sábado, 8 de setembro de 2018

"Mamãe, eu vou morrer um dia?!" - A criança, a morte e o medo de morrer

"Mamãe, eu vou morrer um dia?!"
 A criança, a morte e o medo de morrer

Eu geralmente falo com naturalidade sobre a morte com minha filha. Ela tem três anos e muitos achariam cedo demais para tocar no assunto. Não é um assunto que eu “puxo”, mas ele acontece e eu respondo com verdade. “O que é isso?” ela aponta para um refrigerador no mercado “são porquinhos mortos filha, algumas pessoas comem eles, nós não, preferimos eles vivos”; --- Ela anda numa fase muito ligada a roupas, adora olhar seu armário de vestidos “... e esse vestido mamãe, quem me deu?” – “Esse vestido é especial, sua bisa que fez com as mãos dela, pra você, ela te amava muito” – “a bisa que morreu mamãe? Por que ela morreu?” – “por que ela estava muito velhinha, é normal morrer, é algo que acontece.”
Não trato a morte como algo mórbido. É triste, claro. Mas penso que a perda de contato com a realidade ‘normal’ da morte, bem como do nascimento afastou-nos de uma oportunidade de encarar isso com menos dor. Artificializamos o nascimento, alguns hospitais chegam a ter taxas de 98% de cesarianas. Não conseguimos mais olhar pra uma gestante e para um parto como algo absolutamente normal que acontece, temos medo, queremos controlar. O mesmo com a morte. Não queremos falar a respeito, tentamos controlar, não aceitamos, e com isso tudo acabamos por sofrer mais. Sufocamos a dor, nos enchemos de tabus, enterramos os sentimentos, adoecemos...
Quando eu era adolescente por um tempo eu fiquei muito interessada no assunto “morte”. Fui ler o livro tibetano dos mortos, as teorias do espiritismo, da teosofia, do hinduísmo, do cristianismo. Eu queria entender como cada um encara a morte, e o pós morte. Se todos nascemos, todos morremos. Não falar sobre isso não fará doer menos, pelo contrário. Alguns encontram conforto espiritual, outros não; mas precisamos de mecanismos para lidar com o luto. Escrevemos cartas de despedida, temos sonhos simbólicos, arrumamos quartos, enterramos. Tocamos a música favorita do falecido, montamos um mural de fotos, contamos uma história sobre seus feitos em vida. E o que fica de importante é tudo que aquela pessoa foi em vida para nós.
Eu sempre falei com naturalidade de morte com minha filha. Ontem ela me surpreendeu com uma dúvida e dor sinceras. “Eu vou morrer um dia mamãe?” Isso foi um teste! Minha vontade era abraçar e dizer “não vai morrer filha”. Mas não podia mentir”. Meus olhos se encheram de lágrimas e disse “vai filha, um dia você vai morrer, mas vai levar muito tempo, não se preocupe” (claro, eu não sei disso, mas espero que ela morra de velhinha, igual sua bisa, e tenha uma vida cheia de significado!)
Ela chorou, ela chorou sentida, lágrimas absolutamente sinceras e tristes. “Eu não quero morrer mamãe”. – Ela tem 3 anos e 7 meses, me peguei pensando se eu deveria ter mentido...

Coloquei ela no meu colo e senti suas lágrimas pingando, seu corpo curvado, entregue a um sentimento real. Lembrei-me de uma palestra que vi do velejador Amyr Klink, em que ele conta como a morte é o maior dos professores no mar, pois você aprende (a velejar, a ler as estrelas, a economizar comida, a manejar a vela, o que for) por necessidade de sobrevivência. A iminência da morte torna a vida um aprendizado extremamente presente e real. Não preciso citar aqui histórias lindas de quem recebeu um diagnóstico terrível e passou a “aproveitar a vida” muito melhor. O cinema é cheio dessas histórias. Eu pessoalmente nunca vivi isso, posso apenas cogitar...
Enfim! Lembrei-me das palavras de Amyr e embalei minha filha no meu colo. Enchi seu cabelo de beijos e contei pra ela todas as coisas lindas que ela poderia fazer da vida dela. E que morrer era normal, mas que ela não precisava ter medo. Que ela tinha muito a viver ainda e que estaríamos juntas. Dei exemplos de tudo que ela poderia ser na vida, e que ela cresceria e se transformaria numa mulher incrível, e que ela ainda tinha muito a aprender e viver, e como eu queria que ela tivesse uma vida muito boa e cheia de amor, pois ela já é muito amada. Ela soluçou e mais lágrimas caíram na minha perna “eu não quero morrer mamãe”. E eu abracei ela forte e disse “eu sei filha, eu também não” e a chamei pra aproveitar a vida que temos hoje e fomos passear!
A tristeza passou, foi um momento, foi um instante que ela tomou consciência de que a morte existe. Suas lágrimas foram tristes e genuínas. Eu não saberia inventar mentiras para ela. Talvez seja cedo demais ela pensar sobre isso, mas simplesmente ‘surgiu’ o assunto. Espero que ao entender como todos morremos, ela saiba preencher-se de vida em todos os momentos e experiências que ela tiver. E que ela aprenda muito com cada oportunidade dessa vida. Quando a gente morre, o que importa é a vida que tivemos, e tudo que nos transformou e ajudamos a transformar.

sábado, 1 de setembro de 2018

Criei uma Aldeia, mas não sou chefe de tribo.


Criei uma Aldeia, mas não sou chefe de tribo. 
Rede de apoio entre mães!

 3 anos de aldeia! Obrigada a todas! A Aldeia não foi nada de mais, apenas uma mãe que cansou de se sentir sozinha, e outras mães que responderam! Para encontrarmos ajuda, basta pedirmos! Muito obrigada pelos anos de companhia, e pelas amizades que se formaram, seja comigo, sejam outras entre si! É lindo de ver! De uma intenção de união, muitas coisas bonitas podem surgir! - Alaya Dullius


Foi uma necessidade, uma necessidade minha. Querem que sejamos ‘mulher-maravilha’. Mas pouco se fala da profunda solidão materna. 

Claro, existe a solidão relativa ao luto de si mesma, o deixar de ser o que se era, se descobrir outra pessoa, sentir saudades do que fomos, do que tínhamos... Eu já era doula formada quando me tornei mãe, já havia lidos os manuais, já havia até ordenhado o leite de outras mães, antes mesmo de sentir o leite jorrando de dentro de mim! Eu tinha os recursos, o conhecimento, eu não tinha gente para estar comigo! 

Recém-mudada de cidade, numa cidade onde eu não me identificava, com o marido tendo voltado a trabalhar, a família longe; precisei, precisei de gente, de outras mulheres, outras mães, para partilhar a vida. 

Meus dias eram preenchidos com a bebê. Amamentar, trocar, banho, sono, amamentar, choro. Era um looping eterno de bebê, corre o risco da gente pirar! Eu saia de casa, ia ao mercado, à padaria, bebê devidamente amarrada no sling. Gostava de dar oi pro padeiro, falar com a caixa do mercado, queria falar com outros adultos de vez em quando. Passava o dia lambendo cria e conversando com bebê. 

Era ótimo! Não me entendam mal! Era tudo que eu sempre quis! Mas faltava algo, faltava outras pessoas. Alguém pra dizer “oi também estou aqui, também estou nessa”, ou “sabem receita de pão de queijo sem leite?!”. Alguém pra dizer “alguém ai acordada de madrugada pra bater um papo?”. Ou simplesmente pra me recomendar uma boa costureira, ou onde encomendar um bolo, ou desabafar a falta de sentido de todas as lojas de produtos para bebês serem categorizados entre ‘de menino’ e ‘de menina’! 

Não queria posts profundos em um grupo sério e comprometido no facebook, queria dizer “nossa hoje a fralda vazou, derramei o leite ordenhado, queimei o arroz mas ta tudo bem, vai passar!” – uma coisa humana, cotidiana, de mães com mães, entre mulheres, possíveis amigas, uma aldeia. 

Foi assim que surgiu, em Setembro de 2015. Convidei outras grávidas e mães recentes e não enchi de regras e moderação. A regra era simples: respeito. Apoiamos o parto normal, apoiamos a amamentação; use o grupo, participe, entre na conversa, pegue o bonde andando, desabafe, fale do marido, da sogra, da mãe, peça ajuda, tire dúvida, fale de cólicas, de fraldas, do cabelo caindo. Pode até pedir indicação de marceneiro! Estamos aqui juntas. Responderá quem puder, conversará quem quiser.

Claro que reunir um grupo heterogêneo de mulheres no puerpério sempre tem seus probleminhas, mas por muito tempo vi algo lindo acontecer. Vi apoio real, desabafo real, compartilhamento de dicas. Eu ajudava com o conhecimento que eu tinha já do trabalho com gestantes (outras também ajudavam em suas expertises!) -- elas me ajudavam com dialogo, amizade, presença no cotidiano. Aprendi muito também! E juntas muitas de nós crescemos.
Logo chegamos a 100 membros, na maior parte do tempo fomos 200 mães. Bebês de 0 a 3 anos, a maioria. E dali surgiram amizade reais, e outros grupos se derivaram! Eu achava lindo! É a vida, relações e afinidades, da aldeia outras aldeias se criaram, pessoas se encontraram! Grupos para introdução alimentar, dieta, encontrinhos. As mães iam se afinizando muitas vezes pela idade de seus filhos, mesma fase, mesmos desafios, mesma solidão. 

Tivemos alguns grandes encontros. Um no aniversário de dois anos da minha filha. Outro no aniversário de uma das mães que faz bolos deliciosos! O salão do prédio dela ficou lotado de bebês pelo chão e mães conversando! Encontrinhos na pracinha, piqueniques, desabafos não faltaram! Tivemos até uma super festa de Halloween no prédio de uma das mães, todo mundo foi fantasiado! 

Eu queria que fosse um local onde as mães pudessem recorrer sem medo (e sem propagandas de venda de roupas e outras coisas que poluem nosso dialogo). Claro que houveram problemas, contudo, algumas das ações mais lindas eu vi surgindo a partir da Aldeia de Mães de São José dos Campos! 

Coisas simples e outras muito sérias! Um empréstimo de muleta para uma mãe que quebrou o pé, um empréstimo vindo de uma desconhecida... Uma carona pra uma mãe presa com o bebê na chuva. Fui ajudada quando tive uma úlcera no olho e precisei de ajuda com um oftalmologista! Mas outras coisas aconteceram. 

Uma mãe da Aldeia descobriu que a prima de 17 anos estava grávida. Acolhemos a jovem mãe. Organizaram um chá de bebê surpresa para ela! Com bolo e presentes e muitas fraldas. Um monte de desconhecidas mobilizadas por solidariedade a uma mãe! Foi bonito de ver!
Tivemos ajuda com rifas para pagar o parto de uma, troca de consulta com a mesma pediatra por que o filho de outra tinha mais urgência, anúncio de onde tinha promoção de fralda na cidade! E muita, muita escuta!

O que foi mais emocionante para mim foi a corrente de amor em torno da Raquel, mãe da Lais. Uma mãe da Aldeia que descobriu uma leucemia quando sua bebê tinha apenas uns 8 meses! Choramos com ela, visitamos, organizamos campanha de doação de sangue quando ela foi internada e precisou muito! (o mérito não é meu! É dessas mães lindas que se mobilizaram). Foi compaixão genuína, generosa, de uma mãe se colocando no lugar da outra! Ela nos deixou, e a Aldeia ficou em Luto. Depois muitas ali, juntas, organizaram uma festinha de aniversário para a Lais, que completou um ano pouco tempo após a partida de sua mãe. Ali Lais ganhou muito colo, e seu pai muitos abraços. Ali foi uma Aldeia de amor. 


Na Aldeia mulheres encontram amigas, encontraram irmãs. Encontraram suas doulas, consultoras de amamentação. Encontraram convergências, e opiniões diferentes também! Era um lugar onde a gente não se sentia diferente, "mãe chata". Foi onde mães descobriram que são normais, que suas angustias e inseguranças são as de todas, que não estão fazendo nada errado, e principalmente, que “vai passar”! 

Essa é minha homenagem à aldeia que reuni, não tem torno de mim, mas comigo!
Hoje já não me sinto tão parte dela, mas sei que por três anos foi auxílio, apoio e escuta para muita gente! Muita gente passou e deixou sua marca positiva! Muita gente ficou. Memórias se criaram. Torço que a experiência tenha valido! Valeu pra você?



Deixo o depoimento de algumas mães: 

1. “Eu fico até emocionada tentando dizer o que essa Aldeia representa pra mim! Não estou em nenhuma das fotos, mas vejo pessoas tão maravilhosas que me acolheram sempre! Não tem como esquecer a primeira pessoa que me acolheu X pela qual tenho muito carinho, ela nem deve lembrar pq foi instintivo ajudar uma recém mãe super perdida, recém parida! Sou grata a ela e a tantas outras queridas e amadas sempre em meu coração”

2. “Essa Aldeia me recebeu de braços abertos numa cidade nova em que eu não tinha rede de apoio e se tornou minha rede de apoio, minhas amigas, minha família
São minha companhia nas madrugadas acordadas, nas discussões com marido, nas dificuldades da maternidade
São mulheres porreta que abrem minha mente diariamente para temas que nem me imaginava discutindo
Obrigada X por me trazer pro grupo, obrigada a todas as amizades feitas ali e obrigada a todo mundo que me acolheu sempre!”

3. “Obrigada por me acolher nos momentos de dúvidas maternas e existenciais! Graças ao grupo o puerpério se tomou mais leve!!”

4. “eu sou tão grata de ter estado lá desde o começo! Acho que o que mais fez por mim era saber que eu não estava sozinha. Que tudo o que eu sentia e passava era normal. Mesmo não estando fisicamente na maioria dos encontros sempre encontrei apoio e empatia. Não imagino minha maternidade sem essa troca! Muito obrigada! ❤”” Fora as amizades lindas e reais que pude fazer! É tanta coisa boa pra falar!”

5. “A aldeia pra mim que estive desde o início até pouco tempo atrás, foi um lugar de acolhimento. Um local onde eu não era a "diferentona". Na aldeia recebi apoio, afeto e desenvolvi amizades reais. Sou grata por ter uma maternidade mais leve. Sou grata por toda partilha e confiança dada e recebida.”

6, “E como eu sou grata por você ter cruzado o meu caminho de maneira tão especial e ter me apresentado este grupo tão acolhedor! Mil obrigadas!”

7. “Foi tudo de bom em todo meu puerpério e quando tive que desmamar, putz sem palavras pra dizer o quanto foi incrível esse grupo de mães.”

8. “Ter uma rede de acolhimento, trocar vivências, ter empatia, aprender, desabafar, mudar de opinião...tudo isso aconteceu comigo, e foi bom e importante! Além de fazer amizades para o dia a dia. Tornou a maternidade mais leve e com menos culpa.”

9.“Sou só gratidão por esse grupo.
Fui acolhida num momento tão difícil e novo da minha vida.
Aprendi muito, fiz grandes amigas, dividi alegrias e dores.
Lendo as mensagens, me sinto muito feliz por ter conseguido acolher outras mulheres também. Por ter feito a diferença na vida de vcs.
Obrigada. Obrigada. Obrigada.”

10. “Sou muito feliz por poder participar dessa aldeia, faz diferença na minha vida e contribui para minha evolução como mãe e como pessoa.
Nela aprendo de tudo, divido meus momentos, me sinto apoiada e chamada para diversas reflexões
Sou grata de mais a cada uma!”


11. “Ahhh é uma rede linda de apoio, de mulheres q se entendem e se acolhem, lá desde o comecinho eu partilhei meu segundo puerpério , senti o apoio de cada uma e o acolhimento q eu precisei... foi um encontro especial com amigas de vida real e outras da virtual, que me ajudou no entender do quanto uma rede vai se transformando e acolhendo e se transformando e caminhando pra muitos lados, tornando parte da vida daquelas q partilham ali... <3

12. “A Aldeia é um lugar onde não me sinto a "diferentona", é onde existem pessoas que compartilham das mesmas opiniões e ideias que eu. Um grupo que tornou minha maternidade mais leve, onde só tem mulher FODA.”

13. “ A Aldeia pra mim é uma grande troca, troca de vivências, de experiências, de aflições, de angústias, de alegrias, de babações nas crias, de comemorações pelas conquistas - sejam elas grandes ou pequeninas-. É acolhimento, é colo e um aprendizado constante. Obrigada mulheres por fazerem da maternidade um pouco mais leve, e por me trazerem tantas reflexões. Eu acredito na Aldeia e sei que juntas somos mais fortes.”

14 .“Só posso agradecer!!!! Essas mulheres compartilharam e ainda compartilham comigo momentos bons e momentos de preocupação, cansaço! A melhor rede de apoio q eu poderia ter. Muitas amizades”

15. “A aldeia é o lugar q mtas vezes me acho, me escuta e me faz escutar, onde se troca experiências e aprendizados... onde encontro esperança em que estamos criando uma geração melhor...”

16. "Aldeia é onde seu coração se sente em casa."
Obrigada Alaya por eu ter encontrado, graças a vocês, minha "casa" nesta cidade.”

17. “A vida é feita de movimento e eu sou grata pelo seu impulso inicial de criar um grupo tão rico. Eu me lembro bem, lá no início, quando fui adicionada. Foi um misto de alívio com sensação de pertencimento. Já me vi muitas vezes como um peixe fora d’água e lá eu posso ser eu mesma e também me redescobrir. Foi lá que encontrei um lugar em São José dos Campos, um lugar além da família do meu marido ou das pessoas que conheci através dele. Vocês, mais do que nunca, foram a consequência do que ressoei pro mundo! Meu puerpério foi sabático e ali encontrei forças pra seguir no meu propósito com o parto domiciliar, com a amamentação, com a cama compartilhada e tudo o mais que uma maternidade consciente convida. É ali que eu me vejo nas recém mães e também ali que consigo olhar pro meu percurso e ter muito orgulho de mim. ❤️ Somos mais fortes juntas!”

18. “Aldeia pra mim foi um encontro com minha tribo. Obrigada a todas as que dedicaram seu tempo e afeto pra acolher as minhas dúvidas e medos. Fez muita diferença no meu puerpério, trouxe mais sanidade e leveza. Obrigada pelo convite, Obrigada pelas partilhas de cada dias mulheres lindas!”

19. "Aldeia foi um divisor de águas, existe um eu antes e outra depois. Sou muito grata pq em um momento difícil da minha vida fui acolhida por vcs.”

20. “Tao difícil expressar em palavras o quanto foi importante esse grupo quando vc criou Alaya estava no começo da humanização nao sabia nem o que era puerpério estava no segundo filho onde o primeiro foi cesária desnecessaria...vcs me ajudaram tanto me ouviram os gritos de uma mulher com dor...dor de um marido pedindo mais de uma mãe que havia de renascer que tantas descobertas estavam a flor da pele a todo vapor e não sabia lidar com tudo isso.
Sou grata a todas pelo acolhimento, sou grata pelo abraço que recebia a cada momento fragilizado e dolorido que estava vivendo.”

21. “A aldeia sempre me teve gosto de minha casinha. No começo eu me sentia "a convencional" no meio das diferentonas. E mesmo vindo da "oldschool" do " não morri por causa disso" sempre me senti acolhida e respeitada mesmo tendo divergências de opiniões. A Aldeia me cativou, me conquistou e me fez melhorar em diversos aspectos, principalmente como mãe.
Por isso acredito na sua missão de acolher mães. Se queremos ter.um mundo mais justo e suave devemos praticá-lo e darmos exemplo. Eu melhorei com a aldeia, ela me moldou pela acolhida que me teve. Por isso continuo nela. Luto por ela, acredito na aldeia como um espaço de troca e transformação através da acolhida. E mesmo sendo já uma índia velha das teta caída sem leite, me disponho a estar lá e acolher toda e qualquer mãe.
Pq nosso mantra é " isso também passará" e passa mesmo. Só fica o q foi impresso na alma da outra mulher.”

22. “Mto grata pela aldeia. Não tenho contato pessoalmente, porém é o lugar que me senti acolhida em relação às minhas angustias. É poder falar e compartilhar sem julgamentos. É saber que não estou sozinha lutando por um mundo melhor para minha filha. Preciso conseguir sair um pouco do virtual e conhecê-las melhor pessoalmente... Obrigada por td! Gratidão, amor, acolhimento e pertencimento definem um pouco esse grupo”.




23. “Pra mim foi aquele respiro inicial depois de um mergulho bem profundo. Aquele ar fresquinho que me ajudou a seguir em frente.”


24. “Na Aldeia eu pude perceber que não estou sozinha... Na maternagem, em SJC, nos questionamentos diários... Onde encontro apoio, conselhos, consolo, trocas... Muito grata por conhecer vcs!”

25. “Aprendi muito, me socorri sempre que precisei por uma febrinha ou uma dúvida, concordei ou discordei de assuntos que me eram interessantes ou não, admirei algumas mulheres que me inspiraram, me encontrei como mãe nesta tribo, nesta aldeia diferentona, que tb considero minha."

26. "A Aldeia me deu força e motivação para eu viver uma maternidade com meus propósitos, com valores baseados na minha família e escolha, e não em propagandas e idealizações. Com a aldeia me senti apoiada, acompanhada, acolhida nas questões do puerpério que não é tratada correntemente pela sociedade. Assim, eu e meus filhos pudemos sentir mais amor, presença e alegria diante das mudanças que 1 ou mais filhos provocam na vida. Todos estão se adaptando. Além disso tudo, eu aprendi tanto sobre a vida pq compartilhamos diversas coisas com confiança e segurança. Só tenho a agradecer a oportunidade de estar na Aldeia. É incrível como ela mexe em cada integrante e permite com que sejamos cada vez melhor , impulsionadas pelo amor. Viva a Aldeia!"

27. "No meu puerpério foi a minha salvação. Um lugar onde me entendiam, onde encontrei apoio!!! Já não me sentia tão só!!!"


sábado, 25 de agosto de 2018

Cereal no chão, um tapa e os terríveis 3 anos!



A imagem pode conter: cão
Momento desafios de educar um mini ser humano: ontem Lara (3 anos) pediu cereal para comer puro em um potinho. Enchi metade do pote e dei, ela pediu para eu colocar mais. Expliquei que aquilo era suficiente e ela teria mais se comesse tudo do pote, mas que ja era suficiente.
Brava por não ter ganho mais ela virou todo o pote no chão, gritando contrariada.

Se eu fiquei com raiva? Com certeza! Respirei fundo e tirei ela de dentro da cozinha antes que pisasse em tudo. Falei bem serio com ela que aquilo estava errado e eu não tinha gostado daquele comportamento. Ela respondeu que era só limpar o chão e pediu desculpas, e pediu pra eu encher o pote dela com novo cereal..

"Não filha, não é só pegar mais agora. Você jogou o que eu te dei no chão, isso não foi legal, você não vai ganhar mais agora. O que eu te dei esta no chão."Abri para o Bruce (da foto) me ajudar a "limpar" e ela ficou chorando que queria mais.

Voltei até ela e expliquei que a gente não pode jogar as coisas cada vez que não conseguirmos o que queremos, e por um fim educativo de causa e consequência ela precisava entender que ela causou aquilo a ela mesma. Enquanto eu falava eu a segurava suavemente, abaixada no chão olhando para ela. 

Furiosa ao perceber que eu não ia encher o pote dela novamente ela me deu tapa. Segurei a mão dela e falei que ela tem o direito de estar chateada, mas não podia me bater. Coloquei ela no sofá e voltei a cozinha para terminar de limpar e me acalmar.

Ela desatou num choro sentido, com lágrimas e soluços, daqueles que doem o peito.
Voltei ao sofá, peguei ela no colo e dei um abraço carinhoso. Aninhei ela nas minhas pernas e acariciei sua cabeça, e falei bem suave enquanto ela soluçava entre choros um pedido de desculpas, que era normal ficar chateada e com raiva, e que ela podia chorar. A beijei e disse que desculpava sim, mas que ela só ganharia o cereal novamente amanhã. 
 

Achei importante ser consistente na decisão, ao mesmo tempo não reprimir o choro de direito dela, e acolher sem ceder. Foi demorado, exigiu paciência, colo. Nossa vontade imediata é gritar com a criança. Educar é difícil, não sei se acertei, mas acho que ela vai pensar antes de jogar comida no chão novamente, e não precisei castiga -la de forma alguma. Apenas deixar a consequência natural agir.

Não é fácil "segurar" nossas próprias emoções enquanto ajudamos eles a lidar com as deles. É um aprendizado constante. É claro que seguimos com erros e acertos. É claro que estar em um "bom dia" comigo mesma ajuda muito. 


Quando estamos cansadas, com noites mal dormidas, falta de apoio, sobrecarregadas e exaustas, nesses momentos é muito mais difícil educar nossos filhos com amor, pois nós estamos precisando também de empatia e colo. Também precisamos ser cuidadas. Lutamos com nossa própria raiva e frustração, e na pressão do dia a dia é muito difícil. Em um país com uma licença maternidade ridícula, com tantos lares machistas, e tantas mulheres sobrecarregadas, é muito difícil ter o privilegio de praticar um olhar empático com nossos filhos, de ter presença de espirito de não surtar. Meu abraço a todas as mulheres e todos os pais participativos que encaram a maternidade e a paternidade com uma tentativa de não replicar a violência, de não passar adiante.

Tenho para mim que palmadas e agressões são inaceitáveis! O resto a gente tenta! Tenta com amor 

Se quiser ver VÍDEOS sobre educar sem palmadas, veja o link abaixo:

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Amamentação - Leite empedrado - Ordenha Manual!

O bebê nasceu e o leite desceu.
De repente tudo está empedrado. Os seios estão cheios, duros e doloridos, e amamentar dói. O bebê não consegue esvaziar a mama e cada vez o desconforto aumenta.
Parece que ele briga com o peito e não quer mamar, mas continua com fome.
Você sente pontadas e o corpo quente. Amamentar dói, não amamentar dói.
CALMA, tem jeito!



Como lidar com leite empedrado?
Dicas nesse vídeo! 
E na segunda metade dele um vídeo demonstrativo com dicas práticas de como fazer ORDENHA MANUAL para esvaziar e aliviar as mamas!
Repasse a informação! 

*nunca use compressas quentes ou banho quente para aliviar essa situação, isso pode fazer ela piorar muito! (explico no vídeo)





terça-feira, 14 de agosto de 2018

Palmada ensina muitas coisas! - Como educar a criança?

Educar sem violência é possível? Como criar com amor e limites?
Só um tapinha não é espancamento? Mas e as consequências emocionais desses tapas?
Há muitos anos tenho lido sobre o assunto, participado de campanhas e investido em aprendizado em psicologia infantil. Nesses vídeos compartilho com vocês algumas das coisas que aprendi, e algumas reflexões pessoais das estratégias que tenho usado.

A imagem pode conter: 11 pessoas, pessoas sorrindo
(gostaria de dar os créditos à imagem, se alguém souber!)

Sou convicta de que nenhuma criança precisa apanhar. Que a agressão é um descontrole e inabilidade do adulto. Infelizmente é preciso uma cultura inteira mudar para essas conclusões se tornarem senso comum. Enquanto isso refletimos e questionamos, e tentamos encontrar alternativas inteligentes que respeitem o corpo e as emoções de nossas crianças. A violência nunca é um caminho para melhorar as relações.

Nesses vídeos abaixo eu aprofundo a discussão, e conto o que a criança de fato aprende ao apanhar, e quais as consequências a médio e longo prazo disso!

UM TAPINHA NÃO DÓI?


ESTRATÉGIAS PARA EDUCAR SEM BATER

sábado, 11 de agosto de 2018

"Ela estava ótima até você chegar!" - Que mãe nunca ouviu isso?

"Todo mamífero espera a sua mãe antes de expressar um sentimento de pavor em voz alta. Na ausência da mãe, é melhor não se manifestar em demasia. Quando mamãe = segurança) voltar, posso descarregar as tensões acumuladas. O mesmo processo está em curso quando a sua filha fica incontrolável com você à noite depois de passar o dia divinamente bem na creche.”
“Ela aguentou situações de estresse sem nada demonstrar e só “sucumbiu” quando você chegou. Às vezes isso é difícil para as mães, que podem ter a impressão de que a criança deixa o pior para elas, ou podem achar que não são boas mães (sobretudo quando o pai reforça: “Olha, comigo estava tudo bem!”).

Choros e crises de raiva são às vezes (frequentemente) simples descargas de tensão dirigidas à fonte de amor incondicional: mamãe. Esse comportamento continuará durante muitos anos ainda; tenha isso em mente quando sua filha adolescente lhe gritar toda a raiva que tem dentro dela. Não esqueça que você é o receptáculo preferido para os seus sofrimentos; não por não ter autoridade (é o que muitas vezes dizem o pai ou mesmo a sua própria mãe), mas porque com você ela se sente segura.”

Trecho de: Filliozat, Isabelle. “Já tentei de tudo!”. Editora Sextante, 2014-09-18. iBooks." 

A imagem pode conter: 1 pessoa, atividades ao ar livre e água

Sabe por que ela mudou comigo? Por que comigo ela pode ser ela mesma!! Sem medo de não ser aceita como é. Isso é amor!

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Cada uma tem o parto que merece?!! - Opa! Não é assim não!

Queria um parto humanizado e teve uma cesárea?
Queria um parto natural e precisou de fórceps?
Queria um parto espontâneo e precisou induzir com medicação?
Parto é multifatorial, cada história traz um universo de aprendizados
O seu parto tem significado, pra você e pro seu bebê.
Olhe pra si mesma com carinho, deixe as cobranças do romantismo do parto de lado, e tente ver as coisas como elas são e como aconteceram.
As vezes simplesmente acontece de outra forma, e tudo bem!


(vídeo irônico)



(reflexões sobre o tema)


Esses vídeos surgiram de reflexões levantadas após a escrita de um texto aqui do blog
http://alaya77.blogspot.com/2014/11/partaco-ou-fracasso-quando-acontece-uma.html

terça-feira, 7 de agosto de 2018

"É só tirar a carne e comer" - Crianças Vegetarianas


A imagem pode conter: 1 pessoa, bebê e comida

Sobre crianças vegetarianas, mas principalmente sobre tentar entender as escolhas dos outros mesmo quando não parece fazer sentido para nós. Afinal na maternidade, existem as particularidades de cada família, e ser tolerante e respeitoso com as diferenças é importante para o convívio e o crescimento das crianças.
TODO vegetariano já ouviu aquela frase “mas é só tirar a carne e dá pra comer”
Quantas vezes eu não ouvi que era só catar a linguiça do feijão que eu podia comer
Ou abrir o sanduiche e tirar o presunto que ficava tudo bem
Ou catar as batatas cozidas no meio da carne assada e comer só as batatas. Que era bobagem ficar com fome, que “só encostou”, que eu não estaria comendo a carne.

Fico com nojinho cada vez que peço “hambúrguer vegetariano” em algum local que vende o tradicional, pensando que usam a mesma chapa com aquela gordura de carne misturada no meu hambúrguer de grão de bico (por isso parei de pedir esses sanduiches).
Quando eu era criança uma professora na escola ficou incomodada comigo, pois ela fez o favor de tirar a salsicha de dentro do cachorro quente e me deu sem, e mesmo assim eu me recusei a comer.

Como eu já contei no meu vídeo sobre alimentação vegetariana para crianças (link aqui https://youtu.be/7rCf6Afx3YE) eu não considero carne COMIDA. Minhas papilas gustativas não salivam quando penso numa picanha, quando sinto o cheiro de bacon. Para mim não é comida, nunca foi, nunca comi, meu cérebro não está “formatado” para identificar carnes como alimento. Eu olho para uma carne eu vejo um animal morto, um bicho que sofreu, um defunto mesmo, não me apetece. Então não, não é só “tirar a carne”.
Vou fazer um paralelo, quem sabe conseguem me entender melhor
Imagine que você está comendo um pão francês, e ao cortar o pão você encontra um pedaço de unha suja dentro da massa. Você só tira a unha e continua a comer o pão?
Imagine que você se serviu de uma tigela de arroz, e encontrou uma barata morta dentro do seu prato. Você cata a barata e continua a comer o arroz?
Você está comendo um sanduiche e ao dar uma mordida vê um dedo humano decepado ali dentro, você tira o dedo e come o sanduiche?
Você visita um amigo que gosta de culinária oriental do tipo que inclui insetos no cardápio, ele te oferece um feijão com algumas lesmas cozidas dentro como aperitivo, você cata as lesmas e come o feijão?

NÃO né!!!
Carne para mim é tão “comida” quanto besouro frito é para você
Não é ok só tirar a carne e comer o resto. Entendam isso! 
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