cm de dilatação?

    resposta certa: só Deus sabe! de 2 a 6 horas, mas já tive casos de 10
    horas...

    resposta perigosa: de1 a 2 horas

    resposta cesárea garantida: qualquer número menor que 1 hora

    7) Diante de quais situações você indica cesárea? (qualquer uma dessas
    assinaladas está errada)


    ( ) se tiver mecônio no líquido amniótico

    ( ) se o bebê for maior que 4 kg

    ( ) se o bebê for maior que 3,5 kg

    ( ) se tiver circular de cordão no pescoço do bebê

    ( ) se minha pressão subir

    ( ) se eu não tiver dilatação com 40 semanas e o bebê estiver alto

    ( ) se meu trabalho de parto estiver muito demorado, mas o bebê
    estiver bem

    ( ) se o bebê tiver desacelerações do coração durante as contrações
    (mas não tiver nos intervalos das contrações)




    Você que está grávida, questione, pergunte, desconfie, se informe!!!


    O site "Amigas do Parto" também tem um questionário bem humorado (daquele estilo de revista adolescente)  pra gente "testar" (claro que não vamos levar o questionário para o médico) nosso obstetra. Vale a pena pensar nas questões dele também, foi elaborado pela obstetriz Ana Cristina Duartehttp://www.amigasdoparto.com.br/teste.html



    Essa é uma lista bem humorada de perguntas a se fazer ao seu obstetra. Na verdade é um teste para verificar que tipo de médico ele é: do mais intervencionista ao mais liberal. Apesar do tom informal, as "respostas certas" foram inspiradas nas evidências científicas e nas recomendações da Organização Mundial da Saúde.

    Questionário 2:

    1) Qual a sua postura em relação à "cesárea x parto normal"? 
    a) O parto normal é o melhor, mas só dá para saber na hora.
    b) Hoje em dia não faz sentido ter bebê por parto normal, com as técnicas de cirurgia tão avançadas e seguras. A recuperação é rápida e graças aos novos antibióticos, antinflamatórios, antitérmicos e analgésicos, você pode ter uma vida quase normal em menos de 2 meses.
    c) O parto normal é melhor, mas na sua idade (ou com o seu peso, ou nessa época do ano, ou para uma pessoa sensível como você) a cesárea é mais garantida.
    d) O parto normal é melhor e pelo menos 90% das mulheres podem dar à luz naturalmente. Você também tem tudo para ter um parto normal e nós vamos nos preparar para isso!

    2) Quais intervenções no parto você considera essenciais? 

    a) O que eu uso nos partos é o soro com ocitocina (hormônio) para acelerar as contrações, episiotomia (corte no períneo) e rompimento da bolsa aos 5 cm de dilatação. Mas às vezes tenho outras idéias durante o parto. Depende do dia e dos meus compromissos.
    b) Eu uso as intervenções apenas em raros casos, até porque a maioria delas podem ter efeitos colaterais indesejáveis. A natureza pensou em tudo, para a grande maioria das mulheres.
    c) Só a anestesia, porque acho que a mulher não deve sentir dor. O resto varia de mulher para mulher.
    d) Só a episiotomia, porque o parto pode destruir a vagina da mulher e provocar incontinência urinária.

    3) Em que posição posso dar à luz? Posso ter um parto de cócoras? 
    a) Ra ra ra ra.... Parto de cócoras? Você não é índia, é? A mulher de hoje não tem musculatura para ficar de cócoras. Você quer ser partida ao meio, minha filha?
    b) Semi-reclinada, pois no centro obstétrico da maternidade onde atendo, tem uma mesa de parto que permite que a paciente eleve um pouco as costas.
    c) Da forma que você se sentir mais confortável, podendo ser de cócoras, de quatro, de lado ou de outro jeito que você inventar. A única posição que eu procuro não incentivar é deitada, porque o bebê pode ter o suprimento de oxigênio comprometido.
    d) Como assim? Existe outra posição para dar à luz que não seja deitada?

    4) Qual será sua postura caso eu recuse alguns procedimentos que você esteja recomendando?
    a) O parto é seu. Você decide o que é melhor. Se eu indicar um procedimento, vou te explicar porque, vantagens e desvantagens, mas quem tem que resolver é você.
    b) Eu não recomendo procedimentos. Eu faço. Na hora do parto você não tem condições de discutir o que é bom para você. Aliás, desde o início da gravidez a mulher tem o comportamento alterado, bem como a capacidade de discernimento.
    c) Eu terei que abandonar o atendimento e chamar um plantonista, pois não quero me responsabilizar pelas desgraças que podem acontecer ao seu bebê.
    d) Você não tem o direito de recusar um procedimento que está sendo prescrito para o bem do seu bebê.

    5) Até quanto tempo você espera na gestação, antes de indicar procedimentos por "passar da data"?
    a) Eu espero até 40 semanas. Depois disso faço a cesárea. Nem tento a indução, porque é tempo perdido. Ou você prefere arriscar a vida do seu filho e viver com esse peso pro resto dos seus dias?
    b) A gestação normal vai de 38 a 42 semanas. O que eu proponho é um cuidado mais intenso depois que passa de 41 semanas. Mas a princípio, enquanto o bebê e a placenta estiverem bem, eu não faço nada. Passadas 42 semanas, podemos começar a pensar em indução do parto.
    c) Eu espero até 40 semanas. Depois disso interno para induzir com soro.
    d) Eu espero até 41 semanas e depois interno para induzir com citotec.

    6) Você tem o hábito de pedir permissão e informar tudo o que você acha necessário fazer durante a gestação e o parto? 

    a) Como assim, pedir permissão? Eu estudei 10 anos, trabalho há 15 anos com partos e sei o que estou fazendo. Se for pedir permissão para fazer tudo, vou passar o dia nessa lenga-lenga com minhas pacientes.
    b) Só peço permissão quando acho que o procedimento vai doer.
    c) Não faço nem um exame vaginal sem pedir permissão, pois o corpo é seu, o parto é seu. Meu dever é fazer o melhor, desde que você me permita e entenda o que está acontecendo.
    d) Depende do dia, pois às vezes depois de 2 plantões seguidos, eu fico meio impaciente.

    7) Qual é a sua taxa de cesáreas?

    a) Não sei, não tenho contado ultimamente... Se é alto? Não considero alto, porque hoje em dia as mulheres só querem cesárea. A culpa não é minha. Elas já chegam com uma idéia pré-concebida.
    b) Minha taxa de cesárea é baixa, cerca de 40-45%...
    c) A taxa é de 20%.. De partos normais..
    d) Minha taxa de cesárea está perto de 25%, o que ainda considero alta, mas estou tomando algumas providências para tentar baixar para os 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde

    8) Posso levar meu marido e uma acompanhante (doul a) para o meu parto?
    a) Por mim você pode levar qualquer pessoa que faça você se sentir segura e tranqüila.
    b) Porque? Você vai dar uma festinha no centro obstétrico? Quer ver seu marido desmaiando? Eu acho que um acompanhante já é muito.
    c) Pode levar só o marido, mas só depois que ele fizer a preparação comigo, porque eu quero um aliado, não um inimigo me vigiando.
    d) Não, eu acho que acompanhantes atrapalham, perturbam o ambiente, fazem muita pergunta, deixam a mulher insegura, ficam questionando o médico. Eu não atendo a família, eu atendo a gestante!

    9) Você acha possível um parto normal depois de uma cesárea? 
    a) Você está louca? Quem andou falando uma bobagem dessas para você? Deixa disso, minha filha, isso é coisa de natureba inconseqüente.
    b) É possível, mas tem que usar fórceps para não ter um período expulsivo prolongado.
    c) É possível se o trabalho de parto não passar de 4 horas.
    d) É possível e é uma ótima opção, com grandes chances de dar certo.

    10) Você acha que tendo uma gestação de baixo risco posso ter meu bebê em casa? 
    a) Sim, o local do parto deve ser escolhido por você e seu marido. Se essa f or sua opção, devemos tomar algumas precauções, como ter um hospital relativamente perto para o caso de precisarmos de remoção. Mas geralmente não há necessidade.
    b) Sim, mas eu não atendo partos domiciliares. Posso tentar te indicar um médico que faça.
    c) Você enlouqueceu? Quer matar seu bebê? Quer se matar? Já pensou como é agradável sangrar até a morte com sua família te olhando sem ter o que fazer?
    d) Sim, mas é muito arriscado. Muito mesmo. Você está com idéias muito românticas sobre o parto. Deveria fincar os pés no chão.

    11) Devo fazer um curso de preparação para o parto? 

    a) É bom, não porque você não sabe o que é certo, mas o curso vai te dar dicas preciosas, vai te dar boas sugestões para um parto agradável, vai te dar dicas de amamentação. No mais, você vai entrar em contato com outras gestantes, o que pode ser uma experiência bastante enriquecedora.
    b) Bobagem. Na hora eu te digo o que é certo ou errado. Eu estudei 10 anos, pratiquei mais 15 e te garanto que sei fazer um parto. É só você ficar deitada quietinha que tudo vai dar certo.
    c) Faça apenas o curso do hospital, para saber onde é a entrada, como são as rotinas do hospital, como se comportar e o que esperar.
    d) Tanto faz. Você também pode ler essas revistas para mãezinhas que tem todas as dicas que você precisa de enxoval, decoração, exames médicos e tal.

    12) Quantos exames de ultrassom eu devo fazer ao longo da gestação?
    a) O ideal é fazer em todas as consultas e por isso eu já tenho um aparelho aqui no consultório. A gente já vai vendo a carinha do bebê, como ele se mexe, todas as partes do corpo e tudo o mais.
    b) Você deve fazer pelo menos 4 para ver se o crescimento do bebê está bom.
    c) Eu recomendo fazer o menor número possível de exames, pois ainda não foi totalmente provado que o ultrassom é inóquo. Algumas pesquisas apontam para uma posssível alteraçao no cérebro em bebês que passam por muitos exames na gestação. Só vou pedir esses exames se tivermos que confirmar algum diagnóstico.
    d) O máximo que o seu plano de saúde permitir antes de vir aqui me atazanar a paciência.


    Resultados - some os pontos:
    1- a(2) / b(1) / c(2) / d(3)
    2- a(1) / b(3) / c(2) / d(2)
    3- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)
    4- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
    5- a(1) / b(4) / c(2) / d(3)
    6- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)
    7- a(1) / b(2) / c(1) / d(3)
    8- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
    9- a(1) / b(2) / c(2) / d(3)
    10- a(3) / b(2) / c(1) / d(2)
    11- a(3) / b(1) / c(2) / d(1)
    12- a(1) / b(2) / c(3) / d(1)

    Se seu médico fez entre 12 e 20 pontos: Fuja, saia correndo, ligue dizendo que você não está grávida, era um engano, foi apenas má digestão. Você tem certeza que ele tem um diploma válido em território nacional? Ter um parto com esse médico e sair ilesa é tão garantido quanto acertar na Megasena, sem ter comprado um bilhete.

    Se seu médico fez entre 21 e 30 pontos:
     É melhor você trocar de médico e procurar alguém mais antenado com as novas tendências em atendimento obstétrico. Seu médico pode até ser bem intencionado, mas definitivamente é mal informado. Pode ser que dê um bom ginecologista, mas como parteiro deixa muito a desejar!

    Se seu médico fez entre 31 e 37 pontos:
     O cara é fera, conhece e aplica as recomendações da Organização da Saúde e as evidências científicas. Aparentemente evita procedimentos médicos que podem atrapalhar o trabalho de parto. É respeitoso e honesto. Parece um cara do bem, um bom partido. Me arruma o telefone dele?

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