segunda-feira, 15 de junho de 2015

Nunca dê alimentos para uma criança sem consultar os pais antes - nem de brinde!

Costumo gostar bastante das reflexões da Fernanda, a convidei para postar aqui no blog. Penso que as pessoas tem que parar de dar coisas pras crianças alheias. A mãe passa todo o trabalho de planejar a educação, a alimentação, leva na nutricionista, toma todo cuidado na escolha e preparo, ai vem alguém que se acha no direito de estragar tudo e passar por cima da vontade da mãe, isso é uma desautorização da mãe, e um tremendo desrespeito. Educação alimentar é uma parte muito importante na vida emocional e na saúde física daquela criança/futuro adulto. Aproveitem o texto da Fernanda!


Nunca dê alimentos para uma criança sem consultar os pais antes - nem de brinde!

(Guest Post de Fernanda Rezende Silva)

Em poucas semanas aconteceu quatro vezes: comerciantes tentaram nos "agradar" oferecendo guloseimas ou outras porcarias para a minha filha, por isso resolvi escrever e explicar porque isso não é legal. A nova geração de pais e mães tem consciência dos malefícios da má alimentação mas oferecer alimentos a uma criança sem consultar os pais vai além disso - demonstra falta de educação e respeito com aquela família. 
Para começar: minha filha já come de tudo (inclusive doces) mas não é todo dia - isso é bem regulado de forma que não atrapalhe a alimentação saudável dela. Se vamos numa festinha, ela come brigadeiro? Pode comer sim, não vamos proibir, mas não faz parte da rotina alimentar - isso é uma escolha da família que deve ser respeitada.
A primeira vez que a cena aconteceu foi num restaurante onde fomos almoçar. Fizemos o pedido e o garçom aparece com TRÊS pirulitos e coloca sobre a mesa. Por sorte meu esposo conseguiu esconder os pirulitos antes que nossa filha os visse - se ela tivesse visto claro que ia querer comer pirulito e não iria almoçar (parece um bom motivo evitar doces na hora do almoço, certo?). 
A segunda vez foi num vôo - entramos e a aeromoça já veio dizendo "oi menininha bonitinha, aqui uma balinha". Eu me meti na frente e disse que ela já tinha escovado os dentes e não ia comer bala (no vôo ela iria dormir, ou seja, se comesse bala passaria a noite de dentes sujos). Higiene me parece ser mais um bom motivo para recusar doces. Além da higiene também lembrei dos casos de alergia - por exemplo, crianças alérgicas a leite (a bala era de doce de leite). E se minha filha tivesse alergia? Imagine se a mãe pisca e a criança coloca uma bala dessas na boca - não seria nada legal presenciar uma reação alérgica em pleno vôo. 
A terceira vez foi em outro restaurante, na hora do jantar. Pedimos peixe com arroz e salada e daí mandam batata frita de brinde só porque viram que tinha criança na mesa, sem nos perguntar antes se podiam fazer isso. Se minha filha comesse batatas fritas não iria jantar, e nós escolhemos o prato com todo cuidado para não vir batata frita - não foi nada agradável ter que devolver a batata frita nesse restaurante. Ainda sobre restaurantes: não entendo porque todo prato kids dos menus vem com batata frita - já está passando da hora dos chefs revisarem esses cardápios e pelo menos incluírem uma opção mais saudável como alternativa à batata frita. 
A quarta vez que o fato aconteceu foi em uma loja de roupas infantis. Sem falar nada comigo antes, a vendedora coloca um pirulito na mão da minha filha. Naquele dia não era hora de almoçar, nem tinha acabado de escovar os dentes, mas eu tinha um motivo para não gostar da cena: não quero que minha filha cresça achando que é normal aceitar qualquer alimento de um estranho. Isso não é normal, não é saudável, não é seguro. Logo que as crianças entram na escola começam as recomendações do tipo "não aceite bala nem qualquer alimento de gente estranha". Porque os pais dizem isso? Porque sabem que tem gente mal intencionada em todo lugar. Trocar meia dúzia de palavras não faz um vendedor deixar de ser estranho, então na cabeça de uma criança ela estaria sim aceitando doce de um estranho e eu não quero que minha filha veja isso como algo normal. 

Acho que deu para perceber que meus motivos vão muito além de ser "fresca" com a alimentação da minha filha, mas mesmo se o motivo fosse só esse ainda assim deveria ser respeitado. A quantidade de crianças obesas e diabéticas em nosso país só aumenta - se bons hábitos alimentares começassem na infância seria muito mais fácil evitar essas doenças (e muitas outras).
As pessoas deveriam então parar de oferecer qualquer alimento para crianças? Seria o ideal, mas para começar tem algo mais simples que todos já podem fazer e agrada todos os tipos de pais: SEMPRE consulte os pais antes de oferecer qualquer coisa a uma criança - uma medida simples como essa evita muitos problemas, demonstra bom senso e pode ser o detalhe que realmente fideliza um cliente Leitura complementar: "Sem açucar, com afeto - por que não dar açucar para o bebê" http://nutricionistainfantil.blogspot.com.br/2012/07/sem-acucar-com-afeto-ou-porque-nao-dar.html?spref=fb

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