quinta-feira, 23 de junho de 2016

10 Dicas para uma Introdução Alimentar de Sucesso com seu bebê!


10 Dicas para uma Introdução Alimentar de Sucesso com seu bebê!

Lista de sugestão de alimentos até os 12m

Não somos mães perfeitas e fazemos o possível. Essas dicas são mais para ajudar e menos para virar uma cobrança. 






VEJA O VÍDEO ABAIXO



10 Dicas para uma introdução alimentar saudável para o seu bebê! (o vídeo é mais comentado mas o resumo das dicas segue por escrito também)


1 - Estudos científicos tem comprovado que fatores nutricionais e metabólicos em fases iniciais do desenvolvimento humano têm efeito em longo prazo para toda a vida adulta. Isso quer dizer que os primeiros anos de alimentação do bebê são absolutamente essênciais para determinar como o corpo dele vai funcionar, e como será sua saúde na vida adulta. Agressões alimentares nessa primeira fase de vida, tão suscetível, podem causar efeitos negativos no futuro. Melhor garantir um futuro saudável para nossos filhos.

2- O leite materno continua sendo a principal fonte de nutrientes para o bebê até 1 ano de vida. A alimentação a partir dos 6 meses é complementar. A introdução dos alimentos só deve ser iniciada aos 6 meses, antes disso o bebê possui mais chances de desenvolver alergias alimentares e eczemas, pois o sistema digestivo da criança não está pronto para receber outros tipos de alimentos ainda. A partir do sexto mês o bebê começa a produzir enzimas digestivas em quantidades suficiente que permitem que ele aos poucos receba outros alimentos. A maturidade fisiológica e neurológica acompanha a habilidade de sentar e agarrar objetos. O bebê passa a não ter tanto o reflexo de empurrar a língua para frente. Mesmo o bebê que não mama no seio materno, e toma apenas fórmula láctea, mesmo este não deve introduzir os alimentos antes dos 6 meses (como de forma muito errada e irresponsável muitos pediatras vem indicando), essa é a instrução dada pela própria Sociedade Brasileira de Pediatria, baseada nos estudos mais recentes - o bebê deve continuar apenas com fórmula até os 6 meses, caso o leite materno não seja possível.

3 - Após os 6 meses o bebê deve receber alimentos complementares um a um, como caráter de teste, para aos poucos ir diversificando. Deve se ofertar os alimentos 3x ao dia para bebês que mamam no seio, e 5x caso não mamem mais. Se a criança recusar um alimento, deve-se oferecer novamente em outras ocasiões. É normal que leve-se até mesmo 10 exposições do mesmo alimento para que a criança passe a aceita-lo. Oferecer frutas como sobremesa é válido após as refeições principais pois ajuda na absorção do ferro presente nos alimentos vegetais como o feijão e as folhas verde-escuras.

4 -A capacidade gástrica da criança é pequena, e após os 6 meses é em torno de 20 a 30ml/kg. Por exemplo, uma criança com 7kg, tem uma capacidade gástrica em torno de 200ml, para cada refeição
.
5 -Não, a criança não precisa nem deve "experimentar" tudo que a família come, por exemplo iogurtes industrializados, queijinhos, bebidas alcólicas, achocolatados, sorvetes, biscotos recheados etc. A criança deve ser protegida de "experimentações" que não façam bem a ela.

6 - Nunca brigue com a criança para que ela coma tudo o que VOCÊ quer que ela coma. Não o obrigue a comer até o fim caso ele esteja dando claros sinais de já estar satisfeito. Geralmente somos ansiosas e esperamos que elas comam mais do que de fato precisam. Forçar o bebê a comer pode fazer com que ele aceite cada vez menos. Cuide para não transmitir sentimentos de frustração para a criança, e nem passe a mensagem de que ela será mais amada caso coma além do seu limite.

7 -Crianças tem personalidades diferentes e nem tudo que funcionou com um funciona com o outro. O paladar de cada um é único, e o apetite também pode variar.

8 - O leite de vaca integral, por várias razões, entre as quais o fato de ser pobre em ferro e zinco, não deverá ser introduzido antes dos 12 meses de vida. É um dos grandes responsáveis pela alta incidência de anemia ferropriva em menores de 2 anos no Brasil.

9 - Os sucos naturais devem ser evitados, mas se forem administrados que sejam dados no copo, de preferência após as refeições principais, e não em substituição a estas, em dose máxima de 100 mL/dia (manual SBP). Dê preferência a fruta in natura, sucos se transformam em açucar no organismo e contém poucas fibras.

10 - Alimentação não é apenas para o corpo, deve nutrir o emocional também. Faça desse momento algo alegre, interessante, tranquilo. Se alimentar não é apenas encher o estômago, permita que a criança se relacione com o alimento, não a alimente usando distrações, participe do momento. Deixe a criança se sujar e explorar a experiência.



Lista de alimentos que USEI e que "proibi" no primeiro ano de vida da minha filha. Apenas para ajudar a mostrar a variedade de opções do que o bebê pode comer.

VÍDEO COM A LISTA COMENTADA 



A LISTA



 Algumas explicações sobre o que NÃO PODE:

AGROTOXICOS: Segundo estudos da Fiocruz os agrotóxicos podem causar danos à saúde extremamente graves, como alterações hormonais e reprodutivas, danos hepáticos e renais, disfunções imunológicas, distúrbios cognitivos e neuromotores diversos tipos de câncer. Muitos desses efeitos podem ocorrer em níveis de dose muito baixos, como os que têm sido encontrados em alimentos, água e ambientes contaminados. Nem adultos deveriam consumir, mas o organismo de um bebê é muito sensível e suscetível a influências externas e deve ser prepservado ao máximo, assim evitamos mesmo aquele moranguinho gostoso ou um tomate. Se pudermos plantar em casa ou comprar orgânico, ai tudo bem!

LEITE DE VACA (e qualquer laticínio, queijos inclusos): Não são recomendados pela pediatra até 2 anos de vida. É um dos alimentos que mais causa alergias, a criança pode passar mal com náuseas e vômitos. É um alimento que predispõe a inflamações (otites, ficar encatarrada etc). Além disso o leite de vaca impede a absorção de ferro dos outros alimentos, deixando a criança propícia a ter anemia. Lara teve reação alérgica.

CAFEÍNA – café, chá mate, cacau – extremamente estimulante para o bebê, e atrapalha a absorção de vários nutrientes importantes como o ferro. Anemia na infância prejudica o desenvolvimento cerebral.

SAL: Sal é sódio e iodo, o sódio em excesso faz mal pra saúde, sobrecarrega os rins e altera a pressão. O sódio já está presente intrinsecamente em quase todos os alimentos que consumimos.

GLUTAMATO MONOSSÓDICO (presente em caldos de legumes, temperos prontos, shoyu, sopas prontas, diversos industrializados etc): é uma toxina que estimula suas células a ponto de danificá-las ou mata-las. Age em células cerebrais podendo causar dores de cabeça, depressão, palpitação cardíaca, sonolência, fraqueza.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Rótulos na Infância - Formação da nossa Identidade

Aconteceu algo no parquinho,  e parei pra pensar nessas questões. Vim contar minhas reflexões pra vocês!



Na sua infância, como sua família te chamava?
Seus professores, colegas? Quem você era? Você era o problemático? A estudiosa? O corajoso? A princesa? Você era preguiçoso? Você era a boazinha? Teimosa? Estabanada? Coitadinho? A responsável e mais madura que os outros? O caso perdido?
Você se sentiu marcado pelas coisas que diziam a seu respeito?
E enquanto adulto, como vai seu senso de identidade? Você sente necessidade de se identificar com alguns grupos?
Esses rótulos te limitaram na vida? Fizeram de você mais tímida ou mais raivosa? Te impediram de ir atrás de sonhos por não acreditar que conseguiria?

Deixe um comentário, conte como foi pra você? Vamos falar sobre isso!!



Deixo como sugestão um trecho do documentário Tarja Branca que fala sobre a importância de preserva a infância, o brincar, o direito de ser o que se é! https://www.facebook.com/mariafarinhafilmes/videos/886427971428534/


sábado, 11 de junho de 2016

Suplemento de FERRO para o bebê - Precisa dar?

Primeiramente – Converse com seu pediatra e/ou nutricionista, e tomem uma decisão informada juntos. Meu post não é para decidir por ninguém! Olhe individualmente para o caso do seu bebê!
Veja o vídeo para maiores explicações:



Resumão
1 -Bebês que podem precisar de ferro
- prematuros
- nascidos fora do termo (cesáreas eletivas)
- abaixo de 3kg
- mães que tiveram anemia e diabetes na gestação
- tomam complemento
- tiveram introdução alimentar precoce
- consomem laticínios antes de 1 ano

2 -Bebês que talvez não precisem suplementar ferro
- Nascidos a termo
- Nascidos de parto humanizado onde o cordão não foi cortado imediatamente
- Acima de 3kg (junto com ter nascido a termo)
- Mãe com gestação saudável
- Amamentados no seio
- Não consomem laticínios



Suplementação de ferro na introdução alimentar do bebê é um protocolo geral da Sociedade Brasileira de Pediatria pois em nosso país muitos bebês se enquadram na lista 1, temos altos índices de cesáreas desnecessárias, o cordão umbilical é cortado imediatamente ao nascimento, muitos bebês nascem com baixo peso, pediatras que não apoiam amamentação e orientam complementar no primeiro espirro, pediatras e família pressionando pra introdução alimentar precoce, uso indiscriminado de laticínios, etc. Ai acaba que a maioria dos bebês precisam de suplementação de ferro SIM.  Mas nem todo bebê precisa, e é preciso  uma boa avaliação clínica para decidir isso; e não necessariamente pedir exame de sangue do bebê.

Se você quer ver o vídeo de um PEDIATRA falando sobre isso, veja aqui
https://www.youtube.com/watch?v=sMf2gMdhkgQ

Artigo em inglês que dei uma lida e explica essas questões.
http://kellymom.com/nutrition/vitamins/iron/

Esperar para cortar o cordão umbilical evita anemia no recém nascido
http://www.bolsademulher.com/bebe/8318/cortar-o-cordao-umbilical-na-hora-certa-evita-anemia-em-recem-nascido

quinta-feira, 2 de junho de 2016

CHUPETA - Dar ou não? Dedo e amamentação x chupeta e mamadeira. (Vídeo)

Nesses dois vídeos eu explico um pouco a questão da fase oral do bebê. Como entender se o problema é mesmo ele chupar o dedo ou se ele não foi atendido nas necessidades dele.

E aquelas coisas que sempre nos falam, o que rebater, são verdade mesmo? Tirar o dedo é mais dificil? Chupeta acalma? Que prejuízos a chupeta pode causar? Dedo é melhor? Mamadeira atrapalha a amamentação?
Assista e repasse a informação se gostar!
(no fim do post um link para informação de qualidade, bem explicada, dada por uma odontologa.)




quarta-feira, 25 de maio de 2016

segunda-feira, 21 de março de 2016

O Mais COMPLETO GUIA sobre PARTO DOMICILIAR

Tirando dúvidas sobre o tal PARTO EM CASA


Recebi alguns pedidos de esclarecimentos sobre Parto Domiciliar, e resolvi reunir todas as dúvidas em uma série de vídeos divididos em 7 partes.
Não tenho a pretensão de esgotar o assunto, mas tentei focar nos principais questionamentos sobre o assunto, a fim de desmistificar esse "tipo" de parto.
Além de assistir aos vídeos, sugiro que se você está interessada em ter um parto em casa, veja vídeos de partos domiciliares (você encontra alguns na sessão "vídeos" aqui do blog), mas tenha em mente que os vídeos são edições, e muitas vezes romantizam a situação. Além dos vídeos mini documentários e filmes como "O Renascimento do Parto" colaboram para os esclarecimentos
Para algumas mulheres o parto domiciliar vai parecer a melhor opção, e tendo acesso a uma equipe que atenda na região, pode ser uma ótima escolha. Porém nem toda mulher se sente confortável com parir em sua casa e muitas vão, com todo o direito, preferir os hospitais.
Nada "garante" um parto, mas em casa ou no hospital, tendo acesso a equipes humanizadas aumentamos nossas chances de ter uma experiência respeitosa. No final o parto é com a mulher, mas até o momento do nascimento trilhamos uma senda de escolhas.

Ao Final do post colocarei alguns links de referência para bons textos que colaboram pro esclarecimento de tudo isso. Colocarei uma espécie de "índice" ao que é falado em cada um dos vídeos, assim você pode ir direto para a sua dúvida se preferir.
Gostaria de deixar claro que não sou médica, nem enfermeira, nem obstetriz. Estou apenas comentando com base no que li e vivenciei, mas estou aberta a correções.



  • Parte 1 - O que é o parto domiciliar? Introdução
 É Moda? É um retrocesso? Parto em casa é sinônimo de parto sem assistência?
Histórico.. e antigamente? As mulheres morriam de parto?
Não é simplesmente ter o bebê em casa












  • Parte 2 - Quem são os profissionais capacitados pra atender um parto domiciliar?
    Que mulheres são elegíveis para esse tipo de parto? Quais condições necessárias?
    As polêmicas em torno do parto domiciliar... ele é mais arriscado? e aquela mulher que "morreu de parto em casa"? O que responder?
    Os casos individuais e a cultura do "ouvi falar".





  • Parte 3 - A pirâmide de evidência científica
    O que dizem os estudos mais relevantes ao redor do mundo?
    Números, dados, fatos, pesquisas. Nesse vídeo eu apenas enumero e comento os principais estudos 











  • Parte 4 -  Quem está presente no parto domiciliar?
    Enfermeiras obstetras, Médicas obstetras, Obstetrizes, Doulas, pediatra, parentes?
    O que as principais entidades da área de saúde dizem a respeito do parto domiciliar? OMS, ACOG, etc.








  • Parte 5 - O parto que começou em casa tem que terminar em casa?
    Como a equipe avalia se tá tudo bem com o parto?
    Muitas vezes o parto hospitalar em sistema de plantão é mais inseguro do que o parto domiciliar com equipe.
    Hospital serve para emergências.
    É preciso esterelizar a casa? E as bactérias?
    Que materiais a equipe leva para o atendimento domiciliar?
    Os custos do parto domiciliar.





  • Parte 6 - E se acontecer alguma coisa?
    Que riscos corremos, como solucionar. Não existe risco 0
    O Parto domiciliar é uma escolha consciente
    10% dos partos domiciliares planejados terminam no hospital
    E o tempo de chegar até o hospital?
    A importância de ter um backup e um plano B e C, e ter um hospital de referência








  • Parte 7 Final - Algumas dúvidas frequêntes.
    Como é depois que o bebê nasce.
    Crianças (irmãos mais velhos) no parto.
    E as vacinas? E para registrar o bebê?
    Por que ter um parto em casa? Algumas mulheres sentem-se mais a vontade.
    Parto em casa é ter liberdade.


    E VOCÊ? Por que quis ter um parto domiciliar??? (comente se quiser!) 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Espera só o próximo pico de crescimento pra você ver!

"Você diz isso por que nunca teve que lidar com... "



Exista uma categoria de mães que é a mãe do “espera só

Quando você não tem filhos e fala alguma coisa coerente sobre criação de filhos, ela vai te dizer “espera só até você ter filhos”

Quando você tem um filho e ele tem alguns meses e você comemora alguma coisa, ela diz “espera só quando fizer um ano”
Quando seu filho de 2 anos te traz satisfação com alguma atitude, ou faz você ter orgulho de si mesma, a sua amiga que tem um filho um pouco mais velho vai dizer “espera só quando tiver 4 anos, ai sim você vai ver”.

É a mãe do eterno “sabe nada inocente”, você nunca pode saber nada, comemorar nada, viver nada na sua própria maternidade. Ela sempre viveu mais, sabe mais, e prenuncia alguma coisa sempre terrível/estraga prazer pro futuro da sua maternidade.
É a mesma que fala pra grávida “dorme agora porque quando nascer nunca mais”

Se seu filho dorme bem, num futuro próximo ele dormirá muito mal
Se ele come bem, num futuro próximo fará uma terrível greve de fome
Se seu filho é tranquilo, ele ainda vai virar uma peste nos “terrible ,2/4/6” – insira o número que achar melhor.
Você nunca pode estar satisfeita, sempre tem que haver um anúncio de tragédia num futuro próximo daquela que é mãe a mais tempo.

Depois tem as mães de 2.
Você não pode estar cansada nunca com seu filho único, ela sempre vai cantar a bola que sua vida é uma moleza, que você “sabe nada inocente”, não sofreu o suficiente, duro mesmo é criar dois. É uma competição eterna. Dorme mal? A de dois dorme muito pior! Acha difícil sair na rua? A de dois não põe o pé pra fora! Não tem paz nem sossego? Paz é conseguir fazer xixi, o que que você tá reclamando, até lavou o cabelo hoje!
(sim eu imagino que deve ser bemmm mais difícil e as mães de 2 tem toda minha empatia ok!)

As mães de 3 eu acho que já desistiram desse “jogo”, geralmente são mais empáticas...

É gente, tem sempre a mãe do “espera só”, profeta da infelicidade, anunciadora do “ta dando certo agora mas depois vai dar errado”, arauto da “não canta a felicidade agora porque só vai piorar”. Enfim, tem sempre a jogadora de balde de gelo na maternidade alheia, sempre um passo acima na escada dos filhos, tratando você como idiota por que esta feliz com alguma coisa ou está numa fase boa com o filho. Menos, por favor...


sábado, 26 de dezembro de 2015

Efeito irritação - para minha bebê quase criança de 17 meses.

Para minha filha de 1 ano e 5 meses sobre seu dia agitado, que teve sono e cansaço acumulado e uma bebê muito irritada!



Hoje seu dia foi todo estranho, você que gosta tanto da rotina, de prever passo após passo o que vai acontecer – isso te dá tranquilidade, e seu relógio biológico já está acostumado. Mas hoje foi um furacão.

Você foi tirada da cama mais cedo do que está acostumada, você sempre despertou naturalmente. Não tomou seu café da manhã como sempre toma, sentada na mesa, não dava tempo. Trocou de roupa as pressas, entrou no carro, ainda não tinha nem terminado de acordar direito, os olhos pesados, o cabelo despenteado...

Chegou no destino, um lugar que você gosta, tem a escada -- você adora subir e descer a escada, se sente desafiada, é do seu impulso natural infantil de explorar e vencer obstáculos. Não te deixaram subir na escada...

Você foi distraída, tinha lugares pra explorar, coisas pra fazer, mas você não é boba, sabe quando estão tentando te distrair para que você não atrapalhe, e quando estão realmente ali brincando com você. Atenção de verdade é bem diferente da simulada. Você sente bem o que acontece.
Todos estavam muito ocupados, e você ficou ali, explorando, meio sozinha, bastante sozinha na verdade. Você gosta de companhia, mas não podiam te atender. Você foi ótima, foi levando, se distraindo. Ganhou um pouco de atenção aqui, outro pouco ali, um colinho rápido, vários hiatos. Comeu uma banana de pé, tomou uns goles de água, foi ficando cansada.

Já era 11 da manhã e você estava entediada. As 11 é o horário usual da sua soneca, seu corpo pedia para dormir, os acessos aos lugares eram restritos e você percebia essa restrição. O calor aumentava com o sol quase a pino, estava muito quente, e você cansada e irritada, chamou a mãe. A mãe atendeu, deu colo, deu mamá, sentamos num cantinho no chão quietas, na esperança de você relaxar e descansar.

Mas a rotina tinha sido quebrada, o lugar novo, a excitação, a movimentação, o calor...
E o calor aumentou, e você queria muito subir a escada, mas ninguém deixava você passar, você chorava, implorava, brigava, ninguém deixava.

Você ficou tão chateada, tão frustrada. Acham que por que algo não é importante pros adultos não deve ter importância mesmo. Pra você tinha minha filha, eu sei, na sua cabecinha infantil, nos seus impulsos de explorar, pra você tinha importância, você queria ver as pessoas, estar com nós, mas não podia subir, desculpe, sei como você ficou chateada.

Então brincamos com água, pra você se acalmar e refrescar do calor, você voltou a sorrir, o dia voltou a ficar bom. Mas claro, já era 12h e sua soneca já havia sido pulada, depois de vestir a roupa novamente, lá veio a irritação de novo. Qualquer adulto com sono, entediado e com fome fica de mal humor, mas a gente, os adultos, aprendemos a lidar com as adversidades, você é iniciante, ta aprendendo ainda, não tem obrigação de saber lidar.

Não tinha um colchãozinho pra você deitar, e a curiosidade que aquele movimento todo naquele lugar novo te despertava não te ajudava a relaxar. Você estava incomodada, e muito braba!
Fomos para o carro, ultima tentativa de você relaxar. Dormiu, apagou no primeiro minuto!
Dormiu meia horinha... bem menos que suas usuais 1h -- meia horinha de sono já atrasado, mas tudo bem, um pouquinho já ia te ajudar.

Soneca atrasada, almoço atrasado, coisas da vida. Vamos comer, você não tem culpa dos nossos horários de adultos, a gente dá conta, a gente entende as quebras de rotina, a gente compensa, a gente racionaliza, você não. Você só vai ficando incomodada e perdida e me olha com cara de “por que você está fazendo isso comigo mamãe?”

Almoçamos, lugar estranho, ok, você se adapta! Comida mais ou menos, ok você mata a fome. Mas o cansaço, o tédio, o sono, a fome;  já estão acumulados. E quando acumula minha gente... o bicho pega!

Voltamos, pra mesma casa onde você não pode subir as escadas, onde todos estão ocupados e não te dão atenção de verdade. Sua vó brinca um pouco contigo, seu pai tenta te pegar no colo, sua mãe improvisa uma brincadeira, mas nada funciona bem. Você não quer mais catar gravetos no quintal, você não pode mais brincar com a água, as portas fechadas, sem brinquedos. E ai você vê, o parquinho!! Você lembra do parquinho! No parquinho é legal! Tem escorrega, tem balanço, tem areia! O parquinho vai vencer o tédio, vai passar por cima do cansaço. Mas sua mãe não deixa. Ela até te leva pra correr na grama e explorar a praça, mas ela não deixa você entrar no parquinho, e você não entende por que né filha, parece pura maldade!

Era um motivo tão bobo, vinha uma nuvem de chuva, aquela era a última fralda da bolsa, já estávamos lá a 7 horas seguidas e eu não podia encher você de areia e não ter outra fralda pra trocar. O motivo era adulto, mas você não entende motivos adultos, seu mundo é regido pelo seu impulso de explorar, pela sua liberdade e vivacidade, e pela sua rotina que foi quebrada.

Quando eu te forcei a se afastar do parquinho e entrar novamente pelo portão da casa, você ficou indignada, revoltada, morreram suas últimas esperanças de brincar. Você estava muito chateada comigo, não entendia por que não podia brincar, brincar pra você é muito importante, é vital!

Eu bem que tentei, mas a quebra de rotina, as restrições, a falta de atenção, o sono atrasado, a alimentação picada, o calor... você era só irritação. Eu entendo filha, entendo seus motivos, você tentou a escada de novo, e novamente não deixei você passar. Estava sujo lá em cima, com cheiro de tinta, não era apropriado para você, mas como você poderia saber disso né? Provavelmente na sua cabecinha era apenas mais uma arbitrariedade minha, e você ficou mais braba ainda, protestou, se jogou, bateu a cabeça no chão. E agora além de tudo estava com dor.

Eu respeito seu direito de estar chateada minha filha, mas não podia deixar você passar. Entendo suas razões, não espero de você mais do que um comportamento infantil saudável de uma criança cansada que só queria brincar. Você ainda terá muitas frustrações na vida minha filha, ouvirá muitos “Nãos” das impossibilidades cotidianas, não vou te castigar por estar cansada e chateada. Você não entende as razões dos adultos, mas nós podemos entender as tuas. Não vou te rotular, não vou te chamar de chata, de manhosa, de enjoada, você tinha todos os seus motivos para estar irritada, e eram SEUS motivos e para você faziam pleno sentido. Respeito teus sentimentos, por mais que às vezes você também me tire do sério.
Ao voltar pra casa você novamente dormiu no carro, dormiu não, apagou!
Estava tão exausta que fiquei com dó de te tirar do carro ao chegarmos e fiquei ali “de castigo” mais uns 40min estacionada, esperando você dormir o sono que você tanto precisava dormir.

O fim do seu dia em casa foi conturbado, nada da rotina funcionou, e seus pais estavam tão cansados. Agora eu te vejo filha minha, dormindo novamente após esse longo dia, você sorri e se aninha no meu colo e não tem mais sinais de irritação.

Quero te dizer que amanhã será mais fácil, mas só posso te prometer que me esforçarei mais para te acolher e respeitar teu ritmo, pois o teu ritmo não é o dos adultos, e as crianças precisam ser protegidas.


Amanhã tem mais confusão filha, e depois de amanhã também. Sabe, a gente tá de mudança, pra uma casa nova! E todos os dias você vai poder brincar naquele quintal, e tomar banho de mangueira, e vai poder ir no parquinho que você tanto queria também! Papai e mamãe estão felizes, e eu vejo que você fica feliz de estar nessa casa também! A confusão vai passar filha, e muitas coisas você ainda não vai entender, mas vai melhorar, te prometo! Seus pais e seus avós estavam hoje fazendo coisas muito boas, e com muito amor, e tudo isso envolve você. Você só precisa de mais pausinhas pro seu ritmo se acostumar, pro seu ritmo de bebê, bebê meio criança, quase criança. Essa fase maluquinha que você tenta entender o mundo e a gente tenta te entender!
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