Depois de muita leitura decidi gravar um vídeo falando um pouco de como estou lidando com a introdução alimentar da minha filha, e como achei interessante esse método em que a criança tem autonomia para se alimentar. Nesse post colocarei o vídeo explicativo e alguns vídeos exemplificando o bebê comendo, e no fim deixarei alguns links de alguns dos melhores textos que achei sobre o assunto (tanto o BLW quanto a introdução alimentar em si), incluindo o manual da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Minha intenção é apenas compartilhar a experiência e ajudar outras mães que assim como eu buscam uma forma mais saudável de lidar com a alimentação do bebê
Sou super adepta de uma alimentação mais natural e saudável, mas gostaria de colocar também que penso que isso deve ser levado de forma leve, tranquila, para que não se alimentem também neuroses. As recomendações são formas de nos ajudar a ter uma vida mais saudável, não são prisões de conduta. Que cada uma reflita, a partir das informações que tem acesso, das recomendações de saúde que recebe, e de sua consciência, como se responsabilizará pela alimentação de seus filhos.
Buscamos o melhor pois nos importamos, sem intenções de "perfeição". Mas se uma alimentação melhor é possível, e só traz benefícios, por que não tentar não é mesmo?!
Compartilhando minhas leituras e o que estou experimentando:
EXEMPLO - Introdução alimentar - bebê de 6 meses comendo pelo método BLW
Nesse vídeo minha filha come 8 variedades de alimentos, e por volta dos 3:25min ela demonstra um desengasgo (gag reflex)
Gostaria de destacar alguns pontos:
- Estudos científicos tem comprovado que fatores nutricionais e metabólicos em fases iniciais do desenvolvimento humano têm efeito em longo prazo para toda a vida adulta. Isso quer dizer que os primeiros anos de alimentação do bebê são absolutamente essênciais para determinar como o corpo dele vai funcionar, e como será sua saúde na vida adulta. Agressões alimentares nessa primeira fase de vida, tão suscetível, podem causar efeitos negativos no futuro. Melhor garantir um futuro saudável para nossos filhos.
- O leite materno continua sendo a principal fonte de nutrientes para o bebê até 1 ano de vida. A alimentação a partir dos 6 meses é complementar. A introdução dos alimentos só deve ser iniciada aos 6 meses, antes disso o bebê possui mais chances de desenvolver alergias alimentares e eczemas, pois o sistema digestivo da criança não está pronto para receber outros tipos de alimentos ainda. A partir do sexto mês o bebê começa a produzir enzimas digestivas em quantidades suficiente que permitem que ele aos poucos receba outros alimentos. A maturidade fisiológica e neurológica acompanha a habilidade de sentar e agarrar objetos. O bebê passa a não ter tanto o reflexo de empurrar a língua para frente. Mesmo o bebê que não mama no seio materno, e toma apenas fórmula láctea, mesmo este não deve introduzir os alimentos antes dos 6 meses (como de forma muito errada e irresponsável muitos pediatras vem indicando), essa é a instrução dada pela própria Sociedade Brasileira de Pediatria, baseada nos estudos mais recentes - o bebê deve continuar apenas com fórmula até os 6 meses, caso o leite materno não seja possível.
- Após os 6 meses o bebê deve receber alimentos complementares um a um, como caráter de teste, para aos poucos ir diversificando. Deve se ofertar os alimentos 3x ao dia para bebês que mamam no seio, e 5x caso não mamem mais. Se a criança recusar um alimento, deve-se oferecer novamente em outras ocasiões. É normal que leve-se até mesmo 10 exposições do mesmo alimento para que a criança passe a aceita-lo. Oferecer frutas como sobremesa é válido após as refeições principais pois ajuda na absorção do ferro presente nos alimentos vegetais como o feijão e as folhas verde-escuras.
- A capacidade gástrica da criança é pequena, e após os 6 meses é em torno de 20 a 30ml/kg. Por exemplo, uma criança com 7kg, tem uma capacidade gástrica em torno de 200ml, para cada refeição.
- Não, a criança não precisa nem deve "experimentar" tudo que a família come, por exemplo iogurtes industrializados, queijinhos, bebidas alcólicas, achocolatados, sorvetes, biscotos recheados etc. A criança deve ser protegida de "experimentações" que não façam bem a ela.
- Nunca brigue com a criança para que ela coma tudo o que VOCÊ quer que ela coma. Não o obrigue a comer até o fim caso ele esteja dando claros sinais de já estar satisfeito. Geralmente somos ansiosas e esperamos que elas comam mais do que de fato precisam. Forçar o bebê a comer pode fazer com que ele aceite cada vez menos. Cuide para não transmitir sentimentos de frustração para a criança, e nem passe a mensagem de que ela será mais amada caso coma além do seu limite.
- Crianças tem personalidades diferentes e nem tudo que funcionou com um funciona com o outro. O paladar de cada um é único, e o apetite também pode variar.
- O leite de vaca integral, por várias razões, entre as quais o fato de ser pobre em ferro e zinco, não deverá ser introduzido antes dos 12 meses de vida. É um dos grandes responsáveis pela alta incidência de anemia ferropriva em menores de 2 anos no Brasil.
- Os sucos naturais devem ser evitados, mas se forem administrados que sejam dados no copo, de preferência após as refeições principais, e não em substituição a estas, em dose máxima de 100 mL/dia (manual SBP). Dê preferência a fruta in natura, sucos se transformam em açucar no organismo e contém poucas fibras. (leia mais: http://pat.feldman.com.br/2014/08/11/nao-ofereca-sucos-aos-seus-filhos/)
- Alimentação não é apenas para o corpo, deve nutrir o emocional também. Faça desse momento algo alegre, interessante, tranquilo. Se alimentar não é apenas encher o estômago, permita que a criança se relacione com o alimento, não a alimente usando distrações, participe do momento. Deixe a criança se sujar e explorar a experiência.
Sites com mais informações sobre o método BLW:
http://pediatriadescomplicada.com/2015/02/06/introducao-alimentar-entenda-o-metodo-baby-led-weaning-blw/
http://guiadobebe.uol.com.br/comendo-sozinha/ (texto muito bom sobre o prazer de comer com liberdade, de fazer sujeira inclusive e sobre todo o lado psicológico da alimentação)
http://www.nossoprimeirobebe.com/diretrizes-para-blw/
Grupo do Facebook BLW Brasil, com vários arquivos informativos: https://www.facebook.com/groups/586263108059068/
Manual de Orientação do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria: http://www.sbp.com.br/pdfs/14617a-PDManualNutrologia-Alimentacao.pdf
Blog bacana com dicas e receitas saudáveis http://www.asdeliciasdodudu.com.br/2013/05/meu-filho-nao-come-6-7-meses-introducao.html
Por que NÃO oferecer açucar para o bebê:
http://nutricionistainfantil.blogspot.com.br/2012/07/sem-acucar-com-afeto-ou-porque-nao-dar.html ("
O açúcar é um "alimento" altamente calóricos, pobres em nutrientes e o consumo em excesso pode gerar uma série de doenças. A ingestão excessiva de açúcar, além de aumentar a concentração de insulina no sangue, também eleva a quantidade de adrenalina, causando irritação, ansiedade, excitação e dificuldade de concentração". )
=======
ENGASGO é diferente de sufocamento (em inglês: gag X choke). Um bebê realmente engasgado não tosse nem emite som, pois o ar não está passando. A manobra para ajuda-lo é essa abaixo (o vídeo está em inglês mas dá pra ver). É sempre bom saber
https://www.youtube.com/watch?v=ZlIknKErzV0
Esse post explica direitinho que reflexo de vomito (gag) não é o mesmo que engasgo
http://tanahoradopapa.com/2015/03/06/tosse-nao-e-reflexo-de-gag-reflexo-de-gag-nao-e-engasgo-e-engasgo-e-coisa-seria-parte-3/
=======
Sobre o não uso de mamadeiras e bicos moles (
Fonte: Caderno de atenção básica a amamentação do Ministério da Saúde http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alimentacao.pdf):