Por Ana Cristina Duarte - Obstetriz
https://www.facebook.com/notes/ana-cristina-duarte/sobre-a-escolha-da-cesariana/510313185684198
Antes de mais nada, preciso pontuar cinco idéias rápidas: primeiro, entendo que a cesariana por escolha é um direito da mulher, ela tem direito e ela pode fazer e pronto. Segundo, a via de parto e a amamentação não definem a qualidade da mãe ou da maternagem. Terceiro, o objetivo dessa conversa não é trazer culpa a quem escolheu ou vai escolher, mas sim conhecimento para quem quiser entender essas opções. Quarto, algumas cesarianas são necessárias e paciência, não há o que se fazer, pois a vida da criança é mais importante. Quinto, a maioria das cesarianas indicadas nos serviços privados de saúde são sob falsas alegações, mas não tem como a mãe saber disso.
1) Uma das maiores razões para as mulheres escolherem a cesariana é a questão da dor. Deixando de lado todo o resto, acho que esse ponto é mesmo nevrálgico e merece uma atenção especial. Como o objetivo aqui é ser curta (e não grossa), lembro que hoje em dia existem analgesias muito boas que podem ser usadas a qualquer momento que a mulher deseje. Se quiser ter um trabalho de parto inteiro sem sentir nada (o que seria uma pena, mas é um direito e às vezes a única maneira de enfrentar o medo da dor), exija a presença de um bom anestesista. Fora isso, lembre-se que as coisas começam a ficar intensas mesmo depois da metade do trabalho de parto. Antes disso são apenas umas cólicas rápidas e curtas, perfeitamente suportáveis. A vantagem é que quando o parto acabar, você não está operada. Você levanta e vai cuidar da vida sem qualquer preocupação com uma cirurgia. Claro que você pode levantar e cuidar da vida após a cesariana. [Além disso existem métodos não farmacológicos de alívio de dor, massagens, posições, acupuntura, água quente do chuveiro na lombar (ou de uma banheira), estar se sentindo apoiada, segura e acolhida, tudo isso contribui para que a dor seja menor, a presença de uma doula pode ajudar]
2) Outra razão comum é achar que o bebê corre menos risco na cesariana. Já existem tantos estudos científicos mostrando o quanto é maior o risco da cesariana para o bebê, que não vou poder enumerar aqui. Se você está na dúvida e só falta essa questão para escolher um parto normal, informe-se. A quantidade de vantagens para o bebê no parto normal é provada em todos os artigos, sem exceção. Não estou dizendo que nada acontece no parto normal, mas sim que muito mais coisas negativas podem acontecer na cesariana e que, portanto, ela é muito mais arriscada e menos benéfica para o bebê e para a mãe.
3) Tem gente que pensa que o parto normal é pior para a mãe. Essa informação não procede. Qualquer livro de medicina deixa isso bem claro. A mortalidade e a morbidade da cesariana é bem maior para a mãe. Posso atestar que o parto normal não vai fazer você ficar diferente "lá embaixo". Na dúvida, conheça o site www.mulheres.org.br/fiqueamigadela. E se estiver ao seu alcance, exija um parto sem episiotomia.
4) Embora o parto não defina a qualidade da maternagem, e não defina quem vai ser aquela pessoa, o fato é que há uma grande diferença pra o bebê entre ser retirado do útero materno sem aviso prévio, sem os hormônios que o preparam para a vida fora do ventre materno, e permitir que ele passe pelo processo de forma natural, fisiológica, cumprindo as metas que a natureza selecionou durante mais de cem mil anos. O parto não é, para o bebê, uma perigosa tormenta, mas sim um caminho muito previsto e importante para prepará-lo para a vida. Assim como podemos evitar que bebês engatinhem para não se sujarem, colocando-os em andadores (que a sociedade brasileira de pediatria já atesta serem prejudiciais para o desenvolvimento do bebê), e eles não serão pessoas piores ou infelizes por isso, o fato é que esse tipo de salto não é benéfico e não tem como calcularmos objetivamente e em números concretos aquilo de que o bebê está sendo privado. Podemos sempre nos repetir e acreditar que são apenas minutos ou horas, e que isso não faz diferença na vida nossa ou deles. O melhor seria, no entanto, que todas nós tivéssemos acesso a um bom parto, para podermos oferecer aos nossos filhos e a nós mesmas um bom processo de nascimento. Até mesmo o choro de um bebê retirado de forma repentina e levado para um berço aquecido para os "procedimentos" é completamente diferente daquele que nasce devagar, sem pressa, na água, na cama, e é colocado imediatamente em contato pele-a-pele com sua mãe. Se achamos ruim deixar a criança chorando sozinha no carrinho "para acostumar", porque seria normal deixar um recém nascido se debater num berço iluminado cercado por estranhos que lhe inserem tubos no nariz, na boca, no ânus, e lhe pingam colírio cáustico e lhe picam a perna com uma injeção oleosa? Porque achamos que isso não faz qualquer diferença para a construção do indivíduo?
5) Por fim vem a questão mais importante para mim, que é o parto como um evento, e não como uma obrigação. O parto não é apenas o preço que temos que pagar para sermos mães de um bebê. Podemos inclusive adotar e sermos mães adotivas maravilhosas. No entanto o parto pode ser, por si só, um processo muito bom, divertido, intenso, cheio de momentos incríveis, para toda a família. Até os irmãos mais velhos podem ajudar e se sentir participantes dessa festa. O parto é algo que você pode recriar em sua mente, tentando esquecer aquelas histórias horrorosas que te contaram desde que você nasceu, porque essas histórias são de um modelo de assistência que não precisa ser utilizado. Você pode desejar, escolher e exigir um bom parto. Planeje, escolha pessoas interessantes e um modelo de assistência no qual você acredite. Fuja do estereótipo da mulher gritando nua na sala com as pernas abertas sob os holofotes e uma equipe de 12 homens olhando para o meio delas e colocando seus dedos e ferros nervosos lá dentro. Parto não é isso (ou não deveria ser isso). Existem opções. Natural ou com analgesia, mas com muito respeito, decência, privacidade, delicadeza, o parto pode ser um maravilhoso portal para inaugurarmos a maternidade. Pode ser também uma oportunidade impar para se superar os limites, para conhecer novas fronteiras. O bom parto não é uma obrigação. É apenas um direito de toda mulher e de todo bebê.
6) O parto pode ser ou pode não vivenciado. O nascimento vai ocorrer, sempre, e o bebê vai ser muito amado independente de onde saia. O fato é que no Brasil é uma escolha que as mulheres têm, parir ou não parir, eis a questão. Você pode, se quiser, fazer uma escolha diferente e transformar o parto num lindo evento. Mais ou menos como o casamento, você pode viver com alguém sem qualquer cerimônia simbólica. O objetivo da cerimônia é mais do que dar trabalho e fazer a gente gastar um dinheiro enorme, e não é ela que define a qualidade do casamento. O objetivo é marcar o evento, transformar num dia marcante, porque os outros que virão estarão repletos de bons e maus momentos, e vai ser maravilhoso poder voltar naquele dia e lembrar "do dia em que nos casamos". Claro que ir morar junto, levar a mobília e guardar as escovas de dentes juntos tem todo um valor simbólico. Afinal foi "o dia em que fomos morar juntos". Não dá para dizer que é a mesma coisa que fazer uma cerimônia, essa é a verdade. E nem vai dar para chamar de "Cerimônia do Casamento" o dia em que pusemos as escovas de dentes no mesmo copo. Quando abrimos mão de um evento desses, não estamos fadando o resto ao fracasso, não se trata disso. Apenas estamos perdendo uma grande chance de fazer algo muito especial. Comparativamente, não vamos chamar de parto o dia em que nos deitamos para a cirurgia cesariana. No Brasil começamos até a usar o eufemismo "parto cesáreo", depois que a cesariana virou um produto de consumo como qualquer outro, para mudar a impressão que a sociedade tem dessa cirurgia. Até mesmo os médicos obstetras estão usando o eufemismo, evitando eles mesmos enfrentarem a cruel realidade de que estão operando esse absurdo número de mulheres todos os anos.
Em suma, você pode e deve exigir seus direitos. Você pode usar mecanismos legais para garantir o que deseja. Salientando mais uma vez, escolher um parto normal não vai fazer uma mãe melhor. Apenas vai garantir que o seu bebê passe e seja recebido no mundo de uma forma diferente. Vai também garantir e permitir que você conheça novas nuances das possibilidades do seu corpo. Novos limites, novas possibilidades! E depois tem todo o resto, que também é importante. A criação, a amamentação, os cuidados, o apego, o carinho, o amor, etc. Você pode pular apenas uma das etapas e dar o seu melhor em todas as outras. Você pode não pular a etapa. Você pode ser obrigada a pular etapas, quer por limitações físicas, quer pela força do sistema médico. Isso não implica em "mãe melhor e mãe pior". Tenha apenas a certeza de ter e olhar de verdade todas as cartas no baralho antes de escolher o coringa. Eu tenho certeza que você já é ou será uma ótima mãe. Mas não é disso que estamos falando, combinado?
Mais sobre Parto Normal x Cesarianas no livro:
PARTO NORMAL OU CESÁREA? O QUE TODA MULHER DEVE SABER (E HOMEM TAMBÉM)
SIMONE DINIZ E ANA CRISTINA DUARTE
EDITORA UNESP
À venda no site www.maternidadeativa.com.br
sexta-feira, 29 de junho de 2012
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Você já andou de montanha russa?!
Mulheres em trabalho de parto geralmente gritam. Mas será que só gritam de dor? Não necessariamente! Alguém ai já andou de montanha russa? Gritou? Tava com dor? Pois é! A gente grita por diversos motivos, por medo, por empolgação, por causa da intensidade do momento. Se tem uma coisa que um parto é, é intenso!
Nas artes marciais o grito tem uma função ao projetarmos um golpe, o grito coloca a força pra fora, o grito dá força! Mulheres durante o expulsivo desenterram uma força enorme dentro de si e gritam e rugem como leoas e parem! Elas vencem o medo.
E você? Tem medo de andar de montanha russa?
Nas artes marciais o grito tem uma função ao projetarmos um golpe, o grito coloca a força pra fora, o grito dá força! Mulheres durante o expulsivo desenterram uma força enorme dentro de si e gritam e rugem como leoas e parem! Elas vencem o medo.
E você? Tem medo de andar de montanha russa?
Encontrei esse ótimo texto da Katia Barga, do site www.babyyoga.com.br, que ilustra o parto! Divirtam-se.
Tem gente que acha loucura
sentir dor para parir.
Muitas coisas na vida são mais loucas e as
pessoas fazem. E sem que haja bem estar algum em jogo. Pense no seu parto como
se fosse um passeio de montanha russa. Essa foi a melhor metáfora que
encontrei! Imagine a sua gestação como uma daquelas filas enormes em dia de
excursão de escola no Hopi Hari. No verão. Você ali esperando aquela fila se
deslocado devagar... muito devagar. Você cansada, os pés doendo. Você vê gente
com medo, apreensiva. Gente empolgada que descreve como vai ser para quem nunca
andou. E você ali. Sem saber o que esperar. Você também escuta alguns: você é
louca! Andar nisso aí??? Nunca!!! Você não viu aquela montanha russa lá em
Ximbiquinha do Sudoeste que quebrou e matou todo mundo? > E o pior foram os
que ficaram mutilados pro resto da vida!
Você faz ouvido mouco e continua ali. Avançando
devagarinho. Não tem pra onde ir, é tarde pra pular fora, as grades que separam
a fila são altas, só dá pra seguir em frente. Aí você vê quem está saindo,
gente meio tonta, com uma expressão que você não entende, cambaleando, passando
mal. E você pensa: onde é que eu fui me meter?
Quando você está chegando perto o cansaço está
maior, você tem que ficar encostada quase o tempo todo. Ai, não chega nunca.
Pra melhorar no finalzinho ainda tem uma baita escada pra subir na plataforma
de embarque. Bem que podia ter uma escadazinha rolante aqui...Você chega na
ultima parte da fila. De repente parece que toda aquela morosidade foi embora.
A fila anda muito mais rápido agora. Ou será que você é quem acha isso porque a
hora de embarcar está se aproximando? Subir as escadas exige um esforço extra.
Parece que seu peso aumentou uns quinze quilos.
Você não sabe se é o calor, o tempo de pé, ou se
foi aquele combo gigante de hambúrguer fritas e balde de refrigerante que estão
pesando.
Mas você sobe, um degrau
de cada vez. E o topo vai se aproximando. É quando você avista: tem uma saída
de emergência lá em cima. Saída estratégica pela esquerda. Acho que é nessa que
eu vou! Mas aí você pensa. Já vim até aqui... e se for tudo o que dizem mesmo?
Como é que eu vou saber? Que o destino decida então: vou jogar uma moeda. Se
der cara eu vou. Cara! Melhor de três então. Cara de novo. Ai, ai... Continua
avançando. Ah, se aquela mocinha desmilinguida embarcar, eu vou também. Se ela
consegue eu também. Ela embarca.
Ok, acho que vou. a não ser é claro que chova.
Se não for totalmente seguro não vou. E eu acho que estou vendo uma nuvenzinha
lá longe. Se o carrinho que vier for vermelho também não! Vermelho me dá um
azar! E eu não vou arriscar. Sua vez está chegando, você já vai chegar na
plataforma. Uma moça amarela bem na sua frente, sai correndo pela saída de
emergência. Você se estica e consegue enxergá-la lá embaixo, na saída da
lojinha... tem alguma coisa na mão, mas o olhar parece meio distante. Eu vou!
Não quero ficar imaginando como teria sido.
Chega a sua vez. O coração sobe na boca. O
fôlego fica suspenso alguns instantes. Mas você respira fundo e sobe no
carrinho. E pensa: ainda bem que não era um vermelho!
A viagem começa devagarinho. Tec tec tec. O
carrinho vai subindo devagar. Tranquilo. Não é tudo aquilo! Que povo medroso!
Dá até pra tirar a mão. Ainda bem que não desisti! A brisa no rosto. A paisagem
tão linda. Ainda bem que fui forte!
Sobe, sobe, sobe. Puxa, mas que alto... dá uma vertigem de leve... De
repente você se vê no final da subida. C******, que altura, ai, eu vou morrer.
Me deixa descer, me deixa sair daqui. F***** da P*** daquela professora que
yoga que disse que eu não ia me arrepender. Se estivesse aqui agora, eu
matava!!! Será que aquela doula ia fazer muita diferença segurando aqui a minha
mão??? Bando de louca... ah, eu mato se eu sair viva daqui! E a minha prima,
aquela V*** que me convenceu a vir. Vai ser legal, você vai ver, você vai
querer ir de novo. Ai, eu mato, eu mato. Cadê ela? Porque não está aqui? Duvido
que quando ela andou foi nessa tão alta, aposto que foi na menor!!!
E vem a descida. O looping, uma subidinha,
curva, mais curva, outra curva. Você já não está vendo nada direito, está meio
tonta, parece meio fora de si. Tem mais gente gritando, ou será que é você
mesma? Está doendo tudo, esse bate bate no carrinho vai doer ainda mais amanhã.
Vai parecer que fui atropelada.. . Você nem sabe mais se está de ponta cabeça.
Dá medo de olhar. Você espia, fecha o olho de novo. Não quero nem ver. Não vou
olhar. Se eu olhar é pior!
Vai chegando no final. O carrinho desacelera.
Você está meio abobada, grogue. Alguém ajuda a descer. Você nem vê quem é.
Podia ser o Brad Pitt e você não ia nem notar. Seu cabelo está parecendo uma
piaçava depois da faxina, mas você esqueceu de prendê-lo. E agora nem lembra
mais que tem cabelo. Mas tem alguma coisa diferente. Algo a mais em você. Vim,
vi e venci. Sou praticamente um Julio Cesar! Suas
pernas cambaleiam um pouco, mas você anda. A brisa bate e aos poucos você se
recobra. Levanta a cabeça e sorri. Era só isso? Porque tive tanto medo?
Vou pra fila de novo!
Quem já andou de montanha russa sabe do que
estou falando. Quem passou por um trabalho de parto também.
E você, já andou de montanha russa?
terça-feira, 10 de abril de 2012
MITOS DO PARTO EM CASA - por Ana Cristina Duarte
Mitos do Parto em Casa
Mitos do Parto em Casa I: a parteira chega a cavalo ou de bicicleta, e a tiracolo uma bolsa com 3 panos lavados e um livro de rezas.
Verdade: o material que vai no carro do profissional inclui oxigênio, máscara, ambu, material de sutura, anestésico local, instrumentos esterilizados, drogas para contenção hemorragia, luvas estéreis e outros 20 itens.
Verdade: o material que vai no carro do profissional inclui oxigênio, máscara, ambu, material de sutura, anestésico local, instrumentos esterilizados, drogas para contenção hemorragia, luvas estéreis e outros 20 itens.
Mitos do Parto em Casa II: a parteira é uma senhora boa e rezadeira de 70 anos, que aprendeu o ofício com sua mãe.
Verdade: o profissional que atende parto domiciliar é médico, ou enfermeira obstetra, ou obstetriz, formados em cursos superiores e com experiência em atendimento de partos normais, com e sem complicações.
Verdade: o profissional que atende parto domiciliar é médico, ou enfermeira obstetra, ou obstetriz, formados em cursos superiores e com experiência em atendimento de partos normais, com e sem complicações.
Mitos do Parto em Casa III: A idéia é nascer em casa custe o que custar, então se complicar, complicou, paciência.
Verdade: o parto começa em casa, mas acaba onde tiver que acabar. Se houver algum sinal de que talvez o parto possa vir a complicar, já é feita a remoção para o hospital.
Verdade: o parto começa em casa, mas acaba onde tiver que acabar. Se houver algum sinal de que talvez o parto possa vir a complicar, já é feita a remoção para o hospital.
Mitos do Parto em Casa IV: nos países da Europa onde existe o parto em casa, há uma ambulância na porta de cada mulher que está em trabalho de parto.
Verdade: PUTZ!!! Essa é a maior de todas as mentironas do século XXI! Não existe ambulância na porta em nenhum lugar do mundo!
Verdade: PUTZ!!! Essa é a maior de todas as mentironas do século XXI! Não existe ambulância na porta em nenhum lugar do mundo!
Mitos do Parto em Casa V: Qualquer mulher pode conseguir um parto em casa.
Verdade: Mulheres que desenvolveram complicações não poderão ter um parto em casa, porque os riscos são aumentados.
Verdade: Mulheres que desenvolveram complicações não poderão ter um parto em casa, porque os riscos são aumentados.
Mitos do Parto em Casa VI: Se o bebê precisar de alguma coisa, ele vai morrer.
Verdade: Todo o material que tem para ajudar um bebê num hospital também está presente no parto em casa. Só não será possível fazer assistência a longo prazo pela falta de equipamento adequado.
Verdade: Todo o material que tem para ajudar um bebê num hospital também está presente no parto em casa. Só não será possível fazer assistência a longo prazo pela falta de equipamento adequado.
Mitos do Parto em Casa VII: Se a mulher "rasgar" ficará aberta para sempre, amém.
Verdade: O profissional tem todo o material para reparação de lacerações, do anestésico aos fios especiais de alta absorção.
Verdade: O profissional tem todo o material para reparação de lacerações, do anestésico aos fios especiais de alta absorção.
Mariana Braga (filha da Ana Maria Braga), que teve um parto domiciliar
Mitos do Parto em Casa VIII: Um parto de baixo risco vira de alto risco de uma hora para outra
Verdade: Menos de 1% das complicações acontecem de uma hora para outra. A maioria são longas evoluções de horas e horas, até se configurar uma mudança de faixa de risco.
Verdade: Menos de 1% das complicações acontecem de uma hora para outra. A maioria são longas evoluções de horas e horas, até se configurar uma mudança de faixa de risco.
Mitos do Parto em Casa IX: depois do parto fica a sujeira para a família limpar
Verdade: Faz parte do atendimento do parto a limpeza completa de todo o ambiente onde o bebê nascer, a retirada dos vestígios de sangue, e a arrumação.
Verdade: Faz parte do atendimento do parto a limpeza completa de todo o ambiente onde o bebê nascer, a retirada dos vestígios de sangue, e a arrumação.
Mitos do Parto em Casa X: O parto em casa está proibido ou os médicos estão proibidos de atender parto em casa.
Verdade: Nâo existe qualquer proibição. O Conselho de medicina de SP publicou uma matéria de jornal interno dizendo que não aconselha. Isso não é proibição. O conselho tem todas as ferramentas legais para proibir, mas não o fez.
Verdade: Nâo existe qualquer proibição. O Conselho de medicina de SP publicou uma matéria de jornal interno dizendo que não aconselha. Isso não é proibição. O conselho tem todas as ferramentas legais para proibir, mas não o fez.
Mitos do Parto em Casa XI: Há grande risco de contaminação, pois não é possível esterilizar a casa.
Verdade: primeiro que o hospital não é esterilizado, pelo contrário, está cheio de bactérias resistentes. Segundo, que o parto normal não ocorre em local estéril em qualquer lugar do planeta.
Verdade: primeiro que o hospital não é esterilizado, pelo contrário, está cheio de bactérias resistentes. Segundo, que o parto normal não ocorre em local estéril em qualquer lugar do planeta.
Mitos do Parto em Casa XII: O bebê tem que ficar em observação depois que nasce, por isso precisa de enfermeiros no hosiptal.
Verdade: O bebê fica em observação pela equipe após o nascimento e tal qual no hospital ficará em alojamento conjunto com a mãe, recebendo as visitas diárias até a "alta".
Verdade: O bebê fica em observação pela equipe após o nascimento e tal qual no hospital ficará em alojamento conjunto com a mãe, recebendo as visitas diárias até a "alta".
Ana Cristina Duarte é Obstetriz (parteira) e Educadora Perinatal
quarta-feira, 21 de março de 2012
INDICAÇÕES REAIS E “FICTÍCIAS” PARA A CESÁREA
Essa lista muito boa foi criada pela Dra. Melania Amorim (PhD), uma obstetra que não faz cesarianas desnecessárias nem episiotomias a 10 anos (sua conduta sempre baseia-se em evidências), e pela Ana Cristina Duarte, que é obstetriz e doula.
Algumas indicações de cesariana
REAIS
1) Prolapso de cordão – com dilatação não completa;
2) Descolamento prematuro da placenta com feto vivo – fora do período expulsivo;
3) Placenta prévia completa (total ou centro-parcial);
4) Apresentação córmica (situação transversa);
5) Ruptura de vasa praevia;
6) Herpes genital com lesão ativa no momento em que se inicia o trabalho de parto.
PODEM ACONTECER, PORÉM FREQUENTEMENTE SÃO DIAGNOSTICADAS DE FORMA EQUIVOCADA
1) Desproporção cefalopélvica (o diagnóstico só é possível intraparto, através de partograma e não pode ser antecipado durante a gravidez);
2) Sofrimento fetal agudo (o termo mais correto atualmente é "freqüência cardíaca fetal não-tranqüilizadora", exatamente para evitar diagnósticos equivocados baseados tão-somente em padrões anômalos de freqüência cardíaca fetal);
3) Parada de progressão que não resolve com as medidas habituais (correção da hipoatividade uterina, amniotomia), ultrapassando a linha de ação do partograma. Pode ocorrer parada secundária da dilatação ou parada secundária da descida.
SITUAÇÕES ESPECIAIS EM QUE A CONDUTA DEVE SER INDIVIDUALIZADA, CONSIDERANDO-SE AS PECULIARIDADES DE CADA CASO E AS EXPECTATIVAS DA GESTANTE, APÓS INFORMAÇÃO
1) Apresentação pélvica;
2) Duas ou mais cesáreas anteriores (o risco potencial de uma ruptura uterina – em torno de 1% - deve ser pesado contra os riscos de se repetir a cesariana, que variam desde lesão vesical até hemorragia, infecção e maior chance de histerectomia);
2) HIV-AIDS (cesariana eletiva indicada se HIV + com contagem de CD4 baixa ou desconhecida e/ou carga viral acima de 1.000 cópias ou desconhecida); em franco trabalho de parto e na presença de ruptura de membranas, individualizar casos.
DESCULPAS FREQUENTEMENTE USADAS PELOS PROFISSIONAIS PARA REALIZAR UMA CESÁREA DESNECESSARIA.
(a lista de desculpas e enganações é enorme, tem algumas que a gente nem acredita que usam!)
1. Abdominoplastia prévia
- Indicações de cesariana baseadas em evidências: parte II - https://docs.google.com/file/d/1BFsNkUiimQjquT68kNVLxmfsNTDgAHjXaJcmjTNXznieuRzZ5kmiCAOtgJYd/edit?pli=1#
- Condições frequentemente associadas com cesariana, sem respaldo científico - https://docs.google.com/file/d/0ByeaAlBSCXOOZjY5N2E4MTAtNzMxZi00NmY4LWIyMzUtOTM4ODFhNWJmYTRm/edit?hl=en&pli=1
Vale a pena divulgar a lista, para ajudar a diminuir a quantidade de gestante ludibriada por obstetras desonestos ou desatualizados, e melhorar o atendimento obstétrico no Brasil, para que as condutas sejam aquelas que preconizam a Organização Mundial de Saúde.
(segue abaixo da lista o link para os artigos científicos da Dra. Melania sobre esta questão)
INDICAÇÕES REAIS E “FICTÍCIAS” PARA A CESÁREA
Algumas indicações de cesariana
REAIS
1) Prolapso de cordão – com dilatação não completa;
2) Descolamento prematuro da placenta com feto vivo – fora do período expulsivo;
3) Placenta prévia completa (total ou centro-parcial);
4) Apresentação córmica (situação transversa);
5) Ruptura de vasa praevia;
6) Herpes genital com lesão ativa no momento em que se inicia o trabalho de parto.
PODEM ACONTECER, PORÉM FREQUENTEMENTE SÃO DIAGNOSTICADAS DE FORMA EQUIVOCADA
1) Desproporção cefalopélvica (o diagnóstico só é possível intraparto, através de partograma e não pode ser antecipado durante a gravidez);
2) Sofrimento fetal agudo (o termo mais correto atualmente é "freqüência cardíaca fetal não-tranqüilizadora", exatamente para evitar diagnósticos equivocados baseados tão-somente em padrões anômalos de freqüência cardíaca fetal);
3) Parada de progressão que não resolve com as medidas habituais (correção da hipoatividade uterina, amniotomia), ultrapassando a linha de ação do partograma. Pode ocorrer parada secundária da dilatação ou parada secundária da descida.
SITUAÇÕES ESPECIAIS EM QUE A CONDUTA DEVE SER INDIVIDUALIZADA, CONSIDERANDO-SE AS PECULIARIDADES DE CADA CASO E AS EXPECTATIVAS DA GESTANTE, APÓS INFORMAÇÃO
1) Apresentação pélvica;
2) Duas ou mais cesáreas anteriores (o risco potencial de uma ruptura uterina – em torno de 1% - deve ser pesado contra os riscos de se repetir a cesariana, que variam desde lesão vesical até hemorragia, infecção e maior chance de histerectomia);
2) HIV-AIDS (cesariana eletiva indicada se HIV + com contagem de CD4 baixa ou desconhecida e/ou carga viral acima de 1.000 cópias ou desconhecida); em franco trabalho de parto e na presença de ruptura de membranas, individualizar casos.
DESCULPAS FREQUENTEMENTE USADAS PELOS PROFISSIONAIS PARA REALIZAR UMA CESÁREA DESNECESSARIA.
(a lista de desculpas e enganações é enorme, tem algumas que a gente nem acredita que usam!)
1. Abdominoplastia prévia
2. Aceleração dos batimentos fetais
3. Adolescência
4. Ameaça de chuva/temporal na cidade
5. Anemia falciforme
6. Anemia ferropriva
7. Anencefalia
8. Artéria umbilical única
9. Asma
10. Assalto ou outras formas de violência (gestante ou familiar foi vítima de assalto, então o bebê pode ficar estressado)
11. Bacia "muito estreita"
12. Baixa estatura materna
13. Baixo ganho ponderal materno/mãe de baixo peso
14. Bebê alto, não encaixado antes do início do trabalho de parto
15. Bebê profundamente encaixado
16. Bebê que não encaixa antes do trabalho de parto
17. Bebê "grande demais" (macrossomia fetal só é diagnosticada se o peso é maior ou igual que 4kg e não indica cesariana, salvo nos casos de diabetes materno com estimativa de peso fetal maior que 4,5kg. Não se justifica ultrassonografia a termo em gestantes de baixo risco para avaliação do peso fetal).
18. Bebê "pequeno demais"
19. Bolsa rota (o limite de horas é variável, para vários obstetras basta NÃO estar em trabalho de parto quando a bolsa rompe)
20. Cardiopatia (o melhor parto para a maioria das cardiopatas é o vaginal)
21. Cesárea anterior
22. Chlamydia, ureaplasma e mycoplasma
23. Circular de cordão, uma, duas ou três "voltas" (campeoníssima - essa conta com a cumplicidade dos ultrassonografistas e o diagnóstico do número de voltas é absolutamente nebuloso)
24. Cirurgia gastrointestinal prévia
25. Colestase gravídica
26. Colo grosso, colo posterior, colo duro, colo alto
27. Colostomia
28. Conização prévia do colo uterino
29. Constipação (prisão de ventre)
30. Cálculo renal
31. Data provável do parto (DPP) próximo a feriados prolongados e datas festivas (incluindo aniversário do obstetra)
32. Datas significativas como 11/11/11 ou 12/12/12 (ainda bem que a partir de 2013 precisaremos esperar o próximo século)
33. Diabetes mellitus clínico ou gestacional
34. Diagnóstico de desproporção cefalopélvica sem sequer a gestante ter entrado em trabalho de parto e antes da dilatação de 8 a 10 cm
35. Dorso à direita, dorso posterior, ou dorso em qualquer outro lugar
36. Edema de membros inferiores/edema generalizado
37. Eletrocauterização prévia do colo uterino
38. Endometriose em qualquer grau e localização
39. Escoliose
40. Espondilite anquilosante
41. Estreptococo do Grupo B (EGB) no rastreamento com cultura anovaginal entre 35-37 semanas Exérese prévia de pólipos intestinais por colonoscopia
42. Falta de dilatação antes do trabalho de parto
43. Feto com "unhas compridas"
44. Feto morto
45. Fibromialgia
46. Fratura de cóccix em algum momento da vida
47. Gastroplastia prévia (parece que, em relação ao peso materno, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come)
48. Gestação gemelar com os dois conceptos em apresentação cefálica
49. Gravidez não desejada
50. Grumos no líquido amniótico
51. HPV (só há indicação de cesárea se há grandes condilomas obstruindo o canal de parto)
52. Hemorroidas
53. Hepatite B e hepatite C
54. Hiperprolactinemia
55. Hipertireoidismo
56. Hipotireoidismo
57. História de cesárea na família
58. História de câncer de mama ou câncer de mama na gravidez
59. História de depressão pós-parto
60. História de natimorto ou óbito neonatal em gravidez anterior
61. História de trombose venosa profunda
62. História familiar de fibrose cística do pâncreas
63. Idade materna "avançada" (limites bastante variáveis, pelo que tenho observado, mas em geral refere-se às mulheres com mais de 35 anos)
64. Incisura nas artérias uterinas (aliás, pra que doppler em uma gravidez normal?)
65. Infecção urinária
66. Inseminação artificial, FIV, qualquer procedimento de fertilização assistida (pela ideia de que bebês "superdesejados" teriam melhor prognóstico com a cesárea) - motivo pelo qual os bebês de proveta aqui no Brasil muito raramente nascem de parto normal
67. Insuficiência istmocervical (paradoxalmente, mulheres que têm partos muito fáceis são submetidas a cesarianas eletivas com 37 semanas SEM retirada dos pontos da circlagem)
68. Laparotomia prévia
69. Líquido amniótico em excesso
70. Malformação cardíaca fetal
71. Mioma uterino (exceto se funcionar como tumor prévio)
72. Miscigenação racial (pelo "elevado risco" de desproporção céfalo-pélvica)
73. Neoplasia intraepitelial cervical (NIC)
74. Obesidade materna (ou magreza)
75. Obstetra (famoso) não sai de casa à noite devido aos riscos da violência urbana
76. Parto "prolongado" ou período expulsivo "prolongado" (também os limites são muito imprecisos, dependendo da pressa do obstetra). O diagnóstico deve se apoiar no partograma. O próprio ACOG só reconhece período expulsivo prolongado mais de duas horas em primíparas e uma hora em multíparas sem analgesia ou mais de três horas em primíparas e duas horas em multíparas com analgesia. Na curva de Zhang o percentil 95 é de 3,6 horas para primíparas e 2,8 horas para multíparas)
77. Passou do tempo (diagnóstico bastante impreciso que envolve aparentemente qualquer idade gestacional a partir de 39 semanas)
78. Placenta grau III ou II ou I ou qualquer outra classificação
79. Plaquetas baixas não oclusivas do colo do útero
80. Possível falta de vaga em maternidade para um parto normal, caso a gestante não marque a cesárea
81. Pouco líquido no exame ultrassonográfico sem indicação no final da gravidez
82. Praticar musculação ou ser atleta
83. Pressão alta
84. Pressão baixa
85. Problemas oftalmológicos, incluindo miopia, grande miopia e descolamento da retina
86. Prolapso de valva mitral
87. Qualquer grau de placenta
88. Qualquer malformação fetal incompatível com a vida
89. Qualquer procedimento cirúrgico durante a gravidez
90. Sedentarismo
91. Septo uterino/cirurgia prévia para ressecção de septo por via histeroscópica
92. Ser bailarina
93. Suspeita ecográfica de mecônio no líquido amniótico
94. Síndrome de Down e qualquer outra cromossomopatia
95. Síndrome de Ovários Policísticos (SOP)
96. Tabagismo
97. Trabalho de parto prematuro
98. Trombofilias
99. Varizes uterinas
100. Uso de antidepressivos ou antipsicóticos
101. Uso de heparina de baixo peso molecular ou de heparina não fracionada
102. Varizes na vulva e/ou vagina
Artigos sobre indicações de Cesárea
- Indicações de cesariana baseadas em evidências: parte I - https://docs.google.com/file/d/1kXAdud3vlkOrLeN1B_si9cpVrEe41IzsG2HeiyTzIAzi1-BA4Usc2t1uxZoS/edit?hl=en- Indicações de cesariana baseadas em evidências: parte II - https://docs.google.com/file/d/1BFsNkUiimQjquT68kNVLxmfsNTDgAHjXaJcmjTNXznieuRzZ5kmiCAOtgJYd/edit?pli=1#
- Condições frequentemente associadas com cesariana, sem respaldo científico - https://docs.google.com/file/d/0ByeaAlBSCXOOZjY5N2E4MTAtNzMxZi00NmY4LWIyMzUtOTM4ODFhNWJmYTRm/edit?hl=en&pli=1
quinta-feira, 8 de março de 2012
Teste da Violência Obstétrica - Dia Internacional da Mulher - Blogagem Coletiva
Não mandarei nenhuma mensagem bonitinha sobre como nós mulheres podemos ser delicadas, lindas, charmosas e carinhosas (como se fossemos apenas isso...), mas quero lembrar o por quê desse dia ter sido instituído. Reproduzo o que foi dito em outro blog http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/03/teste-da-violencia-obstetrica-dia.html
"O incêndio foi em 1911. E já se comemorava o dia internacional da mulher antes disso. Foi proposto em 1910, por uma mulher de nome Clara Zetkin. Ela propôs, em 1910, na I Conferência Internacional de Mulheres, que houvesse uma data internacional para discussão da condição de vida das mulheres. Em 1911, então, passou-se a comemorar o Dia Internacional da Mulher. Mas não em 08 de março. Em 19 de março.
Bom, aí vem a história do incêndio. Seis dias depois da data, em 25 de março de 1911, a fábrica têxtil Triangle Shirtwaist pegou fogo e 146 mulheres, a grande maioria costureiras, morreram queimadas. O incêndio foi considerado o pior de Nova York até o 11 de setembro.Então, em 08 de março de 1917, seis anos depois, as operárias russas se rebelaram contra as péssimas condições de vida das mulheres, contra a exploração feminina, contra a entrada de seu país na I Guerra Mundial, foram às ruas e constituíram uma das maiores manifestações já vistas na Rússia e que foi, justamente, o marco inicial da Revolução Russa de 1917.
E hoje comemoramos, em 08 de março, o Dia Internacional da Mulher. Então quando se diz que é uma data de luta, não é papo de ativista não. É, mesmo, uma data de luta."
Aliás, um filme que retrata bem a situação da mulher trabalhadora poucas décadas atrás é Terra Fria, com a Charlize Theron. Fica a dica!
(trailer: http://www.youtube.com/watch?v=8VwRutCDloc&feature=related)
Então hoje é dia da mulher e bla bla bla, mas ao invés de distribuir “parabéns” de forma vazia, distribua ações. Pense quantas vezes você apoiou discursos machistas que humilham, objetificam e diminuem a mulher, diminuem aquele ser humano. Quantas vezes você culpou uma mulher de ter sido estuprada porque estava usando saias (ao invés de culpar o estuprador que não sabe se controlar), quantas vezes você chamou uma mulher de vadia e galinha só porque ela resolveu agir como tantos homens agem, para se divertir? Quantas vezes você reduziu a mulher a um par de seios, a um corpo vazio, como uma casca sem valor?
(trailer: http://www.youtube.com/watch?v=8VwRutCDloc&feature=related)
Então hoje é dia da mulher e bla bla bla, mas ao invés de distribuir “parabéns” de forma vazia, distribua ações. Pense quantas vezes você apoiou discursos machistas que humilham, objetificam e diminuem a mulher, diminuem aquele ser humano. Quantas vezes você culpou uma mulher de ter sido estuprada porque estava usando saias (ao invés de culpar o estuprador que não sabe se controlar), quantas vezes você chamou uma mulher de vadia e galinha só porque ela resolveu agir como tantos homens agem, para se divertir? Quantas vezes você reduziu a mulher a um par de seios, a um corpo vazio, como uma casca sem valor?
As mulheres ainda recebem, em muitos setores da sociedade, salários menores. Tem menos chance de conseguir uma vaga de emprego, pois as empresas não querem pagar licença maternidade. Os números de abuso sexual tem apenas aumentado. Na África meninas virgens são estupradas pois acredita-se que assim alguém pode curar-se de HIV. Em diversos países crianças são sexualmente mutiladas pois às mulheres não é permitido experimentar sua sexualidade de forma saudável, ter prazer. Crianças de 12, 13 anos são vendidas como dotes de casamento; e no Brasil não é muito melhor, aqui pais também vendem suas filhas para a prostituição, quando eles mesmos não as estupram porque “provocaram com um shortinho”. Nos EUA 1 a cada 5 mulheres em ambiente universitário já foi estuprada. É comum darem drogas que “apagam” elas nas festas. Muita gente trata isso como “normal”. No Brasil recentemente uma menina de 12 anos foi estuprada no fundo de um ônibus que tinha 4 passageiros (mas ninguém viu nada). Também no Brasil jovens promoveram um estupro coletivo de algumas de suas amigas como presente de aniversário de um deles. Aliás cerca de 15 mil mulheres são estupradas por ano no Brasil (e são os casos registrados apenas). 6 a cada 10 brasileiros conhecem uma mulher que já foi vitima de violência doméstica, e muitas dessas agressões não são denunciadas pois quem está em volta considera “normal” o marido perder a cabeça e bater nela, ou não quer se meter em “briga de casal”. Ao invés de distribuir “parabéns” no dia da mulher, comece a denunciar!
Sabiam que 2/3 da força de trabalho no mundo é feminina? Nas lavouras, nos serviços domésticos, nas fábricas.. Em países como a Índia e Nepal, as mulheres são responsáveis também pela construção civil. Mas as mulheres ganham apenas 10% da renda mundial e detêm apenas 1% dos meios de produção.
2/3 das crianças que tem o acesso negado à educação são meninas. E a violência doméstica é a maior causa de lesão e morte a mulheres no mundo. E não é só em países onde é culturalmente aceitável um homem trair, e é igualmente aceitável um marido matar sua mulher se ele desconfiar que ela o traiu. (Sem contar os países onde mulheres estupradas são obrigadas a casar com seus estupradores ou serem apedrejadas por terem feito sexo antes do casamento)
2/3 das crianças que tem o acesso negado à educação são meninas. E a violência doméstica é a maior causa de lesão e morte a mulheres no mundo. E não é só em países onde é culturalmente aceitável um homem trair, e é igualmente aceitável um marido matar sua mulher se ele desconfiar que ela o traiu. (Sem contar os países onde mulheres estupradas são obrigadas a casar com seus estupradores ou serem apedrejadas por terem feito sexo antes do casamento)
É incrível pensar que apenas recentemente as mulheres foram consideradas capazes de votar, de dirigir, de ter acesso a uma educação de base e de estudar áreas que não se resumem àquelas áreas de conhecimento que até hoje ainda são, por muitos, consideradas (não por mim, que me formei em Letras) sub-areas.. as humanas da ‘letras’, ‘serviço social’ e outras. Muitos hoje perpetuam a ideia de que mulher é “burrinha” pra área exatas; e até em ambiente de jogos ouvimos “se é mulher deve jogar mal”.
Mas há outras formas de violência, algumas mais sutis, que marcam a alma. A violência promovida pela mídia é intensa e descarada. Criam padrões de beleza totalmente irreais e inatingíveis. Doutrinam através de revistas, anúncios, filmes, bonecas... fazendo as meninas se considerarem piores por não terem isso ou aquilo, criam adolescentes em constante crise consigo mesmas, não aceitando seu próprio corpo, seus cabelos, suas marcas, sua pele, pois elas veem o photshop nas “beldades” de revistas e acham que aquilo é real, mas é algo impossível. Tantas meninas aprendem desde cedo também que sem maquiagem não é possível ser bonita. E a lista de problemas segue...
Pior ainda, revistas como “playboy” mutilam digitalmente o corpo feminino. Através do photoshop (ou semelhante) apagam parte da genitália feminina para que esta fique mais “lisa e infantil”. E como a maioria das mulheres não costuma ver outras mulheres nuas, a não ser em revistas etc, passam a se acharem ‘esquisitas’, ‘defeituosas’, ‘feias’. Nos EUA é crescente o número de cirurgias plásticas “íntimas”. Temos milhares de mulheres se submetendo a procedimentos dolorosos e desnecessários pois foram levadas a desacreditar de seus próprios corpos, a se auto-condenarem. Na TV aberta no Brasil temos apresentadores misóginos fazendo piadinhas condenáveis sobre “mulher feia devia agradecer por ser estuprada”. Tudo é uma violência!
Sobre isso, sugiro a todos que vejam esse documentário (legendado em inglês) sobre a manipulação e desmembração da imagem feminina em anúncios e o impacto psicológico e social que isso tem causado (inclusive o vídeo mostra como esse tipo de manipulação começou a se estender para o universo masculino também) http://www.youtube.com/watch?v=1ujySz-_NFQ
Pior ainda, revistas como “playboy” mutilam digitalmente o corpo feminino. Através do photoshop (ou semelhante) apagam parte da genitália feminina para que esta fique mais “lisa e infantil”. E como a maioria das mulheres não costuma ver outras mulheres nuas, a não ser em revistas etc, passam a se acharem ‘esquisitas’, ‘defeituosas’, ‘feias’. Nos EUA é crescente o número de cirurgias plásticas “íntimas”. Temos milhares de mulheres se submetendo a procedimentos dolorosos e desnecessários pois foram levadas a desacreditar de seus próprios corpos, a se auto-condenarem. Na TV aberta no Brasil temos apresentadores misóginos fazendo piadinhas condenáveis sobre “mulher feia devia agradecer por ser estuprada”. Tudo é uma violência!
Sobre isso, sugiro a todos que vejam esse documentário (legendado em inglês) sobre a manipulação e desmembração da imagem feminina em anúncios e o impacto psicológico e social que isso tem causado (inclusive o vídeo mostra como esse tipo de manipulação começou a se estender para o universo masculino também) http://www.youtube.com/watch?v=1ujySz-_NFQ
Não somos bundas e corpinhos bonitos para venderem cerveja nas propagandas. Somos mais!
Mas há outro tipo de violência cometida contra mulheres (e famílias). A violência obstétrica
Começa na infância, com a negação da sexualidade feminina. As meninas ouvem “fecha as pernas”, “isso é feio”.. Nega-se a autoconsciência corporal e imprime-se naquela mente ainda em formação a ideia de que é algo ‘sujo’, cercado de culpas e neuroses.
Segue então para a menarca (a primeira menstruação). Antigamente (e ainda em algumas culturas), esta era tratada como um momento importante na vida de uma menina, um rito de passagem, algo a ser celebrado. Hoje a menstruação é tratada apenas como um incômodo, um incômodo de termos que usar aquelas “fraldas” (aliás, toda mulher deveria conhecer os coletores menstruais, é uma maravilha se libertar do absorvente!), o incômodo da cólica, da negação dos próprios ciclos naturais do corpo.
Então a mulher engravida, e no pré-natal “a gestante é tratada como um objeto de estudo e não como um ser íntegro, humano e digno de tratamento individualizado e respeitoso – Quem nunca ouviu um obstetra ou uma enfermeira dizendo: “- Mãe, deita, tira a roupa e abre as pernas?” ou “-Mãe, aqui em decide o que deve ser feito sou EU. Você deve apenas obedecer aos protocolos”.”
A gestante passa a não ter pleno direito sobre seu corpo, se ela se nega a obedecer cegamente a autoridade do médico é tachada de irresponsável, louca, mesmo quando este a submete a exames invasivos e desnecessários (como o exame de toque de rotina).
O abuso de poder no ambiente médico, através de humilhação, terrorismo psicológico, coerção, intimidação é algo comum, infelizmente. As mulheres são chamadas de “mãezinhas”, no diminutivo mesmo; são infantilizadas. Delas é retirado o poder, a capacidade de decisão, a liberdade sobre seus corpos, a saúde de sua gestação. Delas é roubado o protagonismo sobre seus próprios partos. E de seus maridos é roubado o direito de participar daquele momento com elas (apesar de existir uma lei do acompanhante, ela não funciona no SUS).
Tornou-se comum a frase “Dr. Fulano fez o parto..” mas quem faz o parto é a mulher! O médico assiste e intervém quando necessário.
O parto, que deveria ser outro rito de passagem, de catarse emocional, de transformação, de empoderamento, transforma-se em uma cena de terror. O que acontece nos hospitais do Brasil é comparado muitas vezes a um estupro, sim, um estupro, do corpo e da alma, tamanha a violência!
É um momento íntimo e único na vida daquela mulher, mas ela é humilhada com frases como “na hora de fazer não doeu”, “se gritar mais eu não te atendo”. Elas não podem nem expressar seus receios, sua dor. São obrigadas a abrir sua intimidade para dezenas de enfermeiras carrancudas, se sentem coagidas a aceitarem intervenções (muitas vezes desnecessárias e desrecomendadas pela OMS, mas ainda praticadas por médicos desatualizados e despreparados para partejar). São impedidas de se movimentar (muitas vezes tem as pernas amarradas) e obrigadas a ficar na posição litotômica (deitada), a mais dolorosa e inadequada para o parto, criada apenas para conforto do médico quando o parto deixou de ser um evento feminino e tornou-se uma intervenção hospitalar. Muitas vezes elas têm suas genitálias cortadas (episiotomia) a sangue frio, corte este que desde 1986 a OMS desrecomenda que seja feito. E no final, quando o bebê nasce, são impedidas de se aconchegar com ele, pois em muitos casos o bebê é levado para um berçário e também sofre intervenções violentas. O ser humano é o único mamífero que afasta a cria de sua mãe ao nascer, é lamentável!
E quando não é assim, as mulheres são enganadas por obstetras gananciosos, manipuladores, levadas a acreditar que possuem inúmeros defeitos que as torna incapazes de parir, e convencidas com desinformação a marcarem cesarianas (o que envolve 4x mais riscos para mãe e bebê, e possui inúmeras desvantagens frente ao parto normal) totalmente desnecessárias, e tem seus corpos cortados, se submetem a cirurgias que não precisavam, e sofrem todas as consequências disso devido a essa violência obstétrica institucionalizada.
E após o parto muitas mulheres são constantemente constrangidas e repreendidas por fazer algo simples como amamentar um bebê. Para muitos a amamentação é um ato obceno, e a pressão pelo desmame é vergonhosa. E para muitas é deixada a tarefa de sozinha cuidarem daquele bebê.
A violência do machismo prejudica aos homens também. Muitos pais que desejariam naturalmente participar daquele momento, de curtir seus filhos, sofrem zombaria dos amigos “você não é babá pra ficar trocando fralda suja”, “vamos pescar, deixa sua mulher ai com esse saco de choro”.
Mas não precisa ser assim, o Brasil não precisa continuar com seus mais de 50% de cesarianas (chegando a 90% na rede privada, quando a OMS recomenda que apenas 15% são necessárias). O Brasil não precisa continuar a ser um modelo de violência. Aos poucos, com a aquisição de informação e acesso a novas assistências, as mulheres passam a questionar essa realidade. Aos poucos o movimento de humanização do parto e nascimento consegue atingir mais gente, e promover o atendimento à gestante e ao parto de forma acolhedora, promovendo um parto prazeroso e respeitoso para mãe, pai e bebê.
O Taoísmo, que embasa a Medicina Tradicional Chinesa, nos trouxe a idéia do Yin e do Yang. São opostos complementares, e possuem em si a semente do outro. O feminino e o masculino são aspectos da mesma unidade fundamental, são uma dualidade natural no mundo, que se interliga e se complementa. Como a bolinha no centro de cada cor, toda mulher tem um pouco de homem, e todo homem tem um lado feminino.
Os homens são também vítimas da sociedade embasada no machismo. Ouvem que “menino não chora” e são levados a reprimir suas emoções. São “adestrados” a serem sempre machões, provedores, insensíveis. Se um homem demonstra compaixão por um animal, poderá ouvir de outro que é “viadinho”, se um homem demonstra gentileza e empatia, poderá ouvir de outro que é “fracote”.
Com conhecimento e com o coração podemos mudar essa realidade, e chegará um dia, espero, que não será preciso um “dia da mulher” para lembrar as pessoas a serem mais respeitosas, e deixarem de praticar essa violência de gênero.
Penso, sinceramente, que quem sorri para uma mulher e diz “parabéns pelo seu dia” não entendeu o que historicamente esse dia significa. Portanto não me dê parabéns por ser mulher, não tenho mérito nenhum em ter nascido de um gênero e não de outro. Mas deixe de fomentar o machismo e a misoginia na sociedade, seja mas respeitoso, mais humano, mais empático, e claro, denuncie!
Segue abaixo um questionário. Promovemos esta blogagem coletiva em defesa dos direitos reprodutivos de todas as mulheres, em defesa de escolhas esclarecidas, de respeito às individualidades e à dignidade humana. Por uma assistência ao pré-natal e ao parto segura, e de boa qualidade.
O Teste da Violência Obstétrica ficará no ar até o dia 15 de abril. No dia 30 de abril, divulgaremos os resultados desta pesquisa informal, que tem como objetivo sensibilizar as mídias sociais e outras instâncias para a grave questão da violência obstétrica.
O teste será respondido anonimamente e os dados individuais serão confidenciais.
Participe, deixe sua contribuição!
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